Samba e discotecagem movimentam quinta-feira no Centro de Natal

Faz mais de uma década a quinta-feira no Centro Histórico de Natal tem arrebanhado centenas de pessoas puxado por uma roda de samba e pela resistência de alguns comerciantes das adjacências do Beco da Lama.

Essa história começou por volta de 2007. O então desconhecido grupo Arquivo Vivo ensaiava seus sambas no estreito disforme da rua Câmara Cascudo, inicialmente em frente ao finado Bar de Fátima, para poucos boêmios e alguns gatos, depois em frente ao Bar de Nazaré, já com público fiel de 10 ou 15 pessoas.

Eles já tinham subido a ladeira da Ribeira. A roda, na verdade, havia começado onde hoje funciona o Buraco da Catita. Mas foi no Centro onde iniciaram um movimento que hoje impressiona.

Quando a roda ganhou coro, o projeto foi intitulado Quinta Viva do Samba. Foram anos de sucesso até o racha no grupo e o fim do projeto. Mas o banco nem esfriou e outros grupos deram continuidade.

Discotecagem no Bardallos

DJ Samir Lemos

Hoje, o grupo Batuque de um Povo, comandado pelo ex-Arquivo Vivo, Carlos Britto, puxa a roda em frente ao Bar de Nazaré para um Centro Histórico movimentado e que dura até 0h. E se o samba segue até 22h, pontualmente, o Bardallos Comida e Arte se encarrega de manter a vela acesa, também com acesso livre na Quinta Discow.

Independentemente do som, a festa é quem dita o ritmo. O público migra ao Bardallos com a mesma vibe e se solta ao ritmo da discotecagem do DJ Samir e convidados. Começa às 20h30 já com bom público e após o samba é gente saindo pelo ladrão.

Gustavo Lamartine

Os convidados do DJ Samir para este mês de maio já estão definidos. Para esta quinta (10), Gustavo Lamartine vai com sua guitarra e microfone para incrementar o repertório. Na quinta seguinte, os Little Drops FilipeAnjo e Talita Yohana. Para a quinta do dia 24, Babi`s Freire. E para fechar o mês, nada menos que Cabrito.

Longe das leis de incentivo ou do apoio do poder público, o Centro se ergue às quintas e mostra a força da tradição daquele chão e do idealismo de alguns, na contramão do prognóstico pessimista do comércio do lugar. Resistência pela arte, pela música.

Salve São Jorge. Salve dona Nazaré, Ricardo e seu Lula Belmont. Pelo Beco é que se anda!


FOTO do samba: Franklin Levy

About The Author: Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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