Em cada tela, um picadeiro: obra de Assis Marinho ganha luz na Pinacoteca

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Exposição Hoje Tem Espetáculo estreia neste sábado (28) em homenagem ao artista e sua trajetória, com obras inéditas e de acervo divididas em seis atos poéticos

A Pinacoteca Potiguar abre suas portas para uma exposição que é, ao mesmo tempo, celebração artística e gesto de cuidado. Com curadoria de Manoel Onofre Neto, a mostra Hoje Tem Espetáculo – O Universo Poético de Assis Marinho estreia neste sábado (28) para reverenciar o artista plástico nascido na Paraíba e abraçado pelo Rio Grande do Norte.

Autodidata, Assis Marinho construiu uma linguagem própria a partir da infância e adolescência entre as paisagens e asperezas do Seridó potiguar. Com traços sintéticos, paleta contida e grande intensidade emocional, sua produção é atravessada por memórias do sertão, fé popular, arte circense e os reflexos de uma biografia marcada por perdas profundas.

“Esta exposição é um convite para adentrar um universo singular, onde a arte nasce da experiência crua, da simplicidade que desvela complexidades e da beleza que brota da dor”,  afirma Manoel Onofre Neto no texto curatorial. “Assis não pinta à distância, ele se projeta em cada obra, emprestando sua pele e sua alma a personagens que espelham sua trajetória”, reflete. 

A mostra é fruto de iniciativa conjunta que reafirma o papel social da arte em acolher, registrar e transformar vidas; e tem assinatura de André Barros na identidade Visual e expografia do projeto.

Com apoio do Sebrae-RN, do advogado Robson Maia Lins, do Governo do Estado por meio da Secretaria de Cultura, Fundação José Augusto, Pinacoteca Potiguar/Palácio Potengi e Conselho Estadual de Cultura do RN, a exposição fica em cartaz até 30 de março, também com apoio de Quadros Rios e Cuidados Assistenciais Lar Geriátrico.

Um espetáculo em seis atos

Entre peças inéditas e obras do acervo pessoal de colecionadores, a exposição Hoje Tem Espetáculo foi concebida como uma grande montagem sob a lona de um picadeiro simbólico dividido em seis atos, em que vida e obra se entrelaçam.

O percurso se inicia com O Quixote Sertanejo – O Artista e seus Espelhos, em que Assis se reconhece na figura de Dom Quixote, o cavaleiro idealista que insiste em lutar contra moinhos de vento. Em seguida, a exposição retorna ao início da vida do artista, com Ciranda dos Sonhos – Infância e Imaginação, onde a infância ressurge como abrigo para brincadeiras e sonhos. 

No terceiro ato, a Arena do Sertão – Memória, Festa e Resistência, o cenário aparece como espaço de contrastes: a poeira dos retirantes divide espaço com a poeira levantada pela alegria dos forrós enquanto a dureza da seca dialoga com a celebração popular. E na sequência, o ato Procissão da Poesia – O Sagrado em Cena conduz o visitante a uma espiritualidade humanizada, onde os santos de Assis não ocupam altares distantes, mas caminham entre nós, sentindo dor e compaixão.  

O olhar então se amplia em Entre Marés – Desfrute à Beira-mar, quando a chegada a Natal introduz o mar como horizonte. As jangadas, o trabalho dos pescadores e a mística litorânea entram em cena, e a obra “Santa Ceia dos Pescadores” sintetiza esse encontro. 

Depois, o ato Em Torno do Beco – Boemia e Resistência mergulha no Beco da Lama, reduto cultural no bairro Cidade Alta, como território de afeto e criação coletiva. Nesse ato, dialogam as esculturas do mestre seridoense Ivan do Maxixe, que receberam intervenções de Assis e outros artistas.

No Grand Finale, todos os personagens retornam ao centro do circo. “É aqui que o Palhaço, uma representação sintética de Assis, faz sua estreia revelando que em cada um de nós há um circo montado, feito de dramas e redenções. O artista cumpriu seu papel. Agora, o espetáculo é seu”, escreve o curador. 

Sobre o artista

Francisco de Assis Marinho de Farias nasceu em 1960 em Cubati/PB e, aos cinco anos, migrou com a família para São João do Sabugi/RN para fugir da seca. Autodidata, construiu no Rio Grande do Norte sua trajetória artística, desenvolvendo uma linguagem expressionista de forte matriz regional. Sua obra retrata retirantes, sertanejos, pescadores e figuras do imaginário popular e do sagrado, afirmando-se como um sensível cronista visual da identidade potiguar.

Ao longo da vida, tragédias familiares desencadearam um quadro de alcoolismo que impactou sua trajetória pessoal e profissional. Hoje, acolhido em uma casa de apoio em Emaús, na Região Metropolitana de Natal, ele voltou a produzir com regularidade e a mostra surge como uma forma de ampliar sua visibilidade e fortalecer sua permanência no circuito artístico. 

SERVIÇOO que: Exposição Hoje Tem Espetáculo – O Universo Poético de Assis Marinho
Quando: De 28 de fevereiro a 30 de março
Onde: Pinacoteca Potiguar. Praça Sete de Setembro, s/n – Cidade Alta, Natal/RN.
Funcionamento: De terça a sexta: 8h às 17h | Sábado e domingo: 9h às 16h
Acesso gratuito

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