cau laru

Grupo que roda o mundo em uma kombi faz show em Natal nesta quarta

Sérgio Vilar28 de maio de 2019Agenda, Música, , Image

Um muro de concreto separando os Estados Unidos do México; brasileiros reclamando da entrada de venezuelanos no país; o Brexit e a Europa que se fecha para a imigração. Esquerda contra direita. Falsas notícias e a verdade. Vida digital e vida real. Quantas divisões existem entre nós e quantas ainda podem surgir?

Pois uma banda viajante formada por quatro brasileiros, duas francesas e uma italiana, que vem rodando o mundo em uma kombi e motorhome desde 2016 desembarca em Natal nesta quarta para show na Una Casa (Rua Cabo de Bacopari, 2113 – Ponta Negra), às 20h. O Čau Laru já passou por mais de 20 países e mais de 10 estados brasileiros e vem aqui apresentar seu segundo álbum, “Fronteiras”.

O Čao Laru (pronuncia-se Tchau Larru) já lançou um disco, “Kombiphonie”, além de um primeiro EP chamado “Čao Laru”, lançado em 2016. No ano passado, a turnê deste álbum no Brasil rendeu no primeiro semestre 40 shows no Brasil e mais 50 na Argentina e no Chile além de 60 apresentações na França e na Suíça no segundo semestre. É natural, portanto, que a partir deste contato com diferentes culturas e fronteiras o tema da diáspora moderna transborde nas letras do novo trabalho.

“É um disco que discutimos temas sociais e políticos dos países em que estivemos, e no qual estão impressas nossa solidariedade, resistência e esperança no ser humano, questionando o tempo inteiro o porquê das fronteiras”, conta Noubar Sarkissan, brasileiro com anos de vivência na França e responsável pelo cavaquinho, violão, acordeom, pandeiro e voz. Marie Tissier (violoncelo e voz), Nicolle Bello (voz), Felipe Trez (bateria), Ana Brandão (dança) Fábio Pádua (flauta, clarinete, violão e bandolim) e Pedro Destro (baixo elétrico) completam a formação.

Composições

Noubar assina a composição de “Teu Dólar Não Vale Mais”, lançado como single em dezembro e que conta com participação de Juliana Strassacapa, da Francisco El Hombre. Durante uma turnê pelo México, a banda demorou horas para encontrar uma “praia pública” que não estivesse dominada pelos resorts. Exemplo de como a vivência itinerante está intimamente ligada aos impulsos criativos da banda, a canção desenha um cenário onde um garoto quer apenas nadar, mas não pode. “Como faz pra entrar na praia privada norte-americana? / a grana afana o que é belo e bota na vitrine”, diz a letra.

A divisa entre quem somos na infância e quem nos tornamos quando adultos é o foco de “Ames d’enfants”, composta pela francesa Laura Aubrey.. As diferenças políticas – e as semelhanças trágicas – aparecem em “Marielle e Santiago Presentes”, que evoca os assassinatos da deputada carioca e do ativista argentino Santiago Maldonado. Já “Passaporte Passarinho” compara os fluxos humanos migratórios da África para a Europa com o movimento de travessia das andorinhas que, anualmente, cruzam o Mediterrâneo livremente.

Fronteiras

Musicalmente, “Fronteiras” mostra o grupo experimentando novos territórios. As referências brasileiras e francesas de “Kombiphonie” (chacareca, afoxé, samba, o baião e a valsa francesa ), ganham a companhia de ritmos do leste europeu, hip hop e milonga. Estão ali polifonias vocais, combinação entre instrumentos acústicos e elétricos e arranjos que quebram as divisões imaginárias entre gêneros musicais, mas novas texturas – frutos da produção assinada por Felipe Trez, baterista da trupe.

“Acho que esse disco registra uma maturidade musical da banda que, após quase três anos na estrada, não para de se transformar e de absorver influências dos artistas, paisagens e demais personagens dos lugares por onde passamos. Incorporamos o baixo elétrico e a bateria às performances ao vivo e levamos essa dinâmica para o estúdio. Sinto que ampliamos as possibilidades sonoras do grupo”.

Era exatamente o que Felipe Trez desejava quando topou produzir o disco de sua própria banda. “Eu queria manter nossas inspirações na música brasileira, francesa, do leste europeu e dos balcãs, e adicionar elementos de jazz, pop e do rock”, conta o produtor. Para Trez, esse disco marca uma “eletrificação” da banda. “Ganhamos uma potência que o formato acústico, ao qual estávamos acostumados, não tem. Fui em busca de uma paleta de cores amplificada”.


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Sobre o autor

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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