Da Ponta Negra de ontem e de hoje

ponta negra por flavio rezende

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Por Flávio Rezende

O tempo anda oscilante, mas hoje resolvi descer para uma caminhada e, quem sabe, um banho de mar em Ponta Negra.

O calçadão, que em outras épocas fervilhava de vida, parecia um retrato de apatia. Pouco movimento. Vários quiosques fechados. O ar carregado de um silêncio estranho, desses que a gente sente mais no peito do que nos ouvidos. Olhares perdidos, gente caminhando como quem procura algo que já não está ali.

Na faixa de areia engordada pela obra recente, poças de água em lugares onde antes havia espaço para futebol, frescobol e até rodas de capoeira. A areia ainda dividindo espaço com cacos de conchas e outros restos que o mar trouxe. As barracas estavam vazias, órfãs de clientes. Os poucos policiais presentes pareciam mais entretidos em seus TikToks do que atentos ao cenário ao redor.

Mesmo assim, arrisquei um banho. Confesso: foi uma decisão que me trouxe tristeza. As pedras, agora em profusão, tornaram difícil qualquer passo mais confiante dentro d’água. Afundando e pisando em cascalhos, logo percebi que ali não era mais o mesmo lugar de outros tempos. Saí antes da hora, levando comigo mais um pedaço de frustração.

Lembrei de quando, mesmo com a maré alta batendo na contenção, havia vida. Pessoas esperavam o recuo das águas para aproveitar a faixa de areia. Surfistas encaravam as ondas. Crianças corriam, batiam bola, riam. O Morro do Careca refletia nas águas, testemunha silenciosa de uma convivência social que parecia mais justa, mais viva, mais cheia de encontros e sorrisos.

Redação

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