Não, não era João Bosco no Bardallos, era o pandeiro de Sami Tarik


Vou insistir. Mais um post com variações sobre o mesmo tema: a falta de prestígio à música potiguar. Mais um exemplo vivido in loco. Mais um artista excelente. Mais um show vazio. Mais um exemplo de profissionalismo em tocar como se houvesse uma multidão.

Mas desta vez nem vou jogar argumentos como fiz outras vezes para tentar ratificar minha tese de que ainda falta público satisfatório para prestigiar nossos artistas. Claro, a situação já melhorou bastante. Mas o bastante é pouco, muito pouco.

Vou me ater aos pormenores, aos “bastidores” do show de Sami Tarik, neste último sábado no Bardallos Comida e Arte. Vou me ater aos fatos, ao acontecido, aos comentários, às impressões dos poucos presentes.

Cheguei antes das 19h ao Bardallos. Umas cinco pessoas estavam presentes. Pensei: no decorrer das horas mais umas 15 chegariam até o início do show, às 21h, e formaria um público razoável. Mas destes ficou apenas um. E pouco antes do show chegaram mais três pessoas, que sentaram à mesa comigo. No meio do show, mais três. Éramos, pois, oito pessoas na “plateia”.

Além de pouquíssimos, pelo menos os três que estavam comigo sequer conheciam Sami e foram ao Bardallos sem nem saber do show (os outros três que chegaram na metade me pareciam desconhecer, também). Era um casal que tive o prazer de conhecer ali e meu amigo Plínio Sanderson. O casal ouviu, gostou e até comprou o CD Executivo do Pandeiro, que Sami levou para venda.

No início do show o papo rolava solto. Eu tentava jogar comentários sobre a música tocada, sobre o artista. Aos poucos todos prestávamos mais atenção ao pequeno palco montado. A música atraía, o entusiasmo de um artista que, como disse, tocava sem saber quem ou quantos estavam ali. Isso contagiava.

Sami tem um setlist divertidíssimo. É um ótimo show. Balanceia canções autorais com excelentes canções clássicas, de Chico César ao Rappa. De Dorival Caymmi a Genival Lacerda. E com pandeiro. E com um violão virtuoso. E com regionalismo moderno. Tem muita sofisticação no trabalho desse cara.

Em dado momento, o casal se questiona se a canção tocada era uma de João Bosco. Afirmei que desconhecia. Ao final da música, Sami revela: “Esta é uma canção meio estranha porque foi composta por mim e Caio Padilha no período que passamos no Oriente Médio”. Nada de João Bosco – um dos compositores bambas da história da MPB.

Então é essa a impressão deixada por quem “ousa” curtir a música potiguar. Ousa descobrir. Ousa apostar em um programa divertido, pagando pouco e ouvindo coisa boa. Eu, que fui sozinho só para ver o show e tomar umas brejas, já que precisei sair mais cedo quando Sami abriu o projeto Sete e Meia, com encerramento de Mirabô, pude reencontrar Plínio e conhecer um casal gente boa, a Cris e o “Zé da Cris” (rs).

Havia muito São João espalhado pela cidade. Teve programação gratuita montada pela Prefeitura na Arena das Dunas. Teve quem apostasse em outros recantos. Eu gostei da minha escolha. Bardallos e música boa são quase sinônimos. Fica a dica para a próxima.

Aliás, outra oportunidade boa será neste domingo. Sami tocará no Som da Mata, no Parque das Dunas. Mas desta vez, como um dos integrantes da banda Qu4tro, formada ainda por Khrystal, Zé Fontes e Ronaldo Freire. Vai ousar ouvir?

sergiovilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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1 comentário

  • Cláudia Barbosa
    21 de junho de 2017 at 02:13

    Uaaaaaauuuu… que texto!!!! Sami é lindo, é um artista por essência e essencial à arte. É um privilégio conhecer e acompanhar o trabalho deste grande artista e ser humano e uma bênção tê-lo como parceiro e amigo, assim como Zezim, Ron Ron, neguinha Khrystal e todos estes artistas potiguares incríveis que acompanhamos desde sempre e diariamente e somos totalmente fãs e aprendizes.

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