POETA DA SEMANA: Marcelo de Cristo

Marcelo de Cristo, ou simplesmente decristo. (como costuma assinar seus poemas e escritos) é poeta natalense. É também pesquisador, professor e formador de professores de inglês em cursos da Universidade de Cambridge, e atua na formação continuada de professores de língua estrangeira nas redes pública e privada Brasil afora. Escreve uma coluna no blog da Editora Richmond/Moderna, além de poemas curtos, publicando-os em sua página pessoal no facebook. É autor da primeira trilogia cromático-poética potiguar: “tons de ver-te” (Jovens Escribas, 2015), “tons de amar-ela” (Jovens Escribas, 2016) e “tons de ver-melhor” (Jovens Escribas, 2017 – no prelo). É membro da SPVA-RN, tendo participado como convidado também da Coletânea de Poetas da UBE-RN 2015. Seus poemas também podem ser vistos circulando nas revistas Kukukaya e Folha Poética. Contribui ativamente com três projetos literários de incentivo à Leitura no estado: a Ação Leitura, a Caravana de Escritores Potiguares e o Poetas na Escola. Abaixo seguem poemas dos dois primeiros livros lançados pelo Jovens Escribas e os últimos quatro são inéditos, do próximo livro!

decristo é nosso POETA DA SEMANA:

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quando eu estiver
num balão de oxigênio
será que finalmente darás
o ar da graça?

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cansado de tuas mentiras
fiz uma simpatia
e plantei um pé-de-meia

mas só colhi
meias verdades

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praia do forte
as ondas contra os arrecifes

e sem querer
tua cabeça contra meu peito

golpe de sorte
tocastes meu lado mais fraco

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tuas lágrimas
fazem de teus olhos
espelho

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há muros
onde não
amores

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na crise,
os juros
aumentam.
as juras
também.

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coloquei nossas fotos
na nuvem:
choveu momentos
felizes.

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domi-cílios:
meus olhos
fixaram morada
nos seus

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perdoe-me a bagunça

ainda não tive tempo
de por o
corçaoã
em ordem

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dia a dia
dia adia
dia a dia
dia adia
dia a dia
dia adia
e os sonhos
vão ficando
para trás…

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amor:
velha camisa amarrotada
que tantas vezes
deixei passar.

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Estamos há 15 bilhões de anos
da criação do cosmo,

há 4 vírgula 5 bilhões de anos
do surgimento da terra,

e há uma simples lembrança
do beijo que nos fez mundo.

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REMINISCÊNCIAS

comunidade à noite
o riscar das balas
lembranças do açoite

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NEGRO

sem pão
sem estudo
sem emprego
sem-terra
sem-teto
senzala

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QUARTO DE EMPREGADA

estudamos
estudamos
estudamos
mas ainda não fizemos
a abolição de casa

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URBANISMO

favela
urbanizada:

arquitetura
de inferiores

About The Author: Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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