POETA DA SEMANA: Damata Costa

João da Mata Costa (Damata Costa) é doutor em Física e professor da UFRN. Bibliófilo, escritor e poeta, escreve em jornais, revistas e blogs da capital há bastante tempo. É colunista do Substantivo Plural desde o seu início. No facebook mantém as páginas Quixote com Rosas e seu perfil pessoal para divulgar suas publicações. Tem poemas publicados no Livro “Sangria e outros poemas”, provenientes do Concurso Literário Américo de Oliveira Costa, além de outras publicações. Colecionador e amante das artes, estudioso de Camões, Joyce, Cervantes e da Cultura Popular, comemora desde 2002 o Dia Mundial do Livro e o Dia de Camões.

João da Mata é nosso POETA DA SEMANA!

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A LÍNGUA

A Língua é nossa identidade
A Língua é a alegria dos homens
A nossa também é feita de suspiros
Arrastando luxúria e dizendo loas e palavrões
Fala um dos mais belos idiomas e diz saudades
Peregrina, carrega consigo a voz de três raças tristes.
Juntando a todos nos no mesmo tronco do ão.
Carregando a poesia de todos os desejos
A melancolia que teima em não deixar
E a exaltação com que toca o nosso céu.

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CERCAS

Cercas do meu sertão só
Pedras do meu Caicó arCAICO
pedras que cercam solidões
e casarões de duas águas.
Cercas do meu ser tão encurralado
Cercas de pedras e paus
Isolando as chapadas sertanejas
Cercas de Avelós marcando paisagens
Cercas de Cama com armação em arcos
No meu do caminho uma cerca
De ramada
De pau -a- pique
De enchimento
De pau em pé
Com passagem, passo ou passador
Se as pedras dividem – o coração
ajunta – o que o tempo esconde
nas dobras da grande civilização.
Sertaneja.

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DE CAICÓ PARA O MUNDO

a Moacy Cirne

Homem galego do Seridó
Num eterno processo
O poema
Moxotó, camará a catingueira
Sustentam a vida
Ele foi muitos amores
Um tricolor apaixonado pelo cinema
Estudioso do quadrinho
Poeta
No seu balaio porreta cabia o mundo
Odor de zimbro e chumbo
Meu sertão caritó
Pediu para ser enterrado no seu Caicó amado
Onde aprendeu a gostar de cinema
Caicó e Jardim do Seridó
De homens-ferros,
Cachimbos, galegos
Judeus e Portugueses
O papa para alguns
De chinela cavalgou mundos
A doença suspende a vida – letargia -morte
Não, encantamento !
Moacy está bem vivo em nossos corações e artes
Milton seu irmão
Fátima Arruda sua ultima companheira
AMIGOS
Meus sentimentos
Vivendo estamos doendo
Morrendo estamos partindo para o reino de Hades
Não há fim para essa lembrança.
Engenho torto
Açúcar o sangue
Chouriço espécie
O sol a carne
Queijo de coalho e linguiça
Saudades querido Moa
Sefus gões
Quadrivium
Guerra – o Padre Nosso
E Sant´ana a nos ensinar.

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JANELA

De minha Janela
Vejo as dunas
E sinto o mar
Toda tarde uma pintura no céu
Visto da minha janela
O big jump flutua e
O passarinho voa saindo do chão
A noite vem e forma uma aquarela drapejada
A noiva do céu segue o ser cortejo e reina por entre estrelas
Da concha celeste.
Um bouquet é jogado.
Na praia um tapete prateado.
Pescadores atiram a rede
No oceano virtual da net.

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QUATRO HORAS

Sim, eu disse sim te espero às quatro
De uma tarde onde tudo acontece
Leio as horas de um tempo cuco.
O corpo diz sim amar o mar.
Um dia todos os dias de um poema
Nunca terminado: vozes, sons e risos
Se encrespam em outros monólogos
Chega à noite e tento te abraçar.
A tarde gris de um roteiro lentamente
Suspirado sem ponto final e declamação
A vida é o durante
Respiro, suspiro e morte
Tudo acontece antes do anoitecer.
São quatros horas da tarde.
E espero…

About The Author: Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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