Michel Temer coloca índia potiguar no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria


Se o ministério do presidente Michel Temer é tomado pela macharada, o peemedebista esboçou seu lado feminista ao colocar duas mulheres no Livro dos heróis e Heroínas da Pátria. Uma delas é a índia potiguar Clara Camarão.

Clara Filipa Camarão é considerada uma das precursoras do feminismo no Brasil, quando rompeu barreiras se afastando de afazeres domésticos e engordando as trincheiras de luta nas batalhas junto ao marido Felipe Camarão.

A outra mulher acrescentada ao seleto livro é a carioca Jovita Alves Feitosa, que aos 17 anos se travestiu de homem para lutar na Guerra do Paraguai. Delatada, foi proibida de ingressar nas fileiras militares. Em depressão após abandono do marido, cometeu suicídio aos 19 anos.

LIVRO MACHISTA

Clara e Jovita ajudam a diminuir o abismo de gênero no Livro dos Heróis e Heroínas. Entre os 45 nomes até então listados apenas três são mulheres: a enfermeira Anna Nery, que atuou na Guerra do Paraguai; Anita Garibaldi, heroína na Guerra dos Farrapos; e Bárbara Pereira de Alencar, heroína da Revolução Pernambucana de 1817.

No último 22 de março, projeto da deputada Jandira Feghali para colocar o nome da estilista Zuzu Angel no Livro foi aprovado no Senado e espera agora a sanção do presidente Temer. Zuzu Angel ficou conhecida por utilizar os desfiles de moda como forma de denunciar a ditadura militar. Ao lado do ex-governador Leonel Brizola, seria o nome mais recente da história brasileira.

PANTEÃO DA PÁTRIA

Páginas de aço formam o “Livro dos Heróis e das heroínas da Pátria”, guardado no Panteão da Pátria Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes em Brasília. São 45 nomes inscritos no livro.

É variado o conjunto de personalidades que integram o livro de aço, mas há destaque para os líderes militares.

Inscrito em 1989, Tiradentes abre a relação dos heróis. Também consta do livro, sem a indicação individualizada dos nomes, um tributo aos seringueiros recrutados para trabalhar na coleta de látex durante a Segunda Guerra Mundial, os Soldados da Borracha.

Para que um novo nome seja incluído no Livro dos Heróis da Pátria, o Senado e a Câmara dos Deputados precisam aprovar uma lei.

Vários projetos tramitam nas duas Casas do Congresso Nacional para acrescentar heróis e heroínas ao livro.

MAIS SOBRE CLARA CAMARÃO

De acordo com o Wikipédia, Clara Camarão foi uma indígena brasileira, provavelmente da tribo potiguar no bairro de Igapó na cidade do Natal, então Capitania do Rio Grande (hoje o estado do Rio Grande do Norte).

Nascida na metade do século 17, foi catequizada por padres jesuítas juntamente com seu marido Filipe Camarão, adotando o mesmo sobrenome que ele.

Participou de batalhas junto ao seu marido durante as invasões holandesas em Olinda e no Recife. Clara também liderou um grupo de guerreiras nativas na luta contra os holandeses durante a colonização na cidade Porto Calvo no estado de Alagoas em 1637.

Não há registro do local e data de sua morte.

A Refinaria Potiguar Clara Camarão homenageia o seu nome. É a primeira refinaria do Brasil a ser batizada com um nome de uma mulher.

NOMES INSCRITOS NO LIVRO DOS HERÓIS E DAS HEROÍNAS DA PÁTRIA

Na ordem em que foram incluídos:

– Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes
– Zumbi dos Palmares, líder quilombola
– Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil
– Dom Pedro I, imperador
– Duque de Caxias, comandante da Guerra do Paraguai
– José Plácido de Castro, líder da Revolução Acreana
– Marquês de Tamandaré, patrono da Marinha do Brasil
– Almirante Francisco Manoel Barroso da Silva, herói da Batalha do Riachuelo
– Alberto Santos Dumont, Pai da Aviação
– José Bonifácio de Andrada, Patrono da Independência
– Chico Mendes, ambientalista
– Joaquim da Silva Rabelo, o Frei Caneca, um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817
– Marechal Osório, herói da Guerra do Paraguai
– Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, herói da Revolução Federalista
– Brigadeiro Antônio Sampaio, herói da Guerra do Paraguai
– Sepé Tiaraju, líder indígena nas Guerras Guaraníticas
– Anna Nery, enfermeira que atuou na Guerra do Paraguai
– Hipólito José da Costa, Patrono da Imprensa, fundou o primeiro jornal brasileiro
– Padre José de Anchieta, jesuíta que iniciou a catequização dos índios brasileiros
– Getúlio Vargas, presidente do Brasil
– João de Deus do Nascimento, Lucas Dantas de Amorim Torres, Manuel Faustino Santos Lira e Luís Gonzaga das Virges e Veiga, heróis da Revolta dos Búzios (ou Conjuração Baiana)
– Mário Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo de Camargo Andrade, heróis paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932
– Heitor Villa-Lobos, maestro e compositor
– Júlio César Ribeiro de Souza, pioneiro da dirigibilidade aérea
– Seringueiros Soldados da Borracha
– Domingos Martins, herói da Revolução Pernambucana de 1817
– Barão do Rio Branco, diplomata
– Padre Roberto Landell de Moura, pioneiro da radiotransmissão
– Anita Garibaldi, heroína da Guerra dos Farrapos
– Francisco Barreto de Menezes, João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias, Antônio Filipe Camarão e Antônio Dias Cardoso, líderes da Insurreição Pernambucana de 1624-1654.
– Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, escritor, jornalista, diplomata e deputado abolicionista do século XIX.
– Bárbara Pereira de Alencar, heroína da Revolução Pernambucana de 1817.
– Cândido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon, que trabalhou pelo desenvolvimento das Regiões Norte e Centro-Oeste do país e em defesa das causas indígenas.
– Rui Barbosa de Oliveira, jurista, político e escritor do século XIX
– Leonel de Moura Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul

sergiovilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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