#FicaDica: 2 livros de autores potiguares para ler

sobre livrarias e bibliotecas

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Livro novo na praça: “Sobre Livrarias & Bibliotecas”, de Marcelo Alves Dias de Souza, numa primorosa edição, fartamente ilustrada (Natal: Livros de Papel; Sebo Vermelho). Informa o autor que não haverá lançamento formal, por causa da pandemia.

Coube-me a honra de escrever o texto para a orelha desse notável trabalho.

Escritor e Procurador Regional da República, integrante do Ministério Público Federal, Marcelo Alves Dias de Souza divide-se entre a Literatura e o Direito. Aliás, talvez seja melhor dizer que, ao invés de dividir-se, ele se multiplica nessas duas vertentes – arte e ciência.

Em seu novo livro, o jovem e já experiente autor, enfeixa crônicas de sua autoria, publicadas no jornal “Tribuna do Norte”, de Natal, no período compreendido entre 2009 e 2019.

Apesar do seu caráter um tanto circunstancial, esses escritos constituem-se em matérias de interesse permanente, merecendo, portanto, a perenidade que lhe confere a publicação em livro.

Ao contrário do que se possa pensar, não se trata de mero catálogo ou simples enumeração de livrarias e bibliotecas célebres, mas, sim de um relato vivo e apaixonante das experiências do autor em seus contatos com o mundo dos livros.

Numa prosa fluente e clara, em tom de conversa entre amigos, não se limita a historiar e descrever livrarias e bibliotecas pelo mundo afora, mas aprofunda-se em reflexões e comentários sobre livros, especialmente os de Literatura e Direito – autores, instituições culturais, etc., revelando conhecimento de autêntico bibliófilo (não colecionador de raridades – entenda-se – mas simples amigo dos livros), e o faz sem ostentar a erudição de que é possuidor.

Atenção especial desperta a linguagem descontraída aliada à leveza de estilo com que se constrói a narrativa. Sirva de exemplo o trecho que transcrevo a seguir, no qual se refere à livraria “Ecume des Pages”, situada em Saint-Germain-des-Prés, Paris, vizinha do famoso Café de Flore e a dois passos do não menos famoso Café Les Deux Magots:

“Com ou sem um livro na mão, pare por ali, escolha um dos três estabelecimentos e sente. Peça um café e veja a rua passar.”

Acho que ninguém mais do que Marcelo Alves Dias de Souza reuniria tantas qualidades para escrever sobre livros, livrarias e bibliotecas do mundo inteiro, porque, além de escritor e leitor contumaz, Marcelo costuma viajar por “Oropa, França e Bahia” sempre que lhe sobra tempo das suas atividades profissionais.

De espírito cosmopolita, mas ligado a sua terra (nasceu e se criou em Natal; tem raízes familiares em Angicos e Umarizal) realiza, com muita inteligência e sensibilidade, o que se convenciona rotular de turismo cultural.

Sem dúvidas, “Sobre Livrarias & Bibliotecas”, vem preencher uma lacuna (com perdões pela expressão lugar-comum), na bibliografia específica, não sendo exagero considera-lo digno de figurar ao lado de um clássico como “Os Livros, Nossos Amigos”, de Eduardo Frieiro. Leia-o, caro leitor, e tire prova do que digo.

História de Mossoró

“Notas e Documentos para a História de Mossoró”, de Câmara Cascudo, é um livro que não deve faltar na estante de todo bom mossoroense.

Publicado em 1955 (Natal: Departamento Estadual de Imprensa”) já se encontra na 5ª edição (Mossoró: Fundação Vingt-un Rosado, 2010).

Segundo Cascudo, a fazenda Santa Luzia, de propriedade do português Antônio de Souza Machado, foi o embrião do povoado do mesmo nome, atual cidade de Mossoró.

“A fixação derredor do arraial avolumar-se-á depois de 1760 e um índice desse adensamento é a construção da capelinha de Santa Luzia em 1772” (págs. 31 e 32 da  1ª ed.). Mas a história não começa aí, “mas em 1701 com a residência dos frades carmelitas na serra do Carmo”. Essa serra, prolongamento da chapada do Apodi, fica a “cerca de 30 quilômetros a leste da cidade de Mossoró”.

Em 1842 cria-se a Freguesia, desmembrada da Freguesia do Apodi. Primeiro vigário colado, o padre Antônio Joaquim, “pastor durante 51 anos”.

A Resolução nº 246, de 15 de março de 1852, elevou a povoação de Santa Luzia de Mossoró à categoria de vila, sede municipal. E esta vai progredindo… Tanto que, em 1870, torna-se a Cidade de Mossoró.

Sucedem-se as administrações municipais, minuciosamente relatadas. A propósito diz o autor: “Creio que é raro encontrar-se presentemente quem tenha lido todas as atas da Câmara Municipal de Mossoró no Império, Conselho da Intendência na República e Câmara de Vereadores, uma por uma, sem saltar. Tenho este título. Conheço-as todas…”

Além desta fonte, refere outras, igualmente valiosas: Coleção do Boletim Bibliográfico (publicação mossoroense), jornais, relatórios de Presidentes da Província e do governo municipal, o “Mossoró” de Vingt- un Rosado e o “Mossoró” de Nestor Lima. E, especialmente, as informações de Francisco Fausto, historiador regional, de quem, aliás, transcreve artigo inédito sobre “a abolição da escravatura em Mossoró”. “Sem Francisco Fausto não é possível avançar-se na história de Mossoró até certo ponto perdida e confusa. Foi um benemérito”. (pág. 214).

Manoel Onofre Jr.

Manoel Onofre Jr.

Desembargador aposentado, pesquisador e escritor. Autor de “Chão dos Simples”, “Ficcionistas Potiguares”, “Contistas Potiguares” e outros livros. Ocupa a cadeira nº 5 da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

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