Premiada peça A Mulher Monstro estará em cartaz em Natal nesta sexta e sábado

Após receber o Prêmio de Melhor Monólogo do Teatro Nacional, o polêmico espetáculo A Mulher Monstro estará em cartaz no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel nesta sexta e sábado, sempre às 19h. A tragicomédia fala do preconceito, trata a atualidade político-social do Brasil através da figura de uma burguesa perseguida pela própria visão intolerante da sociedade, sem saber lidar com a solidão e as relações num tempo de ódio e corrupção vistos sem vergonha.

Os famosos “prints” das redes sociais foram partida para a construção do texto, uma colagem de falas reais de figuras públicas e de anônimos, atualizando o conto “Creme de Alface” do renomado escritor gaúcho Caio Fernando Abreu. A peça aborda as barbáries sempre lidas e ouvidas de forma tão escancarada no dia a dia e, agora, acentuadas nos últimos tempos não só na internet.

A criação do espetáculo começou em 2015, na efervescente crise política, financeira, ética e moral do país e estreou em 2016. Inspirado nas suas memórias da “Mulher Monga” dos parques e circos nordestinos, José Neto Barbosa aborda a intolerância, decorrente da discriminação vista e sentida no convívio social.

DITADURAS DE CADA ÉPOCA

O conto de Caio F. foi escrito em plena ditadura militar, mas só publicado em 1995. Antes de falecer, ele declarou: “O que me aterroriza neste conto de 1975 é a sua atualidade. Com a censura da época, seria impossível publicá-lo. Depois, cada vez que o relia, acabava por rejeitá-lo com um arrepio de repulsa pela sua absoluta violência. Assim, durante vinte anos, escondi até de mim mesmo a personagem dessa mulhermonstro fabricada pelas grandes cidades. Não é exatamente uma boa sensação, hoje, perceber que as cidades ficaram ainda piores, e pessoas assim ainda mais comuns.”

José Neto, que pela primeira vez dirige o próprio espetáculo, confessa: “Resolvi fazer da minha arte militância. Vivemos um momento de intolerância muito grande, onde ferir o outro não é vergonhoso, muito pelo contrário, é aceitável socialmente. É um tempo delicado em que monstros estão todos soltos. Se de 75 para 95 Caio F. percebeu que a sociedade estava mais intolerante, hoje, pouco mais dos quarenta anos da criação desse conto inspirador, vemos que nesse tempo de tentativas da redemocratização brasileira pouco avançamos com relação à intolerância e o preconceito. É um dos maiores desafios da minha trajetória no teatro.”

PEÇA PREMIADA

A peça foi premiada como Melhor Monólogo do Teatro Nacional 2017 pela Academia de Artes no Teatro do Brasil/Prêmio Cenym, onde em 2015 José Neto também venceu a categoria Melhor Ator com o solo “Borderline”. Nas duas edições, concorreu com nomes como Ary Fontoura, Álamo Facó, Marcos Veras, Marcos Caruso, entre outros.

Em 2017, “A Mulher Monstro” também foi destaque em um dos maiores festivais da América Latina, o Festival de Curitiba. Já passou por relevantes mostras/festivais nacionais e internacionais, com sucesso de público e crítica, recebendo prêmios e indicações em diversas cidades brasileiras: Recife/PE, João Pessoa/PB, São Paulo/SP, Curitiba/PR, Trindade/PE, Natal/RN, Ponta Grossa/PR e Mossoró/RN. E agora segue para longa temporada no Rio de Janeiro/RJ. A circulação nacional também terá passagem por Porto Alegre/RS.

S.E.M. CIA DE TEATRO

A S.E.M. Cia de Teatro (Sentimento, Estéticas e Movimento) foi fundada em 2012 no RN, hoje tem sede no Recife. Surgiu com a necessidade do artista José Neto Barbosa oficializar seus estudos e suas experiências. Hoje a Cia. também conta com os integrantes Sergio Gurgel Filho (potiguar, iluminador, preparador cênico, diretor, bailarino e ator há 13 anos), Diógenes Luiz (paulista, também radicado em Nova York/EUA, drag queen, maquiador, cineasta e sonoplasta) e com Mylena Sousa (norueguesa, cineasta, diretora, fotógrafa e sonoplasta).

JOSÉ NETO BARBOSA

José Neto é potiguar. Artista há 15 anos. É o atual Assessor de Teatro e Ópera do Governo de Pernambuco. Soma 08 prêmios de Melhor Ator entre festivais de cinema e teatro, fora menções honrosas e indicações. Além de interprete das artes cênicas, também diretor, arte educador e produtor. Fez campanhas publicitárias de vídeo no RN e em Pernambuco, e recentemente protagonizará campanha nacional e internacional de grande brasileira. Tem participações em filmes (longas, curtas locais e projetos piloto de seriados nacionais). Trabalha pelo país como curador/júri convidado de festivais teatrais, e como professor de atuação.

INGRESSOS

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SERVIÇO:

A Mulher Monstro

Dias 26 e 27 de outubro de 2018
Domingo às 19h
Teatro de Cultura Popular (R. Jundiaí, Tirol)
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: aproximadamente 70 minutos.


FOTO: Mylena Sousa

About The Author: Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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