a árvore da vida

10 filmes que você precisa conhecer no streaming do Telecine

Assistir a bons filmes quase sempre é uma boa pedida. Mas o que são bons filmes? Toda crítica de arte é subjetiva, depende muito mais da experiência do que de um conhecimento irrefutável. Não adianta, por essa perspectiva, buscarmos criar uma lista unânime. É impossível. Seja ela de um, cinco, 10, 100 filmes… nenhuma lista será exata.

A ideia das nossas listas, então, é a indicação. Assim, enquanto alguns serviços de streaming excluem filmes mais antigos e dão preferência às suas próprias produções e a um catálogo recheados de obras recentes, outros têm disponíveis filmes que marcaram época, influenciaram gerações e acabaram por se tornar moldes justamente para quase tudo o que é realizado depois deles.

Felizmente, o catálogo do streaming do Telecine tem algumas obras atemporais, dessas que entram em nove de cada 10 listas de melhores de todos os tempos. Ao mesmo tempo, outras plataformas estão começando a abrir as portas para esses filmes e, ainda, existem as menos conhecidas, que são recheadas de tudo o que o cinema produziu de melhor durante o século XX.

Mesmo assim, dito tudo isso, os filmes citados e brevemente resenhados mais abaixo servem como indicações para quem não os assistiu ou para quem gostaria de reassisti-los. Sem mais demora, vamos à lista de 10 filmes que você precisa conhecer disponíveis no streaming do Telecine.

10. 2001: Uma Odisseia no Espaço

Indicar este que, talvez, seja uma das maiores obras-primas do cinema é mais fácil do que escrever sobre ele. Enquanto escrevia a crítica sobre 2001: Uma Odisseia no Espaço, o filme foi crescendo mais e mais – e eu não imaginava que havia espaço para isso.

A sinopse oficial simples (bem simplificada mesmo) diz: “Depois de descobrir um artefato misterioso enterrado sob a superfície lunar, a humanidade parte em uma busca de suas origens com a ajuda do supercomputador HAL”.

9. A Árvore da Vida

Pensar a obra de Terrence Malick (do mais recente Uma Vida Oculta, 2019) talvez seja tão complexo quanto alguns dos seus filmes. Um título como A Árvore da Vida pode ter a força de uma obra-prima a ponto de receber comparações com 2001: Uma Odisseia no Espaço e ser listado por Roger Ebert entre os 10 melhores filmes já realizados (junto com o de Kubrick). Por outro lado, ele pode cair em um buraco negro de desacordos e encontrar, inclusive, quem os credite como herméticos, pretensiosos e até chatos.

8. Central do Brasil

A jornada de Dora (ou Isadora, interpretada por Fernanda Montenegro), que escreve cartas para analfabetos, e Josué (Vinícius de Oliveira), um menino cuja mãe acabou de morrer, é das realizações mais bonitas do cinema brasileiro. Enquanto procuram pelo pai que Josué nunca conheceu, a dupla acaba passando por descobertas e situações das mais sensíveis e descobrindo a própria humanidade necessária para permanecerem de pé.

7. Clube dos Cinco

Cinco estudantes são punidos e acabam precisando estar na detenção da escola, no sábado. A partir de então, eles começam a descobrir que têm muito mais em comum do que pensavam.

A premissa pode parecer simples. E é. Mas a questão é que o roteiro e a direção de John Hughes (do já clássico Curtindo a Vida Adoidado) trabalha em cima dessa simplicidade para tornar as relações e os acontecimentos os mais naturais e identificáveis possíveis. Clube dos Cinco, assim, foi como um filme de cabeceira da segunda metade dos anos 1980 ao final dos anos 1990, quando passava repetidamente na TV.

Clube dos Cinco é um filme leve, mas com uma carga emocional dinâmica e realizado com muita competência.

6. Metrópolis

A mãe e o pai das ficções científicas. O filme traz uma cidade futurista fortemente dividida entre a classe trabalhadora e os planejadores da cidade, além de uma profecia que prediz a vinda de um salvador para mediar as diferenças que é entrecortada por uma paixão.

Metrópolis é uma das maiores obras-primas da história do cinema, influenciando a ficção científica para sempre e elevando o cinema mudo ao seu máximo. Fritz Lang, diretor do filme, ainda tem Os Conquistadores (que não é da era do cinema mudo) no catálogo do streaming do Telecine.

5. Faça a Coisa Certa

Em 1989, Faça a Coisa Certa recebeu os prêmios maiores das associações de críticos de cinema de Los Angeles e de Chicago, duas das mais importantes dos EUA. Também esteve perto dos mesmos prêmios por diversas entidades ao redor do seu país e do mundo. Mas, nas premiações mais populares, como Globo de Ouro, Oscar e Cannes, o filme saiu de mãos abanando. Parece que não era o momento para ele nem para Spike Lee (seu diretor). Um filme-denúncia forte, no ano em que a Guerra Fria chegaria ao fim… talvez fosse um filme impactante demais com sua realidade irônica. Aquele era um ano mais blasé, bem propício para um filme como Conduzindo Miss Daisy.

Faça a Coisa Certa conduz o espectador pelo dia mais quente do ano em uma rua do Brooklyn. Ali, o ódio e o fanatismo ardem e aumentam até explodirem em violência. O filme de Lee permanece atual e, talvez, a melhor definição curta e direta que eu li sobre o título seja o comentário de um leitor na crítica sobre Infiltrado na Klan (também de Lee e também no catálogo). Ele disse: “Comecei a gostar de cinema com Faça a Coisa Certa.”

4. Nós

Completamente desprezado pela Academia nas indicações para o Oscar 2020, especialmente a atuação de Lupita Nyong’o, Nós (de Jordan Peele, 2019) é construído sob a luz da realidade, e é nessa luz que está o seu maior terror. De qualquer forma, sua camada mais superficial, a da fantasia, é desenhada com um cuidado meticuloso. Essa junção tem força para dar a impressão (pretensiosa e acertada ao mesmo tempo) de que seu criador tenta agradar a gregos e troianos. Mas, afinal, o filme consegue ser sobre nós e sobre “eles”… e é assustador o que está no subterrâneo das entrelinhas: o fato de que, socialmente, sempre há espaço para que sejamos eles e o “nós” sejam outros.

3. Psicose

Apesar da história aparentemente simplória, de uma mulher que se refugia em um motel um tanto quanto esquecido, Psicose é um filme que influenciaria para sempre o cinema. Com um dos maiores clímaces do filme acontecendo muito distante do desfecho final, Hitchcock criou um suspense como somente ele conseguiria.

Com planos-detalhes certeiros, ritmo condizente, trilha sonora imortalizada do gênio Bernard Herrmann e, pelo menos, uma cena entre as mais icônicas da história (o citado clímax), o filme ainda influenciaria gerações (e continua influenciando). Pode-se dizer que existe um suspense antes e outro depois de Psicose.

2. Quando Duas Mulheres Pecam

A sinopse mais simples e imprudente diria que o filme trata de uma enfermeira encarregada de cuidar de uma atriz muda e, aos poucos, descobre que suas personalidades estão se fundindo. A verdade é que é quase impossível criar um resumo desse que é considerado por muitos o melhor filme do gênio sueco Ingmar Bermann.

O título original (Persona) é, inclusive, muito mais apropriado do que a versão brasileira que, se não é um spoiler enorme, acaba por ser uma tentativa (totalmente infeliz) de explicar o trabalho realizado por Bergman nessa obra-prima.

1. Os Renegados

Agnès Varda é uma das profissionais do cinema que conseguiram permanecer no limiar entre o documentário e a ficção. Seu talento inquestionável lapidou algumas obras-primas durante a sua carreira, que foi de 1955 a 2019 (quando faleceu aos 90 anos de idade). Os Renegados é uma dessas em que o tom investigativo, com flashbacks e entrevistas, pode remeter a um teor documental. Essa mistura, dirigida tão bem por Varda, torna a história tão próxima do espectador que tudo passa a ter um interesse quase pessoal nas sucessivas revelações.

Na história, o corpo de uma jovem é encontrado congelado em uma vala. Os citados flashbacks e as entrevistas vão revelando tudo o que precedeu essa morte e a tornou inevitável.

É verdade que no catálogo do streaming do Telecine podem existir filmes melhores. Por exemplo, Um Corpo que Cai, de Hitchcock, poderia estar no lugar de PsicoseO Sétimo Selo, de Bergman, no lugar de Quando Duas Mulheres Pecam… a questão é que definir os melhores é uma questão subjetiva. A lista de 10 de hoje pode ser bem diferente de uma que venha a ser feita amanhã. Na verdade, poderiam ser feitas mais duas, três, quatro ou cinco lista de 10 sem repetir um filme sequer. Nesse sentido, qualquer lista não deve ser levada como um parâmetro exato. Cinema é arte e a arte nunca é exata.

Este texto foi originalmente publicado no Canaltech

Sobre o autor

Sihan Felix

Sihan Felix é crítico de cinema desde 2008, sendo membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) e cofundador e integrante da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Norte (ACCiRN). Felix escreve para importantes mídias brasileiras, participa como jurado e palestrante em festivais dentro e fora do país, foi crítico de uma das maiores distribuidoras nacionais de clássicos e é contista. Além disso, quer comer gorgonzola sempre, mas a vida de professor de cinema e música o impede de ter muito contato.

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