O legado do italiano Guglielmo Lettieri para Natal

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Em 2011 escrevi matéria para a Revista Palumbo sobre a “Casa da Suástica” em Natal. Era a única residência no Brasil com o nefasto símbolo nazista no piso. Visitei o local e lá descobri ser propriedade do historiador e um dos maiores pesquisadores sobre o tema da Segunda Guerra no Brasil, Leonardo Barata. A partir daí, cheguei ao nome do cônsul italiano Guglielmo Lettieri, o primeiro morador da residência, situada na Ribeira, e então “espião nazista” residente em Natal. E na pesquisa cheguei até uma neta dele, Iris Lettieri, primeira apresentadora de telejornal no Brasil e a voz de tantos aeroportos brasileiros.

Guglielmo foi figura importante na história natalense. Importante ressaltar que antes do holocausto o nazismo ou o fascismo eram regimes aceitos pela sociedade. E Guglielmo gozava de enorme respeito em Natal. Foi pioneiro em inúmeras atividades comerciais na cidade e o sobrado em que morava permanece na Ribeira como símbolo de sua história, como informa um email que recebi esta semana, da arquiteta Kathienny Freire, que provocou esta postagem e traz informações curiosíssimas sobre Natal. Segue abaixo na íntegra. E quem quiser ler a matéria, segue o link mais abaixo também!

“Oi, Sérgio, bom dia! Gostaria de parabenizá-lo pelo trabalho desenvolvido acerca do cônsul italiano Gugliemo Lettieri aqui em Natal.

Estive trabalhando na genealogia do meu esposo durante os últimos dias e por falta de materialidade sobre a vida e história de Guglielmo, decidi procurar algum material publicado que falasse a respeito do trabalho dele. Quase todos os artigos que tentamos denigrem a história e o legado dele.

O seu texto publicado em https://papocultura.com.br/nazifascismo-em-natal/ foi o único que abordou os temas da espionagem e suástica com o devido respeito e seriedade e gostaria de agradecê-lo por isso.

A história do nazifascismo em Natal investigada pelo maior detetive de todos os tempos – Sergio VilarEste site utiliza cookies para que possamos fornecer a melhor experiência possível do usuário. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e desempenham funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajuda nossa equipe a entender quais detalhes do site você considera mais interessantes e úteis.papocultura.com.br

De fato, Gugliemo defendeu o nazismo antes dos horrores cometidos na segunda guerra, e assim como muito bem escrito por você, Câmara cascudo, que era um grande amigo dele também defendeu o regime. A família Lettieri aqui em Natal sente muito orgulho do homem bom que Gluglielmo foi. Sabe… Houve vida além dos telegramas.

Guglielmo era um homem visionário e muito trabalhador. Não foi à toa que chegou no Brasil aos 16 anos e construiu sua própria fortuna. Ele não era rico, sua família não era abastada… aliás veio de uma pequena comuna da Itália. Tudo o que Guglielmo conquistou foi com muito trabalho e dedicação.

Apesar da fama em torno da “casa da suástica”, que foi construída para ser sua residência; o primeiro imóvel construído por Guglielmo na Ribeira foi o prédio onde funciona hoje a “EDTAM”.

Esse foi o primeiro edifício de dois andares construído em Natal, em uma época em que as estruturas eram todas em madeira. Ali foi o depósito da cantina Lettieri. Primeiro “hipermercado” da cidade. Na cantina era possível encontrar tudo o que existia de mais luxuoso e abastecia as famílias mais importantes. Era possível comprar chapéus, charutos, queijos, vinhos e até frutas importadas.

Durante a segunda guerra, o segundo pavimento desse imóvel ficou sem uso. Então Guglielmo cedeu o espaço para que funcionasse uma “casa de diversões” durante as noites, com a finalidade de trazer alegria aos soldados americanos que estavam por aqui.

(Tive acesso a esses dados, procurando documentos sobre o imóvel no IPHAN)

Além da cantina, Guglielmo montou uma fábrica de gelo quando não existia geladeira em Natal. Fundou a primeira fábrica de refrigerantes da cidade. De vassouras também. Ele era um empresário muito respeitado por aqui, antes mesmo de se tornar cônsul. E essa história não pode ser desligada.

Íris destacou muito bem o lado bondoso da personalidade de Guglielmo, citando o evento da caixa d’água durante a intentona comunista em natal.

Sobre o fato dos “filhos legítimos serem horrorosos”. Bem, existe alguma mágoa profunda que precisa ser trabalhada ali, mas é uma opinião pessoal dela, e opiniões não são fatos.

Não sei quanto aos filhos de Guglielmo. Meu esposo, em específico, é descendente de “Pierre” (Galileu Pedro Lettieri), Vejo por fotos de família que era um homem bonito. Aliás, minha sogra é uma das mulheres mais bonitas que já conheci. Mesmo agora, com mais de 80 anos. Beleza em forma e em caráter. Ela não é por acaso, neta de Guglielmo. Enfim…

Não sei ao certo se você é jornalista ou historiador, mas se ainda tiver os documentos que usou como base para escrever seu artigo, adoraria ter acesso a eles. Desde já agradeço!

Kathienny Freire


Crédito da foto: Luis Carlos Freire

Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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