POETA DA SEMANA: Iaperi Araújo

Iaperi Araújo é médico, artista plástico e pintor. Participou do movimento de renovação das artes plásticas do RN a partir da década de 60 integrando o grupo dos Novissimos com Carlos José, Dailor Varela, Marcos Silva, Walter Varela, Marcos Sá e Olavo Medeiros, sucedendo a Dorian e Newton Navarro do final da década de 40 e Leopoldo Nelson, Thomé Filgueira, Iaponi e Tulio Fernandes do final da década de 50.

Pintor naif realizou mais de 30 exposições individuais e cerca de 400 exposições coletivas a partir de 1963 na Galeria de Artes da Prefeitura na praça André de Albuquerque. Foi premiado em Salões do Estado e nacionais, sendo inclusive destaque da Bienal Naif de Piracicaba em 1994 no módulo “Mestres do Brasil”.

Já publicou 76 livros entre poesias, romances, ensaios sobre medicina popular e folclore, além de livros sobre a Medicina. Na poesia publicou quatro livros premiados nos concursos Othoniel Menezes da Prefeitura de Natal e Jorge Fernandes da UFRN. Os poemas a seguir foram selecionados desses quatro livros.

Iaperi Araújo é nosso POETA DA SEMANA.

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Há nas árvores o mesmo pranto
Do gesto maior contido
Na colheita, amargo oficio,
Ou na vida mal vivida
Que se faz prenhe de dores,
Quase a mesma monotonia
Dos tons exatos das cores.”

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Meia avô paterno buscava no mato
(o morto vestido, não usava sapato)
A morte emboscada numa cruz da estrada.
As tantas raízes do homem na terra
(meu avô paterno queria outras serras)
Sumiram na morte de homens sem sorte.

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Marinete, não sei o que, simplesmente Marinete
Vivia no seu castelo, sem torre, sem minarete
Fazendo a vida que nunca
Desejou um ser vivente.
Mulher-dama cobiçada por todo campo maior
Sempre foi rainha e dama de todo e qualquer senhor
Desde que tivessem posses prá bancar o seu amor.

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A nobreza assinalada em muitos mimos e adules
Não estava preparada prás intrigas, pros bajules
No jogo troca favores jogado pelos senhores
Na mesa dos muitos pules.
A nobreza Cunhau não estava preparada
Pro assédio, prás babadas
Prá politica das mentiras como última cartada.

About The Author: Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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