Uma droga demasiadamente humana no caminho de Lady Di

por Marcius Cortez

A Rainha Mãe sabia a hora que Diana e Dodi costumavam deixar o hotel para se encantar na noite da charmosa Paris. Nesse momento, os paparazzis já estavam programados para abordar o casal dentro do túnel. O reputado motorista Henri Paul, que conduzia a Mercedes-Benz do noivo, mordeu a isca e quis correr mais do que a luz. Na Ponte D’Alma havia uma curva fechada e a armadilha provocou a amargura que marcou o mundo.

O fim da Princesa do Povo, que estava esperando um filho do Dodi, foi chorado em todos os recantos do planeta por bilhões de pessoas sob o efeito de uma droga humana demasiadamente humana chamada ilusão.

Passado o impacto, seguiu-se a secreta apuração. Como costuma acontecer nesses procedimentos, a pizza demorou para ficar pronta. Por fim, um dia saiu o exame laboratorial provando que Henri Paul estava bêbado e que o seu sangue estava mais branco do que o álcool. Nisso os fiéis servos da Rainha Elizabeth são perfeitos.

Logo o planeta que chorou a morte da Princesa se convenceu que a fatalidade abraçou a Lady e que sua hora chegara. No entanto, apenas uma voz se levantou contra a unanimidade mundial, foi o pai do noivo, o poderoso milionário Mohamed Al-Fayed, um homem de fortes crenças e de alta fé. Pois bem, esse homem era muito convincente quando dizia “motorista meu não bebe”.

Até hoje reina o mais completo silêncio sobre a denúncia que havia uma jamanta estacionada justo no fim da tal curva fechada. Fala-se também de um misterioso Fiat Uno branco que teria cruzado o caminho da Mercedes. O dono do Fiat apareceu morto, com uma bala na cabeça. Arquivos queimados, a “rigorosa” apuração foi encerrada.

Rendo-me ao belo trabalho do Serviço Secreto da Rainha e da sua assessoria de PR. No próximo dia 30 de agosto, será celebrada em Londres, uma cerimônia pública para lembrar os vinte anos da morte da Princesa. Aparentemente está tudo bem, as pessoas parecem convictas de que tudo aquilo não passou de uma terrível fatalidade. Comovida, a Rainha Mãe cumprimentará a família de Diana Spencer.

A lição que podemos tirar da morte da Princesa é que as coisas que giram o mundo acontecem nos bastidores. Em “The Queen”, filme dirigido por Stephen Frears, tem uma cena onde, de costas, Elizabeth parece estar se debulhando em lágrimas. Mas logo tudo cessa, logo ela está encarando a câmera e armando o bote de um sorriso sedutor. A Velha Senhora e a droga chamada ilusão venceram mais uma. O suave veneno da Princesa do Povo não contaminará a imagem da Inglaterra superior, real, pura, nobre. God save the Queen.

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Marcius Cortez

Cinco livros publicados e o jogo ainda não acabou. Escrever é um embate que resulta em vitórias, derrotas e empates. O primeiro livro de Borges vendeu apenas 37 exemplares. O gol é quando encontramos um significado que melhore a realidade.

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