POETA DA SEMANA: Cláudia Borges

Cláudia Borges é natural do município potiguar de São Vicente, porém reside em São José de Mipibu, onde trabalha como educadora social. É poeta, cordelista, contadora de estórias. Navega por vários etilos literários que vão desde o popular ao erudito. Mas sua grande paixão é mesmo a literatura de cordel, na qual a autora derrama a alma em versos saudosos de sua terra natal. Tendo se apresentado em vários festivais como poeta declamadora, ela realiza muitas oficinas de cordel em escolas. Membro imortal na Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel e poeta da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins, não tem livros publicados. Entretanto, seu acervo poético é vasto, composto de inúmeros poemas inéditos escritos em vários estilos, como: sonetos, trovas, crônicas, prosas, poemas de versos livres, contos, causos matutos e também três livros escritos voltados ao público infanto-juvenil (à espera de oportunidades para serem publicados).

Cláudia Borges é nossa POETA DA SEMANA:

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RETALHOS DE MIM…

Retalhos de mim…
lançados ao vento,
dispersos pelo tempo,

Extenso nevoeiro de sonhos,
com formas expectrais,
desdenham de fragmentos dissipados,
minúsculas partículas, juntam-se como um todo,
cerzindo um tecido, que o tempo rasgou
Formando uma colcha de retalhos
Retalhos puídos
Retalhos de mim…

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PENSAMENTOS MEUS!

Ao olhar-me no espelho hoje cedo,
Encontrei uma mensagem bem singela
Escrita na íris do meu sonho
Fosco olhar tristonho dentro dela
Os olhos que o espelho refletia
Eu os vi, opacos e sombrios
retratos de meu interior
Recipientes sem vida e vazios
Vislumbrei nas pupilas dilatadas
Fantasmas que habitam o meu ser
Meus lábios desenharam um sorriso,
Vermelho escarlate de sofrer…
Nos recônditos de minha alma eu vislumbro
Um arco-iris sem cor sem fantazia ,
Jardim estéril que floresce
Nas estrofes “duma bela poesia!!

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SONHOS DE POETA!!

Sou um grito que ecoa no silêncio
gelo e brasas, em eterna agonia!!
Um oásis de pranto e fantasia…
O mistério do sonho é de certo,
essa mola que impulsa a poesia,
que transforma a dor em alegria
com os olhos da mente, o longe é perto!!
Poesia, dor, paixão, doce tormento.
dilaceram meu peito sem pudor,
queimadura de quinto grau”o amor”
qual fantasma rondando o pensamento
não ha corpo, ternura nem ardor
só a visão do pobre sonhador
Desejo de carícias e alento
Quão delírios de paixão, doce quimera,
sangra o peito do poeta apaixonado!
mil canções de amor, enamorado
seu sonhar: perfumada primavera…
Dionízio seu vinho lhe ofertou
ébrio e sóbrio, o sol o despertou
Ao seu lado, a viola já o espera..
Quem buscar sentido no meu verso,
só encontra do poeta, a ilusão
palavras ao vento lá se vão,
por um mundo só meu, meu universo
ing iang, meu côncavo meu convexo,
virginal, lascivo e desconexo
cambaleante entre a loucura e a rasão!!

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QUEM SOU EU?

Eu nasci nas areias do deserto,
Beduíno, errante do destino
Entre mundos paralelos, peregrino,
Se sou homem, mulher…não sei ao certo!
Os meus pais foram, rima trova e verso
Meus irmãos, se perderam no caminho
Eu, um pássaro solitário sem ter ninho
A procura do que? não sei ao certo…
Sou a bala que acerta e que não falha,
Sou a mão que afaga o sofredor
Minha língua, portadora do amor
Corta mais do que aço de navalha,
Sou o grito que a paz não atrapalha
Provedora de prazeres, dor sem fim
Escondidos estão dentro de mim
Anjo bom, virginal…doce canalha
Sou quentura nas noites de inverno
Sou a brisa que sopra no calor
Sou um anjo mortal, sou protetor,
Sou pureza ou malícia do inferno
Tal qual ursa, a seu tempo, eu hiberno
Pra despertar como loba em pleno cio
Uivando para a lua em desafio
Nesse ciclo animalesco e eterno…
Sou poeta que vive a fantasia
Jurití que canta sua dor
Alma errante, sedenta de amor
Sou tristeza, sou dor, sou alegria
Sou prazer que sufoca em agonia
Sou a lágrima que brota num sorriso
Sou o mal que te leva ao paraíso
Eu sou trevas, sou luz, SOU POESIA!!

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EU E O TEMPO

Espelho…espelho meu!!
O que fizeste comigo?
De tua ardorosa fã,
Tornando-se inimigo…
Ah! bela…viçosa e gentil!
Mais que todas as donzelas cortejada
Eras do pintor inspiração,
Do jardim, a flor mais perfumada
Menina de louras tranças
A musa dos trovadores
Abrilhantando salões
Despertando mil amores
Sou o reflexo do tempo
Que não para de girar
Mas memórias de outrora,
Para sempre, hão de ficar…
Teu belo rosto, enrugado
Foi o tempo que marcou
Tuas curvas sedutoras
Tal vilão, não perdoou
Não te turbes anciã…
Teu inimigo não sou
Sou tão somente o reflexo
Daquilo que se mostrou
A semente que plantaste
Pelo tempo foi regada,
E reflete nos teus frutos,
A beleza renovada.

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SAUDADE!

Primeiro foi chegando um vendaval,
Nuvens negras me diziam: tempestade!!
Caíram gotas de chuva de saudade,
Me atolando em um vil lamaçal

Hó tu que partistes pondo-se em fuga!
Dilacerando meu eu, sem piedade;
A face que ficou, chora de saudade
E na poesia, as lágrimas enxuga

Minha saudade foi meu ventre que gerou,
Era feto…menino…homem voou…
E do seu canto, levou a alegria…

Qual um pássaro seu ninho construiu
Alçou voo e o ciclo prosseguiu,
Me deixando em grades de agonia!

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LÁPIDE DE MIM!

Eis meu corpo , lápide do meu eu!
Nebulosa formidável tumba.
Esconsa secreta catacumba,
Que abriga teu corpo junto ao meu.

Nesse fantasmagórico ambiente
De ossos, carne, nervos e sentidos,
Mãos gélidas sufocam meus gemidos
Em mórbidos versos, gozo lentamente…

Quedo-me sem luz como um sol posto
Amando miragens fantasmas já sem rosto
Moribundo prazer, sacra fantasia…

Relicário de segredos escondidos
Túmulo que sufoca sonhos não vividos
Misto de ilusão… feitiço… poesia!!

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DESEJO

Em alvo seio, lágrimas escorrem
Viajam por meu ventre cegando-me,
A sós, sem leme meus sonhos percorrem,
O cheiro do meu sexo embriagando-me.

Mulher, desejo, cidade de portas mil!
Qual ave sinto o ninho dos teus pelos,
Afogai-me em teu ser, anjo subtil !
Não negais a estes lábios seus apelos.

Entregai-me depressa a lua cheia
Dai-me um soneto em explosão final,
Transportai-me a campos estrelados,

Matai esse desejo que crucia,
Qual a aurora que se rende ao dia
Ai! Que peco sonhos encarnados!!

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RETRATOS DE POETA

Eu que sempre pensei ter as respostas,
O que fiz por mim só me trouxe solidão
Nuvens soturnas qual capulhos de algodão,
Hoje são telas de ilusão expostas

Olhei a águia e tentei voar!
Olhei a água e segui seu curso,
Desaguei num abismo sem recurso,
Queimei a íris tentando o sol mirar

Na vida sigo, meu verso escrevendo,
Sabendo que no tempo vai morrendo,
O poema da vida é o meu motivo…

Versos que jorram qual uma cascata
Da verve pura que meu sonhar retrata,
Por ser poeta permaneço vivo!!

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SONETO FELINO

Pelos sons da noite, felina orgia.,
Em difícil rota, por muros. telhados
Seresteiros, da noite enamorados
Cantos ao luar, min’halma arrepia!!

O som da volúpia é tal qual aragem,
Meu eu; solo fértil ao final do dia,
Eis que mergulho nesta fantasia
A cerzir retalhos de tua imagem

Já o baile de luxúria foi embora
Madrugada e eu, sozinhos agora
Em explosivos orgasmos de festim

me sentindo desnuda em pleno inverno
Queimando no calor gélido do inferno,
Flertando a solidão que habita em mim !!

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A ILUSÃO E EU

Que me ofusque a luz do teu olhar,
Pra que cega de amor eu não pereça
Nossa noite de amor não amanheça
E assim, não desperte em meu sonhar

Èbria de amor e fantasia,
Sem sombras para o sol, sem luz da lua…
Entre nossos lençóis em meio a rua
Faz-me tremer, orgasmos de poesia!!

Ilusão e eu, somos côncavo e convexo
Ing iang, obsoleto e desconexo
Corpo esguio furtivo em passo lento

Soluça a pélvis imaginária
Sacra paixão da alma sedentária
Mil fagulhas febris que acalento…

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ROSA DO TEMPO!

A rosa do tempo vestida de encanto
Ao calor de beijos aquecida,
De rubra cor, agora esmaecida,
A banhar-se no orvalho do seu pranto.
Em frias noites de poesia e dor
Solfejando em matizes desmaiadas,
Flor bendita, não tombes desolada
Com verdes cantos suplique aos céus calor!
Agasalhas a poesia com ternura
Como outrora nos dias de ventura,
Em que amastes mil sonhos ridentes…
Dentre os resíduos dessa flor mimosa
Faz a flor poeta ressurgir viçosa
Desabrochar em sonhos subtis, ardentes!!

About The Author: Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

Comentários

  • Reply Cláudia Borges de Oliveira

    Olá meus queridos amigos(a) poetas ou amantes da poesia: Sinto-me feliz e agradecida pela oportunidade de estar tendo alguns de meus retalhos poéticos aqui expostos. Nada é mais gratificante para o criador que contemplar sua criação através dos olhos de outrem e captar respeito, admiração até nesse simples gesto de ” enxergar”. Quero registrar minha profunda gratidão ao Deus dos céus,, a minha mãezinha (in memórian) Francisca Borges, que como consta em um livro do pesquisador Guthemberg Costa sobre a presença feminina no cordel e no repente, minha mãe foi uma das grandes pioneiras daqui do RN nesta arte, a ela, devo o amor a poesia. Bom: Não quero citar nomes para não cometer o pecado de esquecer alguém, contudo, fica registrada minha gratidão a todos os envolvidos neste belíssimo e importante trabalho de disseminação da nossa poesia e poetas. Grata pelo reconhecimento e que como diz nossa presidenta Ozany Gomes: “QUE SEJA ETERNO O FLORESCER DA POESIA” OBRIGADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!

  • Reply Cláudia Borges de Oliveira

    Nada é mais gratificante para o criador que contemplar sua obra através dos olhos de outrem, captando assim no simples ato de “ENXERGAR”, respeito, admiração e reconhecimento. Tenho a honra de ver alguns de meus retalhos poéticos aqui expostos. Não desejo cometer o pecado de esquecer nomes ao tentar agradecer, portanto: Agradeço a Deus que me concedeu o amor pela poesia e a PVA RN pela oportunidade. Que este prazeroso trabalho de disseminar nossa poesia e poetas,se agigante ao ponto de não poder mais passar despercebida, a flecha já foi lançada, não poderá mais parar até atingir os corações dos que amam o que é belo, VIVA A POESIA!! OBRIGADA!

  • Reply Cláudia Borges de Oliveira

    Nada é mais gratificante para o criador que contemplar sua obra através dos olhos de outrem, captando assim no simples ato de “ENXERGAR”, respeito, admiração e reconhecimento. Tenho a honra de ver alguns de meus retalhos poéticos aqui expostos. Não desejo cometer o pecado de esquecer nomes ao tentar agradecer, portanto; Agradeço a Deus que me concedeu o amor pela poesia e a SPVA RN pela oportunidade. OBRIGADAAAAAAAAAAA!

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