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#FicaDica – A lição deixada pela docussérie Making a Murderer

Making a Murderer conta a surpreendente história de Steven Avery, um jovem arruaceiro que cometeu pequenos roubos e herdou ainda o sobrenome de uma família marginalizada pela sociedade do pequeno condado de Manitowoc, no interior do estado de Winsconsin. Os Avery, além de pobres, donos de um ferro-velho que margeia a cidade, eram reclusos e de hábitos distintos da população.

Alerta: contém spoilers que não influenciam na sugestão para você assistir esta excelente série!

Com a fama de contravenções (roubo de sanduíches e morte de um gato, além de agressões entre membros da própria família), Avery é acusado, em 1985, de um crime totalmente fora do seu perfil de até então: um violento estupro a uma figura proeminente da sociedade Manitowoquense. A descrição da vítima batia com as características físicas de Steven Avery. E a polícia não teve dúvida em prendê-lo, sem maiores investigações.

Steven passou 18 anos na prisão. Poderia ganhar a condicional em 10, mas se recusou a admitir o crime. Somente em 2003 foi realizado novo exame de DNA a partir de material recolhido á época e se descobriu o verdadeiro criminoso, que nesse ínterim cometeu outros dois estupros. Inocentado, Avery a ação movida por ele contra o Estado previa 36 milhões de indenização.

Claro, o pequeno Estado ou mesmo os oficiais responsáveis pela prisão errônea não queriam pagar essa fortuna. E logo Steven foi acusado e preso de um homicídio doloso, desta vez, com prisão perpétua sem direito à condicional. A mídia relata o fato de forma destruidora. Parecia o fim do que restava de reputação de Steven.

A partir daí a série se torna ainda mais interessante. A coleção de contraprovas que os dois advogados de Steven consegue para anular a sentença parece indiferente aos olhos da Justiça. Era uma briga judicial entre o poder do Estado e o cidadão pobre. Entre a mídia e os fatos. E a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

A docussérie é dividida em duas partes. A primeira com 10 capítulos aborda o período dos 18 anos de Steven na prisão, a soltura após 18 anos, a segunda condenação e a tentativa dos advogados em anular a sentença. A segunda parte mostra uma advogada que assume o caso para tentar novo julgamento. E paro por aqui.

É uma série que nos traz inúmeras lições a respeito da barbárie humana, do poder estatal, da influência midiática sobre a visão das pessoas. E se o noticiário destroçou a reputação de Steven, de seu sobrinho e da família, Making a Murderer mostra o papel de uma mídia bem trabalhada. A docussérie foi lançada ainda durante o julgamento e reacendeu o caso após uma revolta de âmbito mundial.

Mas muito mais que tudo isso, Making a Murderer trata sobre limites do ser humano. Seja na crueldade ou no sofrimento.

É isso. Está disponível na Netflix. #FicaDica

Sobre o autor

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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