júpiter maçã

Júpiter Maçã é o melhor da música brasileira em 30 anos

Descobrir a música de Flávio Basso, o Júpiter Maçã ou Júpiter Apple (a depender da época) adia sua vontade de morrer. É querer estar vivo e saber que três meses e dois dias depois você poderá achar outra pérola soterrada pelo mainstream.

O gaúcho ficou bem conhecido pela entrevista dada ao porraloca Rogério Skylab, no programa Matando Passarinhos, acho que pouco antes de morrer em 2015. Foi um papo extremamente decadente e nem de longe retrata a obra visceral do cara.

Júpiter Maçã comandou as bandas TNT e Os Cascavelletes. Fase meio punk, mas com influências variadas. Flávio era múltiplo. Tocava vários instrumentos, compunha letra e melodia de todas as canções e experimentou muito em sua discografia.

O álbum Sétima Efervescência é considerado o melhor de todos os tempos no Rio Grande do Sul e um dos grandes da história do rock nacional. Psicodélico, inovador e produzido em plena década de 90 após sua fase folk, com hits cultuados até hoje e com seu maior sucesso, ‘Um lugar do caralho’.

O disco seguinte, Plastic Soda, traz letras e arranjos igualmente fodásticos, mas completamente diferentes. Letras em inglês e pegadas eletrônicas, com muito rock’n roll – marca maior de sua carreira – e mais uma vez preso ao universo underground.

Júpiter tem algo de Jim Morrison em seus graves. Tem Beatles em suas canções. Tem Syd Barrett na Sétima Efervescência. Tem Scott Weiland de presença no palco. Em ‘So You Leave The Hall’, por exemplo, é mesmo que ouvir o vocal de Liam Gallagher.

Referências icônicas, mas o cara não deixa muito a desejar. Infelizmente é uma celebridade gaúcha, se muito. A visibilidade máxima foi no programa da Angélica, quando cantou ‘Sempre quis te comer’, atrapalhado com interferências da loira durante o refrão para manter o padrão TV Aberta de qualidade.

Os paulistas do Ira também deram algum empurrão ao gravar ‘Miss Lexotan 6 mg Garota’. Mas o cara morreu aos 47 anos antes de assistir sua obra reconhecida. Talvez nem quisesse. Mas acho que o retardamento social e musical da modernidade carece de Júpiter e outros caras medonhamente desconhecidos.

Nesse texto do Leonardo Vinhas o jornalista Pedro Brandt afirma que a “obra do Flávio/Júpiter acaba chegando, mais cedo ou mais tarde, aos ouvidos de quem realmente se interessa por rock brasileiro”. Tardou, mas me chegou. Se você é normal, fica a dica pra você também.

 

Sobre o autor

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *