[ENTREVISTA] Isaura Rosado deixará comando da Fundação José Augusto

A presidente da Fundação José Augusto, Isaura Rosado, deixará a gestão nos próximos dias para integrar a equipe política do sobrinho Betinho Rosado durante a campanha.

Foram quase dois anos no comando da cultura estadual, período o qual, como ela mesma cita, trabalhou mais como secretária de infraestrutura, tocando obras fundamentais ao cenário cultural do Estado.

O substituto de “titia” Isaura ainda é incerto. Quem vier herdará o andamento de obras em equipamentos culturais como o Teatro Alberto Maranhão, o Teatro Lauro Monte Filho e a Biblioteca Câmara Cascudo.

Na entrevista a seguir, Isaura comenta a situação dessas obras, fala de seu legado enquanto gestora cultural e outras questões. Confira.

ENTREVISTA

Foram aproximadamente dois anos de gestão. O que a senhora deixou de mais importante no período?

Meu compromisso com o governador Robinson Faria foi tocar as obras previstas no acordo com o Banco Mundial/Governo Cidadão. Então trabalhamos nessa direção. Fortalecemos o setor de obras da Fundação José Augusto. Até dizia que estou mais para uma secretária de infraestrutura do que de cultura.

Nesse período concluímos a obra do Teatro Adjuto Dias (Caicó), que já está em plano funcionamento, assim como o Museu Café Filho. Estamos para entregar nos próximos 40 ou 60 dias, a Biblioteca Câmara Cascudo, uma obra muito esperada pela sociedade. E ainda o Memorial Câmara Cascudo, cuja obra está bem adiantada.

Temos contrato assinado para restauração do Teatro Lauro Monte Filho, de Mossoró. Essa foi uma ação muito trabalhosa, penosa, partindo de um destrato com a empresa anterior. É uma obra em torno de 4,5 a 5 milhões de reais. E a obra foi contratada essa semana.

Ainda nesse universo de obras contratadas pelo Governo Cidadão temos licitações com processos já entregues ao Governo Cidadão. Um é da Escola de Dança do TAM, com projeto completo. Também o Palácio do Governo. E essa semana entregaremos o da Fortaleza dos Reis Magos também para licitação.

O que havia de pendência já foi adiantado ontem com a entrega do projeto da caixa cênica do Teatro Alberto Maranhão ao Iphan. Não podíamos licitar a obra de restauração de um teatro, investir 6 milhões de reais e não trazer aos atores as inovações tecnológicas para melhorar o desempenho de luz, som, refrigeração. Vagner (Araújo, secretário de gestão pública), Tatiane (Mendes Cunha, gerente executiva do Governo Cidadão) foram muito sensíveis em autorizar mais esse projeto para acrescentar à obra de restauração do TAM, para que o teatro não seja entregue apenas aos arquitetos, mas também aos artistas.

E ainda falta um projeto, avaliado essa semana, que é o Planetário na Zona Norte.

Portanto, de dez obras previstas, duas foram concluídas, duas em fase avançada de conclusão, uma com contrato avançado para licitar e três ou quatro já entregues ao Governo Cidadão para licitar.

E o que faltou na sua gestão?

Eu queria inaugurar todas essas obras (risos). Mas efetivamente a campanha do meu sobrinho, o deputado Beto Rosado me chama e eu preciso ajudá-lo. E eu gosto também de campanha, de política. Mas com certeza quem me substituir vai encontrar um caminho bem trilhado e uma equipe de obras muito boa da FJA.

A maior probabilidade de assumir o posto da senhora é o atual adjunto Iaperi Araújo? Se não, quem a senhora cogita lhe substituir?

Iaperi Araújo e Isaura

Iaperi tem todas as condições, como muitas outras, com tempo e estrada para fazer um bom trabalho ainda este ano. Sei que o governador tem inspiração e lucidez para uma boa escolha, junto aos assessores dele.

Mas como sou uma batalhadora da cultura estarei sempre à disposição para ajudar no que for necessário, no que for uma bandeira da cultura. Vou estar por perto, dentro das minhas possibilidades.

A senhora, junto com Dácio Galvão, foram os gestores mais longevos no comando da cultura, do Estado ou de Natal. Qual o grande legado deixado pela senhora nesses anos?

O que me orgulho muito são os grandes espetáculos a céu aberto, que conseguimos impulsionar a vida cultural, sobretudo em Mossoró com o Chuva de Bala no País de Mossoró e o Auto da Liberdade. Muitas gestões se passaram e deram continuidade a esses espetáculos que nós criamos. Lamento muito que Natal não tenha feito isso com o Auto de Natal, que foi o primeiro que fizemos, ainda quando Wilma foi prefeita.

Com relação ao movimento artístico, acho que esse foi o grande legado. Pense aí 20 anos de espetáculos, com 400 a 500 mil reais ao ano distribuídos para cada um desses espetáculos, quanto isso não injetou na vida artística de Mossoró, de figurinistas, direção, cenários, etc. Isso me orgulha muito.

E nessa passagem mais recente, no governo de Robinson, os investimentos de quase 30 milhões de reais em equipamentos culturais. Isso também me deixa muito alegre. Trabalhar e investir meu tempo, meu poder de sedução e convencimento para as pessoas trabalharem muito mais também me orgulha porque deixa a garantia que nos próximos 200 anos, Natal e o Estado terão esses equipamentos culturais em condições de funcionamento e visitação, desenhando esse perfil arquitetônico tão bonito que o Estado tem.

About The Author: Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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