Aurélio Pinheiro (1882-1938) figura ao lado de Polycarpo Feitosa como precursor do romance na literatura potiguar. Médico, nascido em São José de Mipibu e formado em 1907 pela Faculdade de Medicina da Bahia, exerceu o seu ofício, algum tempo, no interior do Rio Grande do Norte, primeiramente em Macau, onde residiam seus familiares e depois em Areia Branca. Por volta de 1910 foi tentar a vida na Amazônia, fixando residência na cidade de Parintins, e lá viveu longos anos até transferir-se para o Rio de Janeiro, então capital do país. Embora tenha se inspirado, quase sempre, na vida ribeirinha em meio à selva, Aurélio Pinheiro escreveu o romance “Macau”, com o qual se liga às letras do seu Estado de origem.
Havendo falecido em 1938, seu nome caiu em injusto ostracismo, somente voltando a ser reconhecido quando o escritor Américo de Oliveira Costa o escolheu como patrono de sua cadeira na Academia Norte-rio-grandense de Letras e, em seu discurso de posse, lhe fez rasgado elogio (1949).
Muitos anos depois, a professora Maria Aparecida Rego contribuiu, decisivamente, para e reabilitação do romancista, com a publicação do livro de sua autoria, “Entre salinas e maledicências – Uma leitura do romance Macau em contexto de ensino”. (Natal: EDUFRN, 2018). Ao efetuar pesquisas com vistas à feitura deste livro, a autora encontrou, na revista “Carioca”, do Rio de Janeiro, 1938, uma série de perfis escritos por Aurélio Pinheiro sob o título “Os gênios através da medicina”.
Voltaire, Napoleão Bonaparte, Beethoven, Balzac, Chopin, Dostoievski e Nietzshe vistos de modo especial, sob a ótica do médico e escritor. Que doenças os afligiram? Qual a relação destas com a obra de cada um deles?
Aurélio Pinheiro procurou dar respostas a estas e outras questões. Diante de tão interessante achado, professora Aparecida resolveu resgatar os referidos textos, enfeixando-os em um volume a que juntou criterioso ensaio introdutório.
Eis a gênese do livro “Os gênios através da medicina”, ora em vias de publicação. Maria Aparecida de Almeida Rego prestou mais um bom serviço às letras.
1 – Além de “Macau”, Aurélio Pinheiro escreveu “O desterro de Umberto Saraiva” (1926), “Em busca do ouro” (1938) – romances; “Gleba tumultuária”(1927), contos e vários ensaios.
2- Livro resultante da Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL), com a sua área de concentração em Literatura Comparada, vinculada à linha de pesquisa Leitura do Texto Literário e Ensino”, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, defendida em março de 2015, sob a orientação do professor Dr. Humberto Hermenegildo de Araújo.
