Cachê e respeito aos músicos potiguares

Nunca existiu um tempo bom para os músicos potiguares sobreviverem com dignidade nesta província. Alias, para quase nenhum artista potiguar que faz das tripas coração para pagar as contas e colocar o prato na mesa.

Coisas do mercado de uma terra que sempre pagou muito bem aqueles consagrados que vêm de fora e deixa uns trocados chorados a quem batalha por aqui.

O cachê continua indigno para um trabalhador diferenciado, que faz do talento o principal diferencial. Na realidade as ofertas dos produtores e donos de bares estão é piorando com o passar dos anos. Antes se pagava mal, mas eram valores compatíveis com o mercado da época. O tempo passou e hoje se remunera ao músico e local percentualmente pior do que há 20 anos.

“Crise”, “insegurança”, dizem os patrões ao mostrarem o baixo faturamento de uma noite após a apresentação. Muitas vezes mandam o músico para casa sem dinheiro, pois “só entrou cartão”, choram eles. Aí se passam três, quatro dias, uma semana ou nunca para se receber pelo trabalho feito.

É preciso se pagar valores dignos não somente para garantir a sobrevivência, como também para manutenção de instrumentos e acessórios que permitam uma melhor performances nos palcos. Mas isso não ocorre.

Essa é parte da sina que este artista vive no Rio Grande do Norte. Sem direitos respeitados, sem sindicatos fortes e com uma Ordem dos Músicos esfacelada pela incapacidade de lutar pelas conquistas. Um cenário devastador.

É cada um por si para enfrentar a noite. Não se sabe se vai receber. E com isso, boa parte dos artistas são obrigados a terem outras profissões para sobreviver: são funcionários públicos, jornalistas, profissionais liberais, ou exercer qualquer outra área que possa garantir o suficiente para subsistência.

E claro, para quem não se dedica somente a um ofício, a qualidade do trabalho não vai ser aquela desejada.

Respeitem o músico potiguar!


FOTO: Heudes Regis/VEJA

About The Author: Moisés de Lima

Moisés de Lima

Pai de Sarah, jornalista, músico e gaitista chegado às coisas da história e da arte com um sentimento voltado para a budicidade da vida.

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