Dos points culturais de Natal, o Bardallos celebra 13 anos neste sábado

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Em abril de 2005 quando o produtor cultural Lula Belmont abriu as portas do Bardallos, este blogueiro era um repórter do caderno de Cidades do saudoso Diário de Natal e já frequentador daquelas andanças becodalamenses. Lembranças remotas me descrevem a primeira sede do bar como um corredor relativamente estreito e comprido. E nos fundos, uma área mais ampla com uma enorme árvore cercada por mesas.

Tomei umas boas brejas por lá. O lugar desde sempre é bem frequentado. À época, mereceu reportagens em noticiários da TV pela novidade do sino badalado pontualmente à meia-noite, para quem estiver presente pagar a conta e ir embora. Isso porque Lula Belmont já estava cansado da noite natalense, após anos à frente do histórico bar e pub Vice-Versa, que funcionara ali pertinho.

O Bardallos deveria ter se iniciado mesmo ainda no prédio do Vice-Versa, sendo um boteco de calçada com hora marcada para fechar à meia noite. Após fechado, quem quisesse continuar entraria na boate. Essa era a ideia de Lula para o Vice-Versa antes de o estabelecimento fechar. Mas não houve tempo. E após o fim do pub surgiu a oportunidade de abrir um novo bar.

Essa primeira sede do Bardallos, já na Gonçalves Lêdo, era conhecido como o Abech Pub, em referência ao seu antigo proprietário Pedro Abech e local de referência de artistas, mas que se encontrava fechado. Aos poucos o Bardallos foi conquistando uma clientela cativa de artistas, produtores, jornalistas, loucos e boêmios, movida a uma intensa programação cultural com shows musicais, exposições plásticas, saraus poéticos, etc.

“Abri o Bardallos Comida e Arte sem divulgação. Achei que o bar teria que acontecer por si próprio. E como não estava mais afim de amanhecer dia em bar, tive a ideia do badalo do sino a meia noite para fechar o bar. E assim permaneceu por cinco anos até que o prédio foi vendido”, relembra Lula Belmont.

BARDALLOS DE HOJE

Foto: João Maria Alves

Coincidentemente nessa época, Lula viu o que nunca tinha visto mesmo escancarado a sua frente todos os dias. “Passava e nunca tinha percebido essa casa. E coincidiu de o proprietário vendê-la na época que o Bardallos fechou. Negociei, comprei e transferi o Bardallos pra lá. Procurei manter o mesmo clima do bar. E a clientela permaneceu. Aprendi que não se mexe bruscamente numa estrutura de bar ou se perde cliente”.

Hoje o Bardallos é point da vida boêmia e cultural do Centro Histórico de Natal. Ótimos shows acontecem duas ou três vezes durante a semana, via de regra com o que há de melhor na música potiguar. E projetos culturais também encontram no local o espaço para desaguar mais arte ao público sempre presente, a exemplo do Sarau Insurgências Poéticas, exposições plásticas e lançamentos de livros, ou projetos antigos de sucesso, como o DJ Por um Dia.

Mas o velho guerreiro de 60 anos está cansado. “Estou morando em hotel aqui próximo faz um ano e meio. Melhor coisa que eu fiz. Aluguei meu apartamento e minha ideia depois de mais uns três anos de trabalho é viajar mais. Passar um mês em São Paulo, um mês em Florianópolis, onde tenho família… Tudo pago com o aluguel da minha casa. Mas o Bardallos permanece. Agora, é difícil. O que segura mais a onda (as finanças) aqui é o serviço de almoço. Mas é difícil parar; sou meio conservador com essas coisas”.

BARDALLOS – 13 ANOS PARA CELEBRAR

E para celebrar os 13 anos de boemia, cultura e serviços, o bom e velho Bardallos preparou uma noite de celebrações para este sábado, dia 14 de abril. Durante o “Bardalando a Cidade” será apresentada a nova logomarca do point, produzida pela artista Rita Machado e ainda um showzaço com uma das melhores bandas do cenário atual da música potiguar: o Skarimbó. Tudo a partir das 20h.

 

Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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