Ao todo, foram vinte reuniões, com a participação de 640 agentes culturais, para compreender as necessidades de cada linguagem e segmento artístico.
O Governo do RN, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult RN) concluiu, na última segunda-feira (30), as escutas para o segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN). Ao todo, foram vinte reuniões online e cerca de 41 horas de diálogo, com a participação de 640 agentes culturais. O objetivo principal foi compreender as necessidades específicas de cada linguagem e segmento artístico e aprimorar os processos de elaboração e execução de editais, com contribuições diretas à construção do Plano de Aplicação de Recursos (PAR).
As escutas tiveram início no dia 9 e seguiram durante todo o mês de junho, sendo realizadas diariamente e atendendo a diferentes grupos de manhã e de tarde. Cada encontro teve duração média de duas horas, com oportunidade para que todos os participantes pudessem falar e dar suas sugestões, à luz das propostas dos editais apresentadas pela equipe da PNAB RN e da vivência de cada um a partir do primeiro ciclo.
“A participação social é fundamental na construção de políticas públicas justas e igualitárias, por isso, desde o início, buscamos implementar maneiras de proporcionar essa participação do setor cultural na elaboração dos editais. Então, essas escutas vêm também para que esse seja um processo transversal e transparente, mas, principalmente, para que a gente busque realmente compreender as necessidades e fortalecer cada vez mais a cultura do nosso estado”, declarou a Secretária de Cultura, Mary Land Brito.
Na primeira semana, foram ouvidos os representantes de comunidades indígenas, quilombolas e ciganas, povos de terreiro e pessoas com deficiência. A equipe apresentou uma nova proposta de aplicação contínua, que prevê que as comunidades contempladas em um ciclo recebam novamente no ciclo seguinte, mediante avaliação. A ideia foi recebida com entusiasmo pelas comunidades, que anseiam pela possibilidade de elaboração de ações continuadas.
Em seguida, a equipe realizou escutas com dez diferentes linguagens artísticas: artes visuais; circo; teatro; dança; música; livro, leitura e literatura; audiovisual; jogos eletrônicos; cultura popular; e cultura urbana e periféricas. Os grupos fizeram suas considerações sobre as propostas dos editais, especialmente o Edital de Fomento.
Entre os pontos em comum, foi levantada a necessidade de atenção especial aos recursos para circulação, seja de espetáculos, shows, exposições, lançamentos de obras ou exibições audiovisuais.
O lançamento de livros é um exemplo dessa demanda, uma dificuldade mencionada pela poeta Gessyka Santos na escuta sobre livros, leitura e literatura. “Circular um livro não é como circular um filme onde você escreve e pode ser exibido fora do país, sem necessariamente você estar junto. Circular um livro significa você ir, levar o livro, isso é, bagagem, peso. E quando a gente fala numa circulação realista, a gente fala em presença, em lançamentos, em feiras aqui e fora do Rio Grande do Norte. Isso pra gente já é muita coisa”, destacou.
Para o segundo ciclo da PNAB RN, estão previstos 27 editais, com investimento total de cerca de 23 milhões de reais. Com as escutas, a equipe busca o aperfeiçoamento contínuo da operacionalização dos recursos federais no estado, levando em consideração os anseios do setor cultural em toda sua pluralidade.
A coordenadora da PNAB RN, Leka Castro, considerou as escutas produtivas e enfatizou o papel colaborativo dos participantes. “O nosso objetivo com esses encontros é justamente escutar atentamente às demandas de cada segmento. É importante ressaltar que os editais do Ciclo 2 ainda não foram lançados, então estamos considerando todas as opiniões, tendo em vista o grande desafio que é conciliar as expectativas do setor cultural em toda sua amplitude. Então, estamos trabalhando e analisando a viabilidade de cada sugestão para atender a todos da melhor forma possível”.
