30 anos do livro “Modernismo Anos 20 no Rio Grande do Norte”

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Em 2025 celebra-se o aniversário de 30 anos da obra Modernismo anos 20 no Rio Grande do Norte (EDUFRN, 1995), do escritor, membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras, Humberto Hermenegildo de Araújo. O livro, fruto de uma dissertação de mestrado na Unicamp, defendida em 1991, traz um balanço pioneiro sobre o modernismo, nos anos 1920, focando principalmente na obra poética de Jorge Fernandes.

 Por falar em comemoração, esse ano também se festeja 98 anos do Livro de Poemas de Jorge Fernandes, obra modernista pioneira no Rio Grande do Norte. Publicada em 1927, trazia exclusivamente versos livres, sem rima e sem métrica, dentro das novas propostas, o que foi quase que um grito revolucionário em nossa Província Literária, dominada até então pelos poetas românticos e parnasianos. Jorge Fernandes engajou-se no Movimento Modernista, a nível nacional, por meio da colaboração em revistas como Terra Roxa e Revista de Antropofagia.

Ao prefaciar o Livro de Poemas, Câmara Cascudo, grande incentivador e amigo de Jorge, afirmou: “As maiores simpatias do poeta vão para Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Raul Bopp”, todos modernistas.

Jorge Fernandes conheceu pessoalmente Manuel Bandeira e Mário de Andrade. Com este último manteve correspondência, da qual se salvou apenas uma carta, transcrita na obra Dois Poetas do Nordeste (1964).  Nela vê-se a opinião do escritor paulista sobre uns poemas de Jorge: “Tem neles um certo ar brusco, meio selvagem, meio ríspido e, no entanto, coa de tudo uma doçura e um carinho gostoso. Tudo isso eu tenho apreciado e me tem dado vontade de ler mais coisas suas”. Já Manuel Bandeira, em carta a Veríssimo de Melo, disse: “Cumpre promover uma reedição do Livro de Poemas, porque Jorge Fernandes falou em muitos dos seus poemas com um timbre que é só dele, falou de coisas do Brasil com um sabor que é dó dele: aquele seu livro deve estar na biblioteca de todos os brasileiros. Dói-me dizer que não o possuo”. A reedição sugerida por Bandeira viria oito anos depois, com introdução e notas do próprio Veríssimo, através da Fundação José Augusto.

Jorge Fernandes viveu sempre em Natal, encantando-se com as paisagens e a vida sociocultural da cidade, mas também se inspirou no sertão, que ele conheceu como viajante. A Natal do seu tempo era uma cidadezinha provinciana, acanhada. Mário de Andrade a descreve em notas de viagem, depois reunidas em livro O Turista Aprendiz (1976).

No meio cultural, fazia-se intensa atividade do teatro amadorístico, em que Jorge se integrava, aliás, desde os fins da década anterior, como autor de revistas e peças.

Depois do livro de poemas, o escritor não publica nenhum outro, e vai distribuindo a sua reduzida produção em alguns periódicos.

Postumamente, quem deu foco à poesia de Jorge foi Veríssimo de Melo, no já citado Dois Poetas do Nordeste, em que também destaca o poeta pernambucano Ascenso Ferreira. Depois, Newton Navarro tomaria Jorge Fernandes como patrono da cadeira 37 da Academia Norte-rio-grandense de Letras. Contudo, foi Lenine Pinto quem “redescobriu” Jorge Fernandes, numa entrevista para o Diário de Pernambuco, no final dos anos 40.

Em 1970, Veríssimo de Melo reuniu na 2ª edição do livro de poemas, a produção dispersa do nosso pioneiro modernista.  Alguns escritores, nos anos seguintes, dedicaram-lhe ensaios e artigos, como, por exemplo, Francisco das Chagas Pereira, Gumercindo Saraiva, Manoel Onofre Jr. e Newton Navarro que fez uma observação interessante à época, dizendo ser Jorge um precursor do Concretismo, com o poema “Rede”.

Contemporaneamente, o amplo trabalho de análise e divulgação da obra de Jorge Fernandes, realizado por Humberto Hermenegildo, na UFRN, principalmente com os livros Modernismo: Anos 20 no Rio Grande do Norte, O Lirismo nos Quintais Pobres e Velhos Escritos de Jorge Fernandes, dentre outros, abriu novas perspectivas e motivou toda uma geração, sobretudo de professores e alunos, a ler e estudar o Livro de Poemas de Jorge Fernandes, até os dias atuais.

Thiago Gonzaga

Thiago Gonzaga

Pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros.

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1 Comment

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  • Adélia Costa

    Amo a poética de Jorge Fernandes. Ao ler esse seu texto, Thiago, deu até vontade de escrever “versos metrificados”… E Hermenegildo também é um gigante. Obrigada por me fazer revisitar esse povo todinho. Bj

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