Montagem do Coletivo Olhos propõe uma experiência teatral que mobiliza sons, aromas, texturas e memórias. Sessões acontecem às 16h e às 19h, no Teatro Jesiel Figueiredo, na UFRN
Como contar uma história sem recorrer às imagens? O espetáculo multissensorial “Saudade”, do Coletivo Olhos, parte dessa provocação para convidar o público a experimentar o teatro por outros caminhos sensoriais. Nesta quarta-feira, 21 de outubro, a montagem realiza duas apresentações gratuitas em Natal, às 16h e às 19h, no Teatro Jesiel Figueiredo, localizado no Departamento de Artes da UFRN. As sessões integram um projeto de circulação que também leva o espetáculo a municípios da Região Metropolitana e do interior do estado.
Com direção artística de Kely Araújo, “Saudade” apresenta uma dramaturgia original inspirada nas lembranças da infância e nos afetos construídos entre um neto e seu avô marinheiro. A narrativa evoca paisagens da praia da Redinha, pescarias a bordo do barco Maria e memórias que atravessam gerações. Durante a apresentação, o público utiliza vendas nos olhos e acompanha a história por meio de estímulos sonoros, olfativos, táteis e gustativos, construindo mentalmente as cenas a partir das próprias sensações e lembranças.
Para o professor Jefferson Fernandes, coordenador pedagógico do projeto de extensão “O que os Olhos Não Veem”, a experiência dialoga com a maneira como cada pessoa reconstrói suas memórias. “O espetáculo Saudade estimula justamente isso: que as pessoas acionem suas próprias lembranças para montar o espetáculo em suas respectivas mentes”, afirma. A proposta transforma o espectador em participante ativo da narrativa, que ganha imagens e significados particulares na imaginação de cada pessoa.
A montagem também questiona a centralidade da visão na experiência teatral. “A gente convida o público a observar e sentir de outra forma”, destaca Kely Araújo. Para a diretora artística, o espetáculo busca romper com a compreensão de que o teatro depende necessariamente da visualidade, explorando outros caminhos estéticos e sensoriais para aproximar o público da obra.
“Saudade” é desenvolvido no âmbito do projeto de extensão “O que os Olhos Não Veem”, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), por meio do Centro de Educação e do Departamento de Práticas Educacionais e Currículo. O projeto é uma produção da Receia Acessibilidade e da Curumim Arte e Cultura e articula criação artística, acessibilidade e formação de público.
A acessibilidade integra a própria concepção da montagem, que conta com audiodescrição incorporada à narrativa e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), realizada por uma integrante do elenco. Para o público surdo e ensurdecido, a experiência acontece sem o uso de vendas, em uma área específica da plateia, com iluminação direcionada à intérprete.
Além das apresentações na capital, a circulação busca ampliar o acesso ao teatro em municípios da Região Metropolitana e do interior do Rio Grande do Norte, com atenção especial às escolas públicas. Após as sessões, bate-papos mediados entre a equipe artística e os espectadores promovem o diálogo sobre o processo criativo, a experiência multissensorial e a importância da acessibilidade nas artes cênicas.
Aprovado na Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, no Rio Grande do Norte, o projeto reafirma o compromisso com a democratização do acesso à cultura e com a valorização de práticas artísticas inclusivas. Ao propor outras formas de perceber e imaginar uma história, “Saudade” convida o público a refletir sobre memória, afeto e diversidade, mostrando que a experiência teatral pode ser construída para além do olhar.
SERVIÇO
Espetáculo: Saudade — Coletivo Olhos
Data: quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Horários: 16h e 19h
Local: Teatro Jesiel Figueiredo — Departamento de Artes da UFRN, Natal/RN
Entrada: gratuita
Acessibilidade: audiodescrição integrada à encenação e interpretação em Libras.
Produção: Receia Acessibilidade e Curumim Arte e Cultura.
Realização: Fundação José Augusto, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal.
