Balanço sobre o 14º Troféu Cultura – elogios e críticas necessários

São 14 edições do Troféu Cultura já realizadas. Há um certo status de tradição em 14 anos de história. Mas isso para quem desconhece a história do prêmio. Penso que o Troféu começou a existir de fato há três anos, quando o sistema de votação conferiu legitimidade às escolhas. Ou mais: quando conseguiu chegar ao conhecimento da classe artística. Participei do Troféu justo nesses três anos e, claro, contribui para isso.

Minha aproximação com Toinho Silveira, idealizador do evento, se deu com um breve comentário meu, ainda no Substantivo Plural, sobre o Troféu. Disse algo como, embora o formato estivesse todo errado, a intenção de Toinho em premiar os artistas era muito válida. E três anos depois, nada mudou. Continua tudo errado, mas com boa intenção.

Dias ou semanas depois ele estava em reunião na secretaria de turismo, onde trabalho e, quando entrei na sala, ele disse ter lido o comentário, agradeceu e elogiou minha credibilidade como jornalista e tal. Na edição seguinte do prêmio recebi o convite para prestar a assessoria de imprensa, que como disse, no fim abarcou outras funções.

Naquele ano de 2015 institui a seriedade que o prêmio precisava com um sistema de votação legítimo, e não por escolhas aleatórias. Barrei qualquer interferência externa no resultado – e tentaram! E procurei formatar um evento voltado aos artistas. Isso não consegui. Foi um verdadeiro circo de horrores aquela edição.

Traumatizado, pensei: “Nunca mais”. Mas também a possibilidade de encarar como aprendizado para mudar tudo. E tentei novamente. Eu classificaria a edição 2016 como aceitável, mas foi outra decepção. E veio um “nunca mais” convicto. Mas 2017 veio captação de recursos, veio a produtora Tatiane Fernandes, a chance de uma edição caprichada e o ânimo reacendeu. E do aceitável passou ao razoável. E sempre muito longe do ideal.

QUAL IDEAL?

O Troféu Cultura ainda não se encontrou; precisa sair do armário. Ou é dos e para os artistas, ou para agradar empresariado. Infelizmente é incabível essa confluência desses dois polos no roteiro do prêmio. Patrocinadores são sempre bem vindos. Mas para isso há termos legais de publicização das marcas no projeto, há estratégias infinitas para agradar o ego do empresário ou potencializar a divulgação do patrocínio. Mas não em discurso alongado. Não com entrega de medalhas. Não interferindo num roteiro temático. Não numa festa direcionada à arte e à cultura.

Então, como seria meu Troféu Cultura 2018? Num resumão: Sistema de votação semelhante. Um local menor e também aconchegante. A improvisação cênico-cômica de Quitéria na condução da cerimônia. Muitas intervenções na plateia. Atrações musicais, cênicas e literárias dinâmicas e que enaltecessem a cultura potiguar. Máximo de duas horas e meia de duração. E sim, um regabofe num ambiente anexo, ao fim, para confraternização da galera.

5 COISAS BOAS DO TROFÉU CULTURA 2017

1) Mas tivemos coisas boas nesta edição. A lista de indicados e dos vencedores foi bem representativa da nossa cultura. Claro, nem sempre vence quem queremos ou que realmente é o melhor, mas o júri especializado garante sempre cinco boas escolhas. Foram mais de 44 mil votos computados. E sem falar da homenagem a Cláudio Galvão, que subiu emocionado ao palco.

2) A mobilização nas redes sociais para a votação foi muito legal. Não só um chamado para votarem, mas também uma publicidade de que foi indicado. O Grupo Carmim, por exemplo, com trocentas críticas elogiosas em mídias nacionais e com indicações em outras premiações nacionais fez campanha! E isso só escancara a necessidade de uma premiação dessa para reconhecer o trabalho realizado. Não é fomento, não é edital, mas é reconhecimento.

3) As apresentações do prêmio foram todas fantásticas, idealizadas e montadas por Tatiane Fernandes. E olha que opinei contra a escolha de algumas músicas e outras “coisitas mas”. Preferia canções potiguares. Mas o resultado foi ótimo. A Orquesstra, o CDTam, a voz poderosíssima da Viviane Sagres, Isaque Galvão, o dueto de timbres de Liz Nôga e Nara Costa, a simbiose entre Yrahn Barreto e José Neto Barbosa, o Passurbano, e a volta de Eliete Regina ao palco!

4) O clima visto no coquetel no foyer do teatro estava bem bacana, e abrilhantado pela apresentação de Carmem Pradella e Levi Ribeiro, sempre ótimos. Cheguei ao fim, mas me pareceu organizado. Uma confra de fim de ano com astral muito bom.

5) O feedback dos vencedores após postagens da conquista no facebook foi mesmo impressionante. Na última postagem que vi de Silvia Sol (Melhor Cantora), tinham 122 comentários e mais de 400 curtidas. No de Alice Carvalho (Audiovisual e Artista do Ano), mais de 130 curtidas. Marize Castro (Literatura), já ia com mais de 200. E por aí vai. Quase todos os vencedores publicaram, orgulhosos, seus troféus.

5 COISAS RUINS DO TROFÉU CULTURA 2017

1) O sistema de votação não permitiu a votação livre por categoria. Infelizmente quem entrava para votar apenas em um segmento ficou obrigado a completar o resto das indicações, mesmo sem querer. Falha nossa.

2) Houve um ruído para liberação do evento no Teatro, por falta de segurança. Isso foi verificado apenas na hora! Decorrente dessa falha, o acesso só foi liberado em cima da hora, o que gerou certo tumulto na entrada. E pior, atrasou em uma hora e meia o início da cerimônia.

3) Algumas falhas de produção: As cortinas demoram a abrir após a deixa de João Maria Pinheiro, na plateia. Faltou o áudio no vídeo em homenagem a Dorian Gray. O vídeo de agradecimento enviado pelo Plutão Já Foi Planeta não foi exibido justo porque não iria aparecer o áudio. Além do já comentado enfadonho discurso ao empresariado e entrega desnecessária de medalhas de honra ao mérito.

4) Infelizmente o roteiro montado ficou bem desfigurado. E isso me deixou bem triste porque construí para ficar bem conceitual ao tema Tradição e Vanguarda e para render algumas homenagens, como ao ator João Maria Pinheiro.

5) O público esvaziado ao fim do evento. Conseguimos um teatro com umas 900 pessoas, mas sobretudo pelo atraso e ainda motivado pelas falhas acima, o público foi, aos poucos, indo embora. Uma pena, quando penso nas apresentações ótimas que se seguiram. Mas perfeitamente compreensível a debandada.

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Mas o balanço geral, como já disse, foi apenas razoável. Torço para que melhore. Mas assistirei de fora. Foram três tentativas e a tendência, pelo já dito internamente, é para manutenção desse formato, longe do que julgo ideal. Então, posso até prestar a assessoria de imprensa, mas sem qualquer téte-a-téte com os artistas. Não dá mais.  Torço para que dê certo porque a intenção do idealizador é boa. Sabe quando você faz um bolo com a melhor das intenções, mas sai todo quebrado e ruim? É por aí. Mas apesar dos pesares, os artistas valorizam, se não a festa, o título. Recebo vários releases que constam “indicado ao Troféu Cultura 2015”, “Melhor Tal de 2016″…

Acho que esse vídeo de agradecimento da vocalista do Plutão Já Foi Planeta, Natália Noronha, resume o que digo: uma galera que trabalha o ano todo e recebe o reconhecimento pela indicação, pela premiação, é gratificante, coroa um trabalho. Melhor se viesse com uma grana boa (ressalte-se que todos os vencedores receberam cortesia de hospedagem no Praia Bonita Resort). Já tínhamos decidido, inclusive, reservar uma grana da captação para isso, na próxima edição. Mas agora passo o bastão aos organizadores. Vejam o vídeo, que não foi exibido na cerimônia.

 

FOMENTO E PRÊMIO

Ouvi e li manifestações em prol de mais fomento, mais edital, em detrimento ao prêmio. Mas não há conflito entre edital e premiação. Então, por mais edital, mais fomento e mais premiações. Aliás, premiações em vários segmentos, como o Hangar de Música. Que venham de Audiovisual, Literatura, Dança, Artes Visuais e Teatro. Ou que surja um novo Troféu Cultura, sob nova direção.

Porque no fim, o conflito existe não contra o Troféu Cultura em si, mas contra o idealizador. Às vezes por puro preconceito, o que evidentemente discordo. Mas também por quem compareceu para prestigiar alguma edição e realmente ficou decepcionado. E nesse quesito preciso compreender. Então, que tal criar um Troféu paralelo? Há uns dez anos havia também o Prêmio Poti!

Enquanto estive no Substantivo Plural levantamos a ideia de uma premiação à Literatura. Quem sabe não vou atrás? Editais para Artes Visuais já existem, mas e premiações? Temos o Mundo Inteiro é um Palco, mas que tal os melhores do ano nas artes cênicas? O Goiamum Audiovisual já tem as mostras, mas dilui atenções com outros projetos, então que tal um para o audiovisual? Acho que vale a disputa, sim. Tudo saudável. Provoca mobilização, atenção e reconhecimento. Todos ganham e um sai vencedor.

Fica a dica.

ROTEIRO

Abaixo, publico o roteiro montado para o Troféu. Claro, adaptado aqui para uma postagem, sem todos os detalhamentos de produção, como entrada e saída do palco, por exemplo, ou agradecimentos, ou a leitura de indicados e vencedores. É muito mais para exibir o não mostrado ou, para quem não foi, ter ideia do que poderia ter sido e não foi. Sobretudo o diálogo inicial entre Toinho e João Pinheiro. Um trabalho conjunto entre eu e Tatiane que merecia ser seguido.

18h – OSRN
Videos para as músicas da OSRN
18h30 – OSRN e CDTAM

18h40 – CDTAM
Padede

(descem as cortinas)

18h45 – JOÃO PINHEIRO, da plateia

“Começou bonito, né? Classudo… hummm, muito bom, quem sou eu pra falar da tradição, né? Mas quero ver o novo! Quero ver dança urbana, os sons eletrônicos, os sintetizadores! Cadê o verdadeiro cinema novo? Não aquelas imagens em preto e branco de Glauber Rocha. Quero ver nesse palco aí coisa modernosa. Tô esperando! Tô esperando! Pra ter graça, a gente precisa se reinventar, meu povo! Daqui a pouco entra Toinho, que eu sei, porque esse prêmio foi invenção dele. E só falta entrar num mercedes, de terno, gravata borboleta, bengala e suspensório. Diga aí, gente? Nan! É elegância demais pro meu gosto”.

(abrem as cortinas)

18h50 – CDTAM faz a Coreografia de Madonna.
TOINHO SILVEIRA entra com o carro junto com Arlindo e Claudia

Toinho
“Boa noite, gente! Primeiro queria agradecer a presença de todos. É sempre muito gratificante receber vocês após um trabalho lindo e desafiador em trazer o Troféu Cultura para esse palco tão grandioso. Mas antes de começar a cerimônia, vou me dirigir a esse amigo aí da plateia. Olha, eu queria lembrar a você, meu jovem, algumas figuras sem as quais não estaríamos aqui com tanta gente talentosa reunida em um teatro dessa magnitude para prestigiar nossa cultura potiguar.

(TOINHO REMEMORA PIONEIRISMOS DE FIGURAS ICÔNICAS DA NOSSA CULTURA, COMO JESIEL FIGUEIREDO, BERILO WANDERLEY, NEWTON NAVARRO, WILLIAM COBBET, CHICO VILA, DONA MILITANA ou OUTROS).

E olha, todos eles não eram apenas amigos, mas companheiros na dura labuta de desbravar caminhos até então inexistentes para produzir, mostrar e manter a arte acessível ao povo. Sim, porque também fui artista. Expus minhas telas, fui meio hippie e aprendi a respeitar o que hoje é tradição, mas que na época era a novidade, e muitas vezes, não só novidade, mas o começo de tudo. Então, meu caro, são esses e outros os responsáveis pelas bases formadoras do cenário cultural potiguar no qual teremos hoje aqui uma excelente representação.

E nada como reverenciar os antigos a partir da gente nova. E além do mais, meu jovem… Mas peraí, você pode chegar um pouquinho mais perto, por favor?

João Pinheiro
Eu?

Toinho
Sim, você mesmo, o entusiasta da vanguarda.

Toinho
É, acho que estou reconhecendo você. Eu te conheço desde os tempos do Alegria Alegria, que marcou época na cena teatral de Natal. E é você mesmo, João Maria Pinheiro.

Mosaico de fotos de João Pinheiro que deveria ser mostrado no telão

Toinho
Olha, gente, esse senhor aqui fez muito pela nossa arte. É um dos palhaços mais importantes da história do nosso teatro de rua, do nosso teatro potiguar. Integrou o time de bambas do Alegria Alegria, em pleno Regime Militar até chegar à companhia Artes e Traquinagens. Muita história, hein João? Agora, me diga: o que está acontecendo? Porque você, que viveu e conheceu tanta gente como Jesiel Figueiredo, Grimário Farias, Júnior Santos e tantos outros, vem aqui criticar a tradição da nossa arte?

João Pinheiro
É que… (ainda envergonhado, ainda no personagem) o novo é o que está aí, é o que sobe ao palco, é quem o povo valoriza. E eu preciso acontecer ou vou morrer como o Zé da Sorte do Natal Cap, Toinho! (pode fazer um trejeito do Zé da Sorte).

Toinho
Ah, agora entendi. Entendi, João, e preciso compreender seu argumento. Infelizmente essa nova geração realmente tem memória curta e não prestigia quem fez essa história. Mas seja você mesmo, seja Alegria Alegria, seja Arte, seja Traquinagem. Você é história. O passado está escrito e, assim como o talento, não morre nunca. Vamos assistir juntos essa cerimônia e ver que o antigo e o novo podem caminhar juntos, sim, e que nós ainda temos muita lenha pra queimar, meu velho!

Vamos começar com música! uma cantora revelação do nosso estado: O vozeirão da Viviane Sagres! A tradição e a vanguarda juntas, porque como diria Belchior, ainda somos como nossos pais.

19h00

Cláudia Magalhães
Boa noite!
O troféu cultura busca nessa noite promover o encontro da Tradição e da Vanguarda. Sim, elas podem e devem caminhar juntas. É a sabedoria e a história unidas à vontade e a inovação. E aqui teremos um espaço de encontro do antes e do hoje. De quem construiu essa história e de quem herdou o bastão para colocar o dedo da contemporaneidade nesse passado.

Arlindo Bezerra
E a edição de 2017 traz um novo troféu desenvolvido pelo artista plástico Fabio Di Ojuara, inspirado nas vestimentas do Fandango e que este ano homenageia um dos maiores intelectuais da história do Rio Grande do Norte: Dorian Gray Caldas. Dorian foi um pioneiro. Junto com Newton Navarro e Ivon Rodrigues esteve no primeiro Salão de Arte Moderna de Natal, em 1950. Um feito que com certeza consolidou um movimento de artes visuais no nosso Estado.

Claudia
Para celebrar esta grande figura das nossas artes, gostaria de convidar ao palco Dione Caldas, para assistirmos um breve vídeo em homenagem a quem foi pioneiro e manterá seu nome inscrito para sempre na história da arte potiguar.

(início do VÍDEO – infelizmente é muito grande para exibição no site!)

19h05

Claudia
Obrigada Dione e principalmente, obrigado Dorian por todo esse legado.
A partir de agora seguiremos anunciando os ganhadores das 14 categorias do Troféu Cultura.

Após a escolha dos cinco indicados pelo júri especializado, foram mais de 44 mil votos registrados no site Papo Cultura que definiram os vencedores. E vamos ao primeiro anúncio? Começamos com a categoria Fotografia.

Arlindo
E para anunciar o Troféu Cultura na categoria Melhor Fotógrafo ou Fotógrafa, convidamos ao palco a experiência e talento do fotógrafo Fernando Chiriboga e da fotógrafa destaque da nova geração, Luana Tayze.

19h10

Arlindo
Parabéns Mariana, obrigada a Chiriboga e Luana!
Bom, e a agora chegou a vez daquele artista que pinta e borda e tatua e preenchem muros com arte, telas e um universo inteiro de possibilidades.

Cláudia
E para anunciar os indicados na categoria Melhor Artista Visual, chamamos ao palco o marcham Cristiano Felix e a artista plástica Clarissa Torres, do Coletivo Aboio.

19h15

Arlindo
Nos últimos anos temos visto uma produção crescente do Audiovisual potiguar. E não só crescente em número, mas também em qualidade, haja vista as tantas participações e premiações em festivais no Brasil e até no exterior. E uma mostra bem representativa está entre esses cinco indicados.

Claudia
E para entregar o prêmio de Destaque no Audiovisual em 2017, convidamos a diretora, produtora e roteirista de audiovisual e integrante do Coletivo Caboré, Babi Baracho, e o maquiador de grandes filmes do cinema nacional, Amaro Bezerra.

19h25

Arlindo
A quadrinha popular do início do século passado, dizia: “Natal, em cada canto um poeta, em cada esquina um jornal”. Mais de um século se passou e praticamente estamos sem jornais, mas os nossos poetas e literatos continuam aí e muito bem. E para mostrar que essa qualidade está no ontem e no hoje, convidamos duas gerações de poetas para lerem a poesia do outro.

Cláudia
Que venha a poesia, por favor! O presidente da nossa Academia Norte-rio-grandense de Letras, o poeta Diógenes da Cunha Lima, e a poeta Regina Azevedo. (instrumental de Linda baby)

Arlindo
E vamos aos indicados ao Destaque na Literatura 2017? Quero chamar ao palco o pesquisador da literatura potiguar, também escritor e imortal da Academia de Letras, Manoel Onofre Jr, e mais uma vez a poeta Regina Azevedo para apresentar os indicados.

19h35

Claudia
Entraremos agora na seara das artes cênicas. Diferente da música, aqui se faz um diálogo para plateias pequenas. E para temperar ainda mais nossa noite, o encontro do já agraciado melhor ator pela Academia de Artes no Teatro do Brasil, José Neto Barbosa, e o cantor e compositor já premiado com o Hangar de Música e indicado a melhor cantor nesta noite, Yrahn Barreto.

Arlindo
Esta é a estreia de Manifesto, performance de José Neto Barbosa inspirada em ‘É Proibido Proibir’, de Caetano Veloso.

Arlindo
Essa categoria nos proporcionou momentos mágicos este ano. E montar uma peça de teatro demanda um trabalho de hércules: ideia, pesquisa, esforço, captação de verba, produção, ensaios e mais ensaios e, depois de tudo, apostar no prestígio do público. Não é fácil. E vamos aos indicados que sofreram, mas conseguiram o gratificante resultado de um maravilhoso Espetáculo de Teatro.

Claudia
E para entrega do troféu desta categoria, convidamos o ator de grandes espetáculos que circularam no RN, Grimário Farias e Barbara Teart.

19h45

Cláudia
E eis aqui uma categoria bem emblemática do que esta edição do troféu propõe: o clássico e o contemporâneo, a tradição e a vanguarda. Na dança, essas vertentes estão bem latentes. E ao longo deste ano pudemos assistir espetáculos grandiosos, a exemplo dos nossos indicados.

Arlindo
Para entrega do troféu na categoria Melhor Espetáculo de Dança, convidamos o professor, diretor da Escola Roosevelt Pimenta, e coreógrafo Dimas Carlos e a professora de dança da UFRN e fundadora do grupo Acauã, Karenine Porpino.

19h50

Claudia
Gente, nas cinco indicações deste ano na categoria Melhor Produtor ou Produtora Cultural, quatro mulheres e um homem de alma feminina. Aliás, perceberam que as mulheres têm dominado não só as indicações, como as premiações até aqui? Mariana, Marize, Alice… Só deu a gente, mulherada! E vamos aos indicados deste ano na categoria de Produção Cultural.

Arlindo
Para entrega deste troféu, duas produtoras poderosíssimas: Haylene Dantas e Luci Braga.

19h55

Claudia
E agora, uma pequena pausa no anúncio das categorias para a entrega do troféu pelo Conjunto da Obra. Quero convidar ao palco o historiador Rostand Medeiros para apresentar o homenageado deste ano.

(no telão, slide com imagens de Cláudio Galvão)

Rostand Medeiros
Boa noite!

Talvez pelo jeito discreto, comedido, poucos reconhecem a importância da obra de nosso homenageado este ano. Sorte os 12 livros já publicados e, por isso, a imortalidade da obra, já que falta a imortalidade pela nossa Academia de Letras.

Curioso que a maioria dos seus livros é de resgate de outras figuras de feitos também pouco lembrados. Biografias minuciosamente escritas que contam a história de ícones apagados da nossa memória, como Tonheca Dantas, Oswaldo de Souza, Oriano de Almeida, Othoniel Menezes, Waldemar de Almeida e, o mais recente, Varela Santiago. E afora essas biografias, a história do nosso Teatro Alberto Maranhão, antigo Teatro Carlos Gomes, a história da modinha no Rio Grande do Norte, o também recente Ora Direis Ouvir Cascudo, sobre o lado musicista de Câmara Cascudo…

E quando falo recente, falo de um senhor de 80 anos que dedica seu tempo em pesquisas intermitentes e, mais ainda, cuida, diariamente e sem qualquer apoio, do precioso acervo do Arquivo Público do Estado, em um prédio caótico no bairro do Alecrim.

E quando falo recentemente, falo também de projetos e metas deste senhor oitentão. Ele tem, nada menos, que cinco livros pré-prontos para publicação. E é interessante citá-los aqui, num teatro repleto de artistas e empresários, já que esses livros aguardam apenas o patrocínio para serem concluídos.

São eles: “Música e músicos do Rio Grande do Norte”, uma pesquisa fundamental para catalogar a história da nossa música para além de quem teve música gravada, como já fez nossa queridíssima Leide Câmara. Também nessa seara, dois volumes da “História da Música no Rio Grande do Norte”, com pesquisa que abrange desde a época indígena e início da colonização. “A história do açúcar no Rio Grande do Norte”. E ainda o livro “Djalma Maranhão, do povo para o povo”.

Pediria a vocês uma salva de palmas para este jovem oitentão, que sobe agora ao palco. Vem cá, Cláudio Galvão!

Arlindo
Muita história guardada nesses dois, ne? Rostand também é outro pesquisador de mão cheia. Não fosse gente assim, o que seria da nossa história?

E agora uma homenagem que sintetiza o encontro da tradição e Vanguarda. Dois grandes nomes da Música potiguar unidos pela própria linguagem. Nubia Lafaiete na voz de Isaque Galvão!

20h05

Cláudia
Lindo encontro! Meu amigo querido e talentoso Isaque Galvão que nos emociona sempre com tantos trabalhos lindos… Lírio Verde, Matulão e por ai vai…

Bom, e não fossem os indicados dessa categoria, teríamos perdido um ano muito divertido! Graças a eles temos assistido a shows memoráveis por aqui e cada vez com mais público para ouvir música autoral potiguar. E cinco deles estão indicados a Melhor SHOW.

Arlindo
Para entregar o troféu desta categoria, chamamos ao palco o pioneiro na promoção dos grandes shows nacionais no Estado e ainda hoje firme e forte no ofício, o produtor Alexandre Maia.

Arlindo
O produtor da banda, André Maia é quem vem receber o troféu já que o Plutão está em São Paulo hoje para show logo mais. E eles deixaram um vídeo pronto para o caso de ganharem o troféu. Vamos assistir.

20h15

Claudia
Eles soltaram a voz este ano. Cinco cantores de diferentes gerações da nossa cena, de diferentes recantos do nosso Estado e que representam o antes e o agora na nossa música. Vamos à categoria de Melhor Cantor.

Arlindo

E para apresentar os indicados deste ano, chamamos ao palco a tutora da obra de Tico da Costa: a produtora Sara Frachhia.

20h20

Arlindo
E para brindar o canto, recebemos no palco mais um encontro espetacular de vozes e gerações: Liz Nôga e Nara Costa!

Claudia
Saudade de ver Liz Nôga no palco, gente! E Nara, que cantora! Aliás, como já disse, as mulheres têm comandado esta cerimônia. E na música, então, a dominação é total. Vocês prestaram atenção na categoria Melhor Show? Pois é. Então imagine a dificuldade para os jurados escolherem apenas cinco indicadas como Melhor Cantora.

Arlindo
E para anunciar essas indicadas e a vencedora da categoria, convidamos ao palco a pesquisadora da nossa música potiguar e imortal da nossa Academia de Letras, Leide Câmara, e o produtor e idealizador do Prêmio Hangar de Música, Marcelo Veni.

20h25

Claudia

Nos últimos anos, a cena musical potiguar tem invadido alguns dos maiores festivais nacionais, como o Lollapalozza e o Rock in Rio. E aqui temos uma excelente mostra desse novo cenário pulsante de bandas da cena local, do cenário nacional e até internacional, novas ou já com uma estrada percorrida. E vamos a esses indicados.

Arlindo

Para anunciar as cinco bandas, convidamos ao palco o mago dos efeitos sonoros, Zé Caxangá e a cantora, compositora e violinista da orquestra sinfônica, a musicista Tiquinha Rodrigues.

20h30

Arlindo
Quem pensou que em tempos de ícones como Edson Claro, Roosevelt Pimenta e todo o ensinamento tradicional da dança clássica ou mesmo contemporânea, assistiríamos, hoje, a invasão do hip hop na cena potiguar? Pois é. Um show de arte cênica a partir da cultura urbana da periferia. Vem aqui mostrar um pouquinho disso aqui, Ariadna Medeiros, com a energia do Passurbano!

Apresentação Passurbano

20h40

Claudia
Obrigada Ariadna. Assistimos à coreografia ‘Tácito – Trilha: About Her (Phazz)’

Graças ao trabalho fundamentado do Coletivo Farofa Crítica, esta próxima categoria passou a abranger não só quem atua como atriz, mas também inclui agora bailarinas e performers. E sob a olhar desses críticos antenados, apresentamos as indicadas deste ano.

Arlindo
Convidamos ao palco para anunciar as indicadas e a vencedora, uma bailarina que também desbravou alguns caminhos do nosso palco, Anízia Marques e o performer e integrante do Farofa Crítica, Felipe Fagundes.

20h45

Cláudia
Lá atrás um artista chamado Jesiel Figueiredo lançava as bases para o Teatro Moderno no Rio Grande do Norte, além de um trabalho formidável de formação de plateia com a criação de um teatro infantil. E graças ao trabalho de Jesiel, de Chico Vila, de Costa Filho, de Edson Claro, de Roosevelt Pimenta e tantos outros que vieram nessa época e depois, nosso teatro conseguiu ultrapassar as muralhas deste estado e tem alcançado o público e críticas elogiosas Brasil afora. Aqui, temos cinco representantes dessa nova safra na categoria de Melhor Ator, Bailarino e Performer.

Arlindo
E para apresentar esses indicados, convidamos ao palco Firmino, jovem criador e integrante do grupo Eureka, e a atriz, ensaísta e crítica de arte Heloisa Sousa, do coletivo Farofa Crítica.

20h50

Claudia
Gente, antes do anúncio do Artista do Ano, vamos homenagear quem realiza, mas também quem viabiliza esse fazer cultural em nosso Estado. Quero chamar de volta ao palco o idealizador deste Troféu, Toinho Silveira para a entrega da medalha ao mérito Djalma Marinho e o Troféu Noilde Ramalho.

Toinho
Para receber as comendas, convidamos as seguintes personalidades ao palco: os produtores culturais Lula Belmont e Alexandre Maia, a diretora de Estudos e Pesquisas da Fundação Parnamirim de Cultura e idealizadora do Festival Miau, Nilza Fernandes, o médico e sócio do Hospital do Coração e também colunista da Tribuna do Norte, Elmano Marques, o estilista Geová Rodrigues, o hoteleiro George Gosson, o ator e diretor Henrique Fontes, o empresário e presidente da Fecomércio, Marcelo Queiroz, e a empresária Lourdinha Alencar. Parabéns a todos!

(entrega das medalhas e registro de fotos)

21h00

Claudia
Vamos ao Artista do Ano?
Elas e eles conquistaram este ano algo maior que o já grandioso ofício de fazer arte. Conquistaram o que todo artista, na verdade, busca: o reconhecimento. Sim, todos esses cinco indicados ao Artista do Ano 2017 já foram premiados aqui ou alhures, seja em festivais, em outras premiações de arte, nas críticas elogiosas em mídias nacionais e outros feitos que só quem produz cultura neste estado sabe a dificuldade dessas conquistas.

Arlindo
Mas independentemente desse status, desse prestígio conquistado, artista mesmo é aquele que resiste, que mesmo sem o olhar ou o aplauso do público se mantém no ofício pelo simples prazer de se dizer artista. E a todos, o nosso aplauso. Mas vamos aos indicados. E para anunciar o Artista do Ano, convidamos de volta ao palco Toinho Silveira e Dione Caldas.

(João volta ao palco no fim dos agradecimentos, como se tivesse vencido o prêmio)

João Pinheiro
Oxe, e não fui eu o Artista do Ano, não?!

(começa a sair do personagem…)

Olha, gente, procuramos mostrar aqui, que a Tradição e a Vanguarda somos nós. Sim, todos nós! Carregamos conosco nossa história e estamos aí para o que der e vier, ainda. Somos vanguarda, sim! Você aí, mais velho, que pensou agora: “Vige, não sei nem mexer no celular e sou vanguarda?”. Ora, se você ainda mantém aquele sentimento de liberdade criadora, de ruptura com o passado sem esquecer sua história, tenha a certeza: você continua à frente nas trincheiras de combate, amigo velho! Então, viva o passado, um salve para nós aqui presentes neste teatro e que se derrame o futuro sobre nós! Um abraço a todos!

Arlindo
E para fechar nosso encontro, convidamos ao palco quem fez e quem faz história. Eliete Regina, no alto dos seus 81 anos, que já cantou e abriu muito palco em casas de show para outros artistas terem seu espaço. E com ela, outras vozes da história da música potiguar. Tradição e vanguarda, aqui e agora!

(cerimonalistas saem)

(Show com todos os cantores juntos)

Isaque
Muito obrigado pela presença de todos e até o Troféu Cultura 2018!

********

 

VENCEDORES

– Destaque no Audiovisual

Alice Carvalho, pela websérie Septo

– Destaque na Literatura

Marize Castro, pelo livro de poemas A Mesma Fome

– Melhor Fotógrafo ou Fotógrafa

Mariana do Vale

– Melhor Artista Visual

Civone Medeiros

– Melhor Produtor ou Produtora Cultural

Ana Morena, pelo Festival Dosol

– Melhor Espetáculo de Dança

Basta Ter Coragem, da Gaya Dança Contemporânea

– Melhor Show

Plutão Já Foi Planeta, com o show de lançamento do CD A Última Palavra Feche a Porta, aqui no Teatro Riachuelo

– Melhor Banda

Plutão Já Foi Planeta

– Melhor Cantor

Pedro Mendes

– Melhor Cantora

Silvia Sol

– Melhor Ator, Bailarino ou Performer

Robson Medeiros, pela peça A Invenção do Nordeste

– Melhor Atriz, Bailarina ou Performer

Quitéria Kelly, pela peça A Invenção do Nordeste

– Melhor Espetáculo de Teatro

A Invenção do Nordeste, do Grupo Carmin

– Artista do Ano

Alice Carvalho


FOTOS: Sergio Vilar (não tenho dos vencedores porque tive que ficar ajudando no carai do telão)

About The Author: Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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