Depois de O livro de contos de Alice N. (2012), Uns contos ordinários (2014), Contos do mundo delirante (2018) e O Bombo – guerra e paz em Natal, 1945 (2020), Cellina Muniz publica agora o livro “QUASE CONTOS”, o quarto no gênero e o nono título publicado pela autora, dentre literários e acadêmicos.

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O livro apresenta 16 estórias, a maioria escrita durante o ano de pandemia, e foi contemplado na Lei Aldir Blanc/FUNCART.

livro-quase-contos“QUASE CONTOS” tem como posfácio um pequeno ensaio crítico de Alves de Aquino, poeta e editor cearense, além de professor de Filosofia da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA).

Conhecido ironicamente como Poeta de Meia-Tigela, Alves de Aquino se debruça também sobre os livros anteriores de Cellina Muniz e assinala como foco dos textos da autora: “a falta, a falha, a incompletude — essa carência perpétua mediante a qual se procura transcender o conhecido já escrito rumo ao contar possível e vindouro”.

O livro também tem na capa ilustração da filha da autora, Rosa Maria, marcando assim o debut da jovem desenhista que, junto com a mãe, veio de Fortaleza morar em Natal há dez anos.

A autora autografará o livro, em lançamento simbólico, no Sebo CataLivros, no Mercado de Petrópolis, no sábado dia 6 de fevereiro, de 9h às 13h.

Trecho do conto O aro era 14, o Chevette 76:

No momento exato e preciso em que ela anunciou a grande revelação – “tu sabe que eu tenho uma fossa ilíaca problemática, né?” – o pneu do Chevette 76 de Romilson voou longe, pra lá da rua Manoel Dantas.

Isso tudo só porque Romeu, às 16:16 lá na oficina da Esperança, não apertou devidamente os parafusos. Desparafusado como qualquer um poderia ser, também o aro do pneu não colou e nem cantou no coração da boa sorte. Cantou foi no asfalto quente e deixou marca, voando longe, solto e só …

Mas, antes daquele pneu rolar, ele, Romilson, gostou dela como uma aranha gosta de sua trigésima segunda teia. Como foi mesmo que foram se encontrar? Sabe Deus e Exu desconfia. O que se sabe é que eram dois: ele sepultador e ela operadora de telemarketing.

Em outras palavras, sem muitas firulas: o coveiro e a telefonista.

(…)

 

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