Um brinde à D. Amelinha, a Viúva Machado!

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Sem preâmbulos, entramos na vida de Amélia Duarte através da pena suave de Maria Elza Bezerra Cirne no livro intitulado “Viúva Machado: a grandeza de uma mulher”. Um universo carregado pela magia das ambiguidades. De uma banda, a esposa de um comerciante abastado cuja rotina glamourosa era regada a veuve clicqout servido em seu palacete particular (FOTO), palco de encontros e reencontros não resumidos à elite natalense, mas cenário que abrigou personalidades de contornos e destaques mundiais, a exemplo de Saint Exupery. No extremo oposto, uma Mulher que viveu e sobreviveu com a alma em carne viva. Onze abortos, três filhos nascidos vivos que não chegaram a doze meses de idade e as auguras de uma maternidade sonegada catorze vezes pelas mãos do acaso.

Realidade dura, seca, sem muitos enfeites, amarguras aos montes, é fato! Mas as doçuras pungentes na dimensão do humano não passam despercebidas numa prosa poética embebecida de sentido numa lapidação que fusiona o rigor histórico a uma prosódia regionalista de uma elegância tão elementar quanto à certeza de que essa obra pode ser lida universalmente.

Assim, percorremos a saga de Dona Amelinha pelas vielas da Natal nas primeiras décadas do século passado até os anos 80, pincelando ascendências e descendências de personagens que fizeram História neste recanto, o caminho de esperança, sonho dos imigrantes estrangeiros que aqui fixaram raízes e em muito contribuíram para o desenvolvimento desta nação.

É um livro imenso, memorialístico, afetivo, cinzelado por alguém que experiencia a crônica com o fazer gastronômico; é um trabalho a ser degustado como uma iguaria. É pela prosa despretenciosa, pelos encantamentos de sua musicalidade e suas entrelinhas, por sermos surpreendidos pela agudez reflexiva de sua verve. Pelo senso de justiça que há em cada linha e pelo resgate de uma trajetória tão magnífica quanto à escrita de quem a traça. Pelo desagravo público e poético à vida e obra de uma Mulher fascinante, inspiradora e extraordinária.

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Teresa de Paiva Oliveira

Escritora, poeta, advogada e diretora adjunta do Instituto Ariano Suassuna. Autora dos livros "Gentil, verás que um filho teu não foge à luta" (2022), "Esmeraldas ao Vento" (2024) e "João Fioravante Volpe Neto: quem deixa uma história para a vida, tem uma vida contada para a história" (2025).

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1 Comment

  • Maria Elza Bezerra Cirne

    Agradeço suas belas palavras sobre o livro, resultado de uma grande pesquisa para resgatar a verdadeira memória de Amélia Duarte Machado. Fico feliz em ter uma leitora que captou tão bem a narrativa histórica e de valorização dessa mulher extraordinária. Forte abraço m!

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