10 filmes de ficção científica excelentes para assistir no streaming do Telecine

As expectativas raramente são benéficas quando se trata de cinema. Há sempre que se deixar levar por uma obra para que ela tenha a oportunidade de provar seu valor. O cinema de gênero vem exatamente ao encontro das expectativas, abraçando-as com carinho. Isso porque o funcionamento interno de um filme que venha a se encaixar nessa definição é uma leitura específica do seu gênero. Tais filmes criam suas próprias galáxias, mas sempre dentro de um universo corajoso, este que enfrenta as expectativas.

Pensando nisso, preparamos uma lista com alguns dos melhores filmes de ficção científica disponíveis no streaming do Telecine. A ideia é que a lista funcione para muitos gostos diferentes, tanto para assistir quanto para reassistir. Os filmes citados e brevemente resenhados mais abaixo são somente indicações. Porque toda a apreciação depende de questões subjetivas do imaginário e, claro, do gosto pessoal (até por isso a lista é bem diversa).

Sem mais demora e, como sempre, dentro de uma abordagem sem verdades absolutas, vamos à lista de 10 dos melhores filmes de ficção científica disponíveis no streaming do Telecine (em ordem alfabética e desconsiderando os artigos):

10. 2001: Uma Odisseia no Espaço

Entrou na lista de filmes cults e não poderia deixar de entrar nesta. 2001: Uma Odisseia no Espaço influenciou praticamente tudo do gênero que veio na sequência. Então, indicar o filme que, talvez, seja uma das maiores obras-primas do cinema é mais fácil do que escrever sobre ele.

A sinopse oficial simples (bem simplificada mesmo) diz: “Depois de descobrir um artefato misterioso enterrado sob a superfície lunar, a humanidade parte em uma busca de suas origens com a ajuda do supercomputador HAL”.

9. Aeon Flux

Aeon Flux pode não ser um filmaço, mas talvez precise de uma apreciação um tanto quanto descompromissada para embarcar na história de uma assassina misteriosa (interpretada por Charlize Theron) que trabalha para um grupo de rebeldes que tenta derrubar o governo. Pode ter uma avaliação bem negativa da crítica especializada em geral, mas, por outro lado, tem algum potencial para divertir e ser redescoberto.

Entrou na lista a título de curiosidade… e é um filme bem curioso – para o próprio bem ou para próprio mal.

8. Bumblebee

Bumblebee é, sem dúvida alguma, um filme de roteiro simples, talvez requentado e até clichê, mas cheio de intenções sinceras, que se posiciona a léguas de distância dos cinco que fizeram a pentalogia antecessora – especialmente em seus propósitos. A proporção é a mesma às vezes, mas invertida: se em Transformers (2007) e em Transformers: A Vingança dos Derrotados (2009) Michael Bay (de Esquadrão 6, 2019) explora o corpo de Megan Fox (e nos seguintes os de Rosie Huntington-Whiteley e Nicola Peltz), aqui a direção de Travis Knight parece responder, recobrindo Hailee Steinfeld com um respeito absoluto.

Entrou na lista porque Bumblebee (o robô) é a dama de honra de um blockbuster que traz a década de 1980 para bem perto do público, mas que entende o seu tempo, a sua voz e que é a sua vez.

7. Dredd: O Juiz do Apocalipse

Confiante, libertina, ultraviolenta e com atitude (muita!), a direção de Pete Travis sabia que a sua fonte não foi escrita para crianças (apesar de algumas lerem) e, portanto, criou um filme para quem consegue enfrentar alguns instantes brutais. Uma história de crise, decadência, tribos, rituais, sangue e verdade.

A história é centrada em uma cidade futurista distópica onde a polícia tem autoridade para agir como juiz, júri e carrasco. E é uma readaptação: o primeiro filme, protagonizado por Sylvester Stallone (também no streaming do Telecine com o título nacional O Juiz) passou bem morno por público e crítica, talvez pela necessidade de Stallone mostrar o rosto. Mas aqui, em Dredd (no original e como está no catálogo), é tudo isso sem precisar tirar o capacete. E é insano.

6. Os Invasores de Corpos

Um clássico da ficção científica direto da década de 1970, Os Invasores de Corpos tem como protagonista Donald Sutherland e conta ainda com o até hoje quase onipresente em filmes do gênero Jeff Goldblum. Na história, várias pessoas começam a agir estranho, a ponto de Matthew Bennell (Sutherland) chegar a conclusões surreais. A direção é de Philip Kaufman, que, mais tarde, dirigiria o excelente A Insustentável Leveza do Ser (de 1988).

5. Lucy

A atuação de Scarlett Johansson, os efeitos visuais e as cenas de ação são, de fato, pontos fortes de Lucy. Mas, apesar de o filme ter recebido críticas às vezes bem pesadas sobre suas inverdades, a questão é que, no final das contas, trata-se de um filme. Como tal, Luc Besson (de O Quinto Elemento, de 1997), que escreveu e dirigiu, usou toda a sua liberdade para criar um universo possível enquanto cinema, independente de fatos da realidade. O universo próprio de Lucy, a construção de Besson para que o conjunto funcione e a utilização da ciência muito mais como um suporte para a ficção do que como uma aliada de peso igual, faz do filme algo único, autoral.

A sinopse diz: Ameaçada, Lucy (Scarlett Johansson) aceita trabalhar como mula para a máfia chinesa, transportando drogas dentro do seu estômago. Mas, quando o seu corpo acaba absorvendo as drogas, ela ganha poderes sobre-humanos, incluindo a telecinesia, a ausência de dor e a capacidade de adquirir conhecimento infinito.

4. Matrix

Provavelmente, é o filme com mais fãs fervorosos da lista. Matrix vale assistir independente do gosto pelo gênero. E reassistir também é algo que, a cada vez, tem poder de fazer novas revelações. A trama segue Neo (Keanu Reaves) um homem que aprende com rebeldes misteriosos sobre a verdadeira natureza de sua realidade e seu papel na guerra contra seus controladores. Mas nenhuma sinopse, curta ou longa, substitui a experiência de assistir ao filme. Um filmaço de um ano que marcou o cinema para sempre.

3. Metrópolis

Entrou como bônus mudo na lista de filmes cults, mas não poderia deixar de estar aqui, sendo a mãe e o pai das ficções científicas.

Em uma cidade futurista fortemente dividida entre a classe trabalhadora e os planejadores da cidade, uma profecia que prediz a vinda de um salvador para mediar as diferenças é entrecortada por uma paixão.

Metrópolis é uma das maiores obras-primas da história do cinema, influenciando a ficção científica para sempre e elevando o cinema mudo ao seu máximo. Fritz Lang, diretor do filme, ainda tem Os Conquistadores (que não é da era do cinema mudo) no catálogo do streaming do Telecine.

2. Poder Sem Limites

Três amigos ganham superpoderes após fazer uma descoberta incrível no subsolo. Logo, suas vidas passam a estar fora de controle e, aos poucos, despertam lados sombrios da existência.

Produzido como um falso documentário, o filme de John Trank é uma fábula que flerta com o terror sobre amizade e destino e sobre a influência das nossas decisões tanto para um mundo particular quanto para todos que nos cercam.

Poder sem Limites ainda conta com Michael B. Jordan (o Erik Killmonger de Pantera Negra) sendo apresentado em grande escala como um dos protagonistas do filme.

1. RoboCop: O Policial do Futuro

A versão mais recente dirigida pelo brasileiro José Padilha (que também consta no catálogo do streaming do Telecine) até consegue trazer algum frescor à história, mas, perto desse clássico da ação e ficção científica capitaneado por Paul Verhoeven, tudo pode parecer sem peso.

No futuro, a cidade de Detroit é dominada pelo crime. Quando Murphy, o melhor policial da corporação, é assassinado, ele é revivido e transformado em uma mistura de máquina e homem a serviço da justiça: o RoboCop.

Agora, ficam aí os comentários para que, em um momento tão delicado, possamos trocar indicações e ir criando uma corrente de filmes cada vez maior. Tenho certeza que vocês podem complementar e enriquecer tudo. Vamos conversando, debatendo…


Este texto foi publicado originalmente no Canaltech

Sobre o autor

Sihan Felix

Sihan Felix é crítico de cinema desde 2008, sendo membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) e cofundador e integrante da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Norte (ACCiRN). Felix escreve para importantes mídias brasileiras, participa como jurado e palestrante em festivais dentro e fora do país, foi crítico de uma das maiores distribuidoras nacionais de clássicos e é contista. Além disso, quer comer gorgonzola sempre, mas a vida de professor de cinema e música o impede de ter muito contato.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *