Ruben G Nunes, o cronikero maior vencedor de concursos literários no RN

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Li o nome ‘Ruben G Nunes‘ pela primeira vez em uma discussão de cunho político-filosófico com o também intelectual François Silvestre. São poucos os atrevidos a discutirem com François. E Ruben elevou a dialética em alto nível, sem desrespeito e com muita argumentação. Como eu disse à época, era “briga de cachorro grande”.

Mas muito além do resultado daquela discussão, me chamou atenção a linguagem personificada, o espírito leve para assuntos tão pesados. E me fiz a mesma pergunta que François: “Quem é você?”. Morava em Natal? Era filósofo ou escritor? De certo não figurava nas listas de intelectuais, de imortais da nossa Academia de Letras ou da panela literária potiguar.

Só depois descobri: Ruben era um desfilósofo, desses que revira a filosofia para buscar outras filosofias. E nunca gostou do rótulo de escritor, mas tão somente um “cronikero”, que desfia as banalidades da vida, mistura às dores cotidianas, coloca um tempero da desfilosofia, mexe/remexe a etimologia das palavras e transforma em texto.

E com essa mesma sopa, quem se intitula apenas cronikero é o maior vencedor de concursos literários em terras potiguares. Premiações vêm desde os anos 70 e uma penca de livros publicados e igualmente premiados na década seguinte. Só do Concurso Câmara Cascudo, o maior do Estado, foi agraciado quatro vezes. E assim permanece anos adentro.

Talvez como ex-oficial da Marinha, este carioca radicado (ou radical?) em Natal desde 1960 carregue em sua prosa textual ou falada, o lirismo dos mares, dos saudosismos; uma alma de cais. Talvez como professor de filosofia aposentado, inclua a mãe das ciências em sua rotina. Talvez como pós-doutor em Metafísica procure o fundamento de cada coisa, os segredos mais “segredáveis” da vida.

E o privilégio de tê-lo como colunista deste blog foi obra do meu ex-professor de universidade, o colega Francisco Duarte. Entre conversas sobre jornalismo em pleno supermercado, falei do projeto do Papo Cultura e ele me sugeriu o nome de Ruben. Descobri seu email e convidei o tal a colaborar com o blog. Um dos seus primeiros textos, sobre o “Alecrim total” é uma pérola para imprimir e guardar. Hoje são quase 30 croniketas da burakera disponíveis para o leitor ler/reler.

Em resumo, Rubão é foda. O leitor Tércio que o diga. Ele enviou comentário sobre a última croniketa publicada aqui, intitulada ‘Que solidões cascaviam o amor n’outonoinverno?‘. Tercio também descobriu Ruben pelo viés do professor Duarte. Segue abaixo seu comentário:

“Caro Rubão: Sempre me surpreendo com suas Kroniketas da Burakera. Me esforço em entende-las. No meu apedeutismo, leio e releio os trechos mais abstratos e rebuscados. Paro, mudo de página e volto na esperança de um “claro” de compreensão para degustá-la. Sim, degustá-la pois assim o “vejo”: Escrevendo-a e solvendodegustando o puro malte. Abro uma cerveja de trigo. Ela me clareia o entendimento e ceifa, em parte, o apedeutismo reinante no meu ser. Me deparo com essa formidável verdade expressa pelo seu “colega” Rilke, um sábio na arte do melindroso amor a dois. Arretado! Puxa, que pensador porreta.

Rubão: Leio, releio, ponho o “caso” em mim. Veste-me como uma luva. Tomo a 2a. garrafa para concluir: Você é um grande sujeito. Sou muito grato a Duarte por ter me dado a oportunidade de conhecê-lo e, ainda mais, merecer seu carinho e seus escritos.

Aceite meu abraço neste início de mês tão significativo.”

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Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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1 Comment

  • […] Enfim, refletimos sempre sobre essa questão, para tentar compreender porque determinados trabalhos literários, dos mais variados gêneros e autores, produzidos aqui no Estado, não conseguem ultrapassar a barreira cruel desse muro imaginário. Dentre inúmeros casos que já citamos, temos mais um: o livro ‘Gestos Mecânicos’, publicado em 1983, pelo escritor Ruben G Nunes. […]

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