A doutoranda e escritora potiguar Elizabeth Olegário, pesquisadora do Centro de Humanidades da Universidade NOVA de Lisboa (FCSH/NOVA), promove nesta semana, em Curitiba, a roda de conversa “Tecendo Ancestralidades: Literatura, Música e Fotografia nos Movimentos Negros e Indígenas”. O encontro será realizado dia 01 de agosto no Restaurante Nina Curitiba e reunirá artistas, pesquisadoras e ativistas em torno da valorização das expressões culturais afro-indígenas.
Participam da conversa a fotojornalista Fernanda Castro, reconhecida por seu trabalho voltado às questões de raça, gênero e território, e a cantora potiguar Cida Airam, cuja obra musical ecoa saberes afro-brasileiros e indígenas, propondo uma escuta sensível e política da ancestralidade.
Além de propor diálogos entre artes, o evento também celebra a presença histórica e viva das populações negras e indígenas no estado do Paraná, frequentemente invisibilizadas nos espaços públicos e culturais. Segundo dados do Censo 2022, o estado possui a segunda maior população quilombola da Região Sul, com 7.113 pessoas, além de 30.460 indígenas vivendo em 345 municípios. Esses números reforçam a diversidade e a resistência desses povos no território paranaense, que abriga comunidades tradicionais, quilombos e aldeias de etnias como Kaingang, Guarani e Xetá.
Para Elizabeth Olegário, atividades como essa são ferramentas de resistência e reconstrução de memórias coletivas:
“Mais do que uma roda de conversa, é um ato de resistência simbólica. A arte, a palavra e a imagem são caminhos para manter vivas as nossas ancestralidades. São também estratégias de enfrentamento político e afetivo contra o apagamento de nossas histórias.”
A proposta do evento dialoga com pensamentos de vozes fundamentais das literaturas africanas e brasileiras. O pesquisador angolano Luís Kandjimbo afirma: “As manifestações parecem ser a arma de reivindicação mais contundente, no entanto a literatura contribui de igual modo para o exercício das liberdades.”
Já a escritora mineira Conceição Evaristo reforça: “A arte é um instrumento de conscientização das lutas coletivas.”
Aberta ao público, a roda de conversa pretende reunir diferentes gerações, experiências e formas de expressão que reafirmam a riqueza das ancestralidades negras e indígenas, construindo pontes entre passado, presente e futuro.
