Novos talentos e a melhoria do IDH

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Há alguns dias, encontrei nas proximidades do Centro Comercial Samburá, no centro da cidade, um conhecido meu, prefeito de uma cidade do interior. Ele elogiou o programa Talento Potiguar e me disse que futuramente pretende implantar na sua cidade um projeto de aproveitamento e valorização dos talentos locais nas áreas da música, artes plásticas, literatura e artesanato, acrescentando: “Isto vai ajudar a melhorar o IDH do município”.

Confesso que saí surpreso do rápido encontro, pois eu sempre soube que o IDH, que foi criado em 1990 por um economista paquistanês e que compara indicadores dos países em várias áreas, tem o objetivo de avaliar o bem-estar da população; mas eu nunca tinha escutado nenhum prefeito, dentre vários que conheço – principalmente de uma cidade pequena do nosso estado – falar de IDH, nem associar a descoberta de novos talentos ao Índice de Desenvolvimento Humano.

Eu sempre lutei em defesa dos nossos artistas, da nossa arte e da nossa cultura. Nós sabemos que a grande mídia nacional muitas vezes faz com que o gosto do público fique centralizado no que é sucesso, no que toca nas rádios, no que aparece nos programas de TV, ou nas redes sociais, para falarmos só da área musical. Esta situação faz com que, muitas vezes, o gestor se torne uma espécie de refém da exigência da população, o que tem como consequência o fato de, nas festas populares, sempre se dar prioridade aos artistas de sucesso. Sem entrar em especulações que possam gerar controvérsias, quero aqui deixar claro minha opinião pessoal de que todas as cidades deveriam abrir mais espaço para os seus talentos em festas de emancipação política, de padroeiros, de comemoração de aniversários de cidades ou ainda no São João, no Natal e no Réveillon, pois estes eventos têm como objetivo chamar a atenção do grande público.

Usando como referência o exemplo do meu amigo prefeito, acho que os gestores de todas as cidades do interior poderão dar oportunidade aos artistas locais em todos os eventos que realizarem nos seus municípios e assim, utilizar a valorização desses artistas como um instrumento de promoção social, como fortalecimento da cena cultural e como melhoria dos índices de IDH das suas cidades.

Desde que não haja comprometimento de recursos destinados a áreas importantes (Saúde e Educação, por exemplo), podem até contratar artistas de fora, com notoriedade comprovada, que são sucesso e que, por atraírem um grande público agradam as pessoas e contribuem com fortalecimento da Economia dos municípios, gerando renda junto ao comércio local; entretanto, sempre deve ser levado em conta que o dinheiro gasto com as atrações de peso vem do bolso do contribuinte e não do bolso dos prefeitos.

Embora se contrate nomes de peso para shows e espetáculos artísticos e culturais, boa parte do dinheiro público gasto precisa – e deve – ser também investido nos talentos locais. Se isto não for feito, as consequências não serão boas: além de não incentivarem o surgimento de novos talentos, os gestores estarão também contribuindo para a morte, no nascedouro, de artistas que, com o apoio do poder público poderiam se projetar para além das fronteiras dos seus municípios e até do estado.

Prefeitos que realizam shows sem valorizar os talentos locais correm o risco de colocar seus artistas sempre à sombra de artistas de outras regiões. E isto significa que, além de estar jogando fora a capacidade de apostar no novo, estão também impedindo a valorização dos artistas perante sua própria comunidade.

Fernando Luiz

Fernando Luiz

Cantor, compositor, produtor cultural e apresentador do programa Talento Potiguar, que é exibido aos sábados, às 8 horas pela TV Ponta Negra, afiliada do SBT no RN.

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