O histórico bar Carneirinho de Ouro

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O Carneirinho de Ouro era um festivo clube de lazer, fundado em 1936, à Avenida Tavares de Lira, Nº 54, esquina com a Rua Doutor Barata, 1º andar.

Esse ponto da Ribeira era conhecido como a Esquina do Mundo, pois era ali que se reuniam comerciantes, industriais, exportadores e importadores, comerciários, políticos, profissionais liberais de toda ordem, para o bate-papo de fins de tarde, conversas amistosas ou acaloradas discussões.

Segundo Mussolini Fernandes, o clube nasceu de uma brincadeira na porta da Charutaria de José Augusto, instalada na escadaria que dá acesso ao andar superior do prédio, onde funcionou de 1936, ano de sua fundação, até 1940, quando se estabeleceu no lugar em que ainda permanece, e onde se jogava dama, dominó, bilhar, xadrez, gamão, víspora, baralho e outros.

O nome teria sido sugestão de João de Almeida Barbalho, sócio-fundador.

Essa versão não é a mesma contada por Luís G. M. Bezerra. Segundo este, nove idealistas, comerciários, bancários, desportistas, tinham para o intervalo do almoço do comércio, encontros diários na praça fronteiriça ao cais da Tavares de Lyra e resolveram fundar um clube sócio/esportivo/cultural com a finalidade de conseguirem um ponto de encontro para confraternização.

Logo que fundado, a 08 de agosto de 1936, eles teriam alugado o primeiro andar do prédio da Tavares de Lyra, Nº 37, esquina com a Rua Chile, e aí teria sido a primeira sede da agremiação, que só em 1940 se transferiu para o primeiro andar onde hoje ainda funciona, e para onde fez a mudança de seus bilhares e sinucas. Sede própria, adquirida (só o primeiro andar do prédio) em 1975, na gestão de Júlio César de Andrade.

O clube reuniu importantes pessoas da cidade e chegou a formar equipe de futebol com seus sócios, entre os quais Djalma Maranhão, e disputava partidas amistosas em Natal e interiores, onde eram calorosamente recebidos, muita bebida e comida depois das partidas disputadas, em farras que se prolongavam até de manhã. Afora o futebol, o clube tinha equipes que disputavam torneios de pesca, futebol de salão, provas de pedestrianismo, sinuca, bilhar.

Mussolini conta que no começo não havia mensalidades, mas o sócio que faltasse a qualquer sessão da tarde pagaria rodada dupla de café para os presentes. O presidente do clube tinha mandato de uma semana e sua primeira diretoria foi aclamada em solenidade no Theatro Carlos Gomes, hoje Alberto Maranhão, tendo como primeiro presidente o juiz de Direito da Comarca de Baixa Verde, hoje Município de João Câmara, João de Brito Dantas.

Tornou-se reduto da boemia da velha guarda natalense, chegando a ter uma média de cento e vinte sócios. Hoje, mesmo com uma taxa de contribuição mensal de apenas R$ 5,00 e Ivandir Araújo de Lima, o Caixão, na presidência, o clube vive um de seus piores momentos: resiste com apenas dez sócios, que ainda disputam ali partidas em duas desbotadas sinucas gastas, servidos por um bar administrado pelo arrendatário Pedro Alcântara Machado.

Eduardo Alexandre

Eduardo Alexandre

Jornalista, poeta e artista plástico.

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