Poemeto para todas as elas-e-ex que sonharam junto com você


Poemeto da Burakera #1

L’amorpasión é um querequetê daporra!

a noite viaja dentro de mim
e eu viajo dentro da noite
caminho entre esquinas e postes
caminho entre sintomas e lembranças
vultos passam borrifados de luz urbana
sombras se cincham nas sombras
pessoas e bares penetram meu olho vadio
ruas se cruzam e correm pelos mistérios urbanos
de mim saltam desejos e paixões

este é o bar do Lourival
natal, brasil-esquina
é meia-noite
e tudo vai bem!
busco pedaços de mim
girando com a noite
busco pedaços de mim
onde ela?
em que mundo está?
e por que esse silêncio tanto?

a noite viaja dentro de mim
e eu viajo dentro da noite
nas esquinas a noite sorri
pequenos sorrisos misteriosos
e os passos do destino ecoam
nas ruas desertas
postes passam e dançam
sua dança urbana
lembranças voam como morcegos
aperta coração!
aperta coração!

aqui e ali paixões acendem e apagam
de gás néon se faz a saudade
pares e trios dançam e dançam
todos os boleros perdidos
meu olho vagueia perdido nos closes de mim mesmo
e nessas minhas lonjuras perdidas
encontros e desencontros pinicam

ah! essa lua…
louca lua nua
porra! para com isso lua!
para com isso!
ah! essas imagens que doem
ah! esse copo que me olha cheio de lágrimas

em cada esquina
pares e trios dançam e dançam
a dança dos amores-perdidos-e-achados
a dança do ventre-inchado-e-parido
esses boleros intocados
essas coisas de ciúme e amor
ah! essa lua…

este é o bar do Lourival
que vem a mim
natal, brasil-esquina
é meia-noite
e tudo vai bem!
a noite viaja em mim
eu viajo na noite
onde ela?
onde ela, sem mim?
ei, garçon! dá pra cá outra dose!

de repente
assim de repente
do fundo do copo
do fundo do poço
do fundo do chopp
jorram perdas e danos
imagens indo e vindo
atravessando carne e sangue
gaivotas e nuvens
a praia distante
meu corpo
teu corpo
e o gemer
de olhos entre olhos
entrelaçando o vôo de pernas
ao vento lançadas
como pares de gaivotas
traços-tracejando gemidos no infinito
traços-tracejando beijos para sempre inacabados
de paixão inacabada
de desejo inacabado
de história inacabada

é meia-noite
e tudo vai bem!
mas será que tudo vai bem?
que imagens são essas?
que traços são esses?
que lembranças são essas?
e essa dor?
por que essa dor?
não importa!
arriba, hermano! arriba!
velas ao vento!
leme firme!
adelante, hermanito!
nestas noite as coisas não têm nome
nem sentido
nem mesmo prazo de validade
nesta noite tudo é frenético
e no porre proibido que se avizinha
eu rasgo a história que eu amo

meia-noite!
e tudo vai bem!
dentro de nós
bem dentro de nós
a los lejos dentro de nós
cresce a música do destino
solidão e exílio
cais e pedra
barco longe navegando
no horizonte de ilusões
e o voo de gaivotas perdidas

mas porque esse rumo de solidão?
se tudo foi amor y pasión?

cresce cresce cresce
cresce essa história da gente
e de gentes
essa história de saudade
e saudades
cresce e faz doer
esses sonhos antigos
esses desejos travados
ah, a música do destino
a los lejos crescendo
dentro de nós

ei, garçon! dá pra cá outra dose!
onde ela?
onde ela, sem mim?
dá cá essa dose que eu vou mijar!
quem sabe ao certo dos sonhos líquidos boiando
nos mijos dos bares?
quem sabe dessa saudade escorrendo?
quem sabe certo de saudade?
esse mar de saudades
penetrando em mim
batendo
correndo
fluindo
puxando
e repuxando

aperta coração!
aperta!
aperta e rebenta de uma vez!
mas… e os peixes?
onde estão os peixes?
peixes e poetas
almas nervosas
mergulhando nos mares e bares
fluindo nadando
contracorrentes
contradistâncias
contrasaudades

a noite viaja dentro de mim
eu viajo dentro da noite
desde o coração
as coisas pulsam
melodias tocam
e meu corpo no teu corpo dança
o último bolero
olhos deslizando
e afundando
ah! é meia noite
e tudo se precipita
minh’alma se embriaga de ti
onde aquela pasión?
onde? onde?
um bolero
toque outro bolero!
toque outro bolero!
e deixe essa onda quebrar em nós
dá cá essa dose!
que eu quero lavar a saudade
dá cá essa dose!
que eu te quero aqui
na minha pele
na minha perna
no meu olhar
dá cá essa dose!
que eu te sinto como nunca

ah! essa sombras antigas de nós dois
aquela ternura
aqueles sons
nossos segredos
nossas palavras
dá cá logo essa dose!
que eu não aprendi a nadar nesse mar de
desencontros e silêncios

dá cá essa dose!
que eu te quero junto a mim
até o final dos tempos
até o final dos mundos
até o final do final sem final
dá cá logo essa porra dessa dose que eu vou mijar!
vou mijar minha história
vou mijar nessa vida de perdas-e-partidas pra lugar nenhum

êi-ô-êi!… ti funcs mané!.. que caboclos e saudades tão baixando
xorcotô beriló!
pé-de-pato managalô treis veis!
sapralá tristura!
sapralá quiumba!
sapralá deprê!

êi-ô-êi!… barrufa mané! barrufa!
que-tô mijando e andando
em minhas todas lembruxas, zin fio!

êi-ô-êi!… barrufa mané! barrufa!
barrufa essa marafa!
e deixa o banzé rolar
que l’amorpasión é um querequetê daporra!..


Do livro engavetado PORRA de POEMAS – Canto 1 – Barginálias e Vaginálias
Tags:
Ruben G Nunes

Desfilósofo-romancista & croniKero

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