10 anos de ruído e silêncio: artista Djanete reúne 350 criações autorais em exposição inédita em Natal

Djanete

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“Gravaturas” abre no dia 12 de setembro, às 19h, no Margem Hub, com performance sonora ao vivo. Antes disso, nos dias 9 e 10, o público é convidado a participar de happening-montagem. A visitação é gratuita e segue até 10 de outubro, com audiodescrição.

Uma sala inteiramente coberta de desenhos em preto e branco, atravessada por uma peça sonora que toca em loop. É assim que o artista Djanete apresenta “Gravaturas”, sua primeira exposição individual, com curadoria de Sofia P. Bauchwitz. A abertura acontece no dia 12 de setembro, às 19h, no Margem Hub, em Natal, com performance sonora ao vivo. A visitação é gratuita e segue até 10 de outubro.

São 350 obras originais, feitas à mão com nanquim sobre papel ao longo dos últimos dez anos. Os desenhos são abstratos, quase sempre acompanhados de escrita, e nasceram de um processo que o artista descreve como intuitivo e por vezes inconsciente. “Não penso necessariamente em um tema único, mas talvez em um universo visual que foi se formando ao longo do tempo”, diz Djanete. “As figuras podem remeter a seres místicos com rostos, olhos, rabos, ou signos, dígitos, inscritos de um idioma desconhecido”.

Boa parte desse material nasceu numa carteira de faculdade. “Eu fui estudante de Letras Português, e uma boa parte dessas obras foi realizada dentro de uma sala de aula branca, onde me sentia desconectado e entediado”, conta. “Para conseguir me concentrar, eu desenhava.” Para publicar os trabalhos na internet, ele os escaneava em preto e branco, e a digitalização dava ao traço uma textura que lembrava ilustração digital ou xerox. Até agora, esse acervo só tinha sido visto em tela.

O que cobre as paredes da galeria, porém, não são os originais. De cada obra foram impressas três cópias, mais de mil folhas ao todo, que são coladas uma a uma pelo próprio público, em um mutirão de montagem aberto a qualquer pessoa. Livres da aura de peça única, as impressões podem ser manuseadas, sobrepostas e interferidas sem preciosismo. “Talvez eu deseje provar que é impossível que eu consiga trabalhar sozinho”, afirma o artista. “Eu sou filho único, sempre tive uma personalidade mais introvertida. A montagem colaborativa é uma forma de tornar visível essa dimensão coletiva.”

Happening: a montagem é parte da exposição

Como parte da exposição, acontecerá um mutirão de montagem nos dias 9 e 10 de setembro, na galeria do Margem Hub. Essa montagem coletiva funciona como um happening, cujos barulhos serão mixados pela artista para a criação da performance/peça sonora a ser lançada na abertura da exposição, às 20h. Tudo o que acontecer durante a atividade é gravado: as conversas, os passos, os cantos de trabalho que surgem no meio do esforço. Todo mundo pode participar, não é preciso se inscrever nem ter experiência com arte, basta chegar (09/09, das 15h às 19h, e no dia seguinte, 10/09, das 17h às 20h).

A performance sonora ao vivo durará cerca de 20 minutos. Depois disso, a peça sonora permanece na sala em loop durante todo o período expositivo.

Para a curadora Sofia P. Bauchwitz, o que organiza o conjunto é uma relação particular com o tempo: “em Gravaturas, o gesto artístico é marcado por um corpo que escuta e espera, um corpo que pensa em ação”, escreve no texto da exposição. “A atenção aos detalhes e o respeito pelo próprio desejo emergem como gestos de resistência à lógica da produtividade e do rendimento.”

A exposição foi contemplada pelo Edital de Fomento às Artes Visuais nº 09/2024 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB/RN), com realização da Secretaria de Estado de Cultura do Rio Grande do Norte e do Ministério da Cultura.

Acessibilidade

Na noite de abertura, o público contará com visitação guiada com recursos múltiplos de acessibilidade. Durante todo o período expositivo, há audiodescrição disponível por meio de QR Code. O Margem Hub oferece acessibilidade arquitetônica.

Sobre Djanete

Djanete é artista multimeios e produtor cultural potiguar, com prática em desenho, pintura, escrita e discotecagem. Sua produção explora o cruzamento entre voz, palavra e corpo. Cursou Letras Português na UFRN e complementou a formação no ateliê do NAC/UFRN e na Escola Britânica de Artes Criativas e Tecnologia (EBAC).

Em 2017, idealizou o coletivo Disconexa, que se tornou gravadora e selo independente e promoveu mais de 60 ações culturais em Natal, com políticas afirmativas de gênero e cotas para pessoas transgênero. Apresentou-se no festival No Ar Coquetel Molotov (Recife, 2019), compôs e performou a trilha sonora do espetáculo Sal (2023, Cia. Giradança) e liderou sete lançamentos pelo selo Disconexa, além de duas edições do Lab Disconexa, projeto educativo voltado à música eletrônica.

Instagram: @jnth

Sobre a curadora

Sofia Porto Bauchwitz é artista visual, pesquisadora, curadora e crítica de arte. Mestre e doutora pela Universidade Complutense de Madri, pesquisa as relações do corpo sem forma e da não identidade nas práticas artísticas contemporâneas. Como artista, expôs em instituições como MAK Center (Los Angeles), Sala de Arte Joven de Madri, Arnhem Museum (Holanda) e Fundação Eugénio de Almeida (Évora). Como curadora, assina projetos como Fronteiras e Estados de Sítio e Do Banco ao Museu (Pinacoteca Potiguar, 2022), e integra catálogos de exposições como À Nordeste (Sesc 24 de Maio) e Generaciones 2019 (Casa Encendida, Madri).

Serviço

O quê: “Gravaturas”, primeira exposição individual de Djanete

Curadoria: Sofia Porto Bauchwitz

Happening – montagem: 9, das 15 às 19h, e 10 de setembro de 2026, das 17h às 20h.

Participação livre, sem inscrição prévia

Abertura: 12 de setembro de 2026, às 19h, com performance sonora ao vivo às 20h

Visitação: de 16 de setembro a 10 de outubro, de quarta a sábado, das 10h às 19h

Onde: Margem Hub, Rua da Sheelita, 59, Lagoa Nova, Natal/RN (CEP 59076-050). Espaço voltado à produção de arte contemporânea em Natal, com acessibilidade arquitetônica

Acesso: gratuito

Classificação: livre

Acessibilidade: visitação guiada com recursos múltiplos de acessibilidade no dia da abertura e audiodescrição por QR Code durante todo o período expositivo

Ficha técnica

Curadoria: Sofia Porto Bauchwitz

Produção: Paula Lima

Assistência de produção: Maria Melo

Identidade visual: Mateus Tinoco

Assessoria de imprensa: Realce Comunicação

Acessibilidade: Kely Araújo

Realização: Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Ministério da Cultura e Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB/RN).


Foto por Moisés Oliveira

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Redação

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