Coletivo de mulheres comemora um ano de existência no Circuito Literário Potiguar (CLIP), cuja edição ocorre na Praça Aluízio Alves, a partir das 19h, nesta quinta-feira (10)
Há exatamente um ano, um grupo de mulheres decidiu que o silêncio não seria mais o teto de suas produções na cidade de Parnamirim: Mulherio das Letras Cajuínas. Esse aniversário consolida o grupo como um dos principais faróis de resistência, acolhimento e fomento à escrita feminina na cena cultural potiguar.
Ao longo dessa trajetória, o coletivo abriu espaço para que novas autoras publicassem suas primeiras linhas, apoiando-as e, com isso, subvertendo a lógica tradicional do mercado editorial ao colocar a perspectiva de gênero, a diversidade e a coletividade no centro do debate literário.
Criado em 21 de agosto de 2025, o Cajuínas, como é afetuosamente chamado pelas suas integrantes, é um braço regional do Mulherio das Letras Nacional e faz parte de um momento importante no Rio Grande do Norte: o expansionismo nos municípios potiguares iniciado por uma das participantes deste movimento, a escritora Kalina Paiva.
“Maria Valéria Rezende, grande idealizadora do movimento nacional, mencionou em palestras e rodas de conversa sobre a importância de mulheres se organizarem coletivamente para buscarem seus lugares no espaço editorial. Ela pensou nesse coletivo se ramificando em estados e municípios. Dessa forma, o Rio Grande do Norte está sendo pioneiro e eu sinto alegria de ter iniciado essa etapa de expansão, prestando assessoria às mulheres que desejaram desenvolver atividades em suas cidades. Em 2025, na cidade de Ceará-Mirim, foi criado o [Mulherio das Letras] Madalena Antunes, sob a coordenação da romancista Margareth Pereira; em Parnamirim, o Cajuínas.” – explica Kalina Paiva.
O coletivo em Parnamirim tem participado ativamente do cenário cultural, promovendo lançamentos de livros das escritoras, encontros do Clube de Leitura Entre Elas, bate-papo entre escritoras e leitores nas escolas municipais e estaduais, contação de história, oficinas, participação nas mesas e rodas de conversa em eventos nacionais como a Bienal de São Paulo, a Ocupação Literária, a GGCON, além de feiras e eventos regionais, tais como a FLICOOP, a Feira do Livro de Mossoró e o Rio de Leitura.
“O nascimento do coletivo partiu de uma necessidade concreta: fortalecer a presença das mulheres na cena literária, criar oportunidades para que escritoras pudessem se encontrar, divulgar suas obras, compartilhar experiências e ocupar espaços de fala e de produção cultural. Mais do que reunir escritoras, as Cajuínas passaram a construir uma rede de mulheres que reconhecem na literatura uma ferramenta de expressão, pertencimento, memória, reflexão e transformação social.” – reforça Tereza Cristina, coordenadora do Mulherio Cajuínas.
Ao completar seu primeiro ano de existência, o coletivo celebra não apenas a passagem do tempo, mas uma trajetória marcada por vivacidade, participação e conquistas. Nesse período, as Cajuínas organizaram-se por meio de uma equipe de planejamento formada pelas escritoras Tereza Cristina, Kalina Paiva, Elizete Arantes e Gilvânia Machado, que busca ampliar a presença do grupo em diferentes espaços culturais e literários.
Quatro de suas escritoras foram empossadas na Academia de Letras e Artes Parnamirinense (Alearp), fato já noticiado pelo Potiguar Notícias: Ana Catarina Fernandes, Gilvânia Machado, Leonia Sá e Teresinha Martins. Duas receberam prêmios literários pela qualidade estética das suas obras: Gilvânia Machado e Elizete Arantes.
O grupo já recebeu Moção de Aplauso concedido pela Câmara dos Vereadores de Parnamirim pelo trabalho que tem contribuído com as instituições potiguares e com a sociedade civil no que tange ao fomento à leitura e ao fortalecimento de ações que fazem a diferença na cadeia do Livro e na formação de leitores, ainda alinhado com a ODS 5 – Objetivos da ONU para o Desenvolvimento Sustentável – que prevê a igualdade de gênero.
Por tantas ações realizadas no primeiro ano de existência, o Cajuínas é puro movimento por cumprir com sua maior missão traduzida na função social de apoiar o trabalho literário de suas escritoras.
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CIRCUITO LITERÁRIO POTIGUAR (CLIP)
Data: 10/09/2026
Local: Praça Aluízio Alves, Parque Industrial-Emaús.
Programação:
19h às 20h: MESA DE CONVERSA
A Importância do Livro e da Leitura em um Mundo Hiperconectado
Tereza Cristina, Rejane Souza e Carla Alves.
20h às 21h: SARAU POÉTICO
Mulherio Cajuínas, Mulherio Nísia Floresta e Mulherio Zila Mamede.
A comemoração de 1 ano do Mulherio Cajuínas será concomitante à Programação.

1 Comment
muito boa matéria