30 anos de um álbum clássico da música pop

O ano de 1987 foi de grande movimentação no cenário da música pop mundial, basta dizer que nesse mesmo ano foram lançados discos considerados ícones na cena musical americana: “Whitney” da cantora americana Whitney Houston, “Bad” do, na época, megastar Michael Jackson, e a então iniciante Madonna lançava a trilha sonora do filme “Who’s That Girl”, longa-metragem que foi um fracasso comercial, mas teve o single (música de trabalho e música de divulgação) da jovem cantora como grande sucesso.

Outro estrondoso evento do ano foi “Dirty Dancing”, (no Brasil, Ritmo Quente) a trilha sonora original do filme homônimo, que também vendeu milhares de cópias no mundo todo, embalado pelas canções “I’ve Had The Time of My Life” da dupla Bill Medley & Jennifer Warnes e “She’s Like the Wind” de Patrick Swayze.

É em meio a essa cena musical, que George Michael, jovem cantor inglês de 24 anos, viraria uma espécie de popstar dos anos 80, usando jaqueta, com barba por fazer e brinco na orelha. O disco “Faith”, seu primeiro álbum solo (1987), foi considerado por muitos críticos musicais como um dos maiores discos da história da música pop. George Michael, surgiu já com uma certa bagagem, pois anteriormente participou de um uma dupla pop chamada Wham, que estourou nos Estados Unidos e Europa, com sucessos como Wake Me Up Before You Go Go, Freedom, e a balada romântica Carelles Whisper, que foi hit numero um nas paradas de sucesso do mundo todo.

“Faith” tinha em sua fórmula um jovem cantor e compositor no auge da criatividade, uma linda voz, boa aparência e repleto de referências soul, gospel e pop. No disco, além de haver tocado vários instrumentos, ele compôs e produziu praticamente todas as faixas. Músicas como “Faith”, “Father Figure”, “One More Try”, “I Want Your Sex” “Kissing a Fool”, “Hard Day” e “Monkey” tornaram-se mania nas rádios do mundo todo.

O álbum rendeu a George Michael quatro músicas em primeiro lugar nas paradas de sucesso. Foi também o primeiro disco de um artista branco a chegar ao topo das paradas de sucesso Rhythm and blues, voltado para a música negra dos Estados Unidos. “Faith” gerou no total seis faixas de sucesso que o ajudaram a dominar as paradas musicais entre 1987 e 1988, tornando-o o único artista masculino britânico a ter quatro hits número 1 de um único disco na América.

Atingindo o top das paradas americanas, seu êxito precoce e contínuo no cenário da música foi sustentado também com a ajuda de muitas aparições e promoções na imprensa (tevês, rádios e capas de revistas) e uma imensa turnê mundial (que infelizmente não passou pelo Brasil); “Faith” canção que dá titulo ao disco, foi a música mais vendida de 1988 nos Estados Unidos.

Mais números e premiações

George Michael superou muitos artistas da época, e se igualaria aos grandes nomes globais do período como Whitney Houston, Prince, Madonna e o próprio Michael Jackson, que, inclusive perdeu em todas as categorias que concorreu com George Michael no “American Music Awards” (1989), uma das maiores premiações anuais da música norte-americana.

“Faith” ganhou o Grammy na categoria Álbum do Ano, além de vários outros prêmios, emplacando o álbum número um do ano e o single número um. Isso não acontecia desde 1970, quando Simon & Garfunkel agarraram ambas as posições com “Bridge over Troubled Water”. “Faith” também alcançou o número um do pódio no Reino Unido, onde ficou no primeiro lugar por uma semana. No total, foi o álbum mais vendido de 1988 nos Estados Unidos e ganhou disco de diamante.

De acordo com a Nielsen Sound Scan, as vendas atuais apenas nos EUA, representam 11 milhões de cópias, tornando-se o 52º álbum mais vendido naquele país. No mundo todo, o disco vendeu cerca de 25 milhões de cópias, e continua fazendo sucesso, sobretudo com suas músicas aparecendo em trilhas sonoras de filmes americanos contemporâneos.

O álbum também traria para George Michael o lado amargo da fama. Depois do sucesso da estreia, decepcionado com a notoriedade, ele entra num processo judicial para se desligar da gravadora Sony e nunca mais seria o mesmo; passaria praticamente o resto dos seus dias abusando de álcool e drogas e escândalos, lançando discos apenas esporadicamente, além de sofrer grandes perdas pessoais e familiares, que o tornaram melancólico e solitário.

George Michel faleceu com apenas 53 anos, no dia 25 de dezembro de 2016 em sua mansão na Inglaterra.

About The Author: Thiago Gonzaga

Thiago Gonzaga

Pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros.

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