Anderson Foca comenta 7 pontos cruciais para melhoria do carnaval de Natal


Por Anderson Foca

Pelo segundo ano seguido passei o carnaval inteiro em Natal e foi muito legal em todos os aspectos. Vamos comentar algumas coisas e causos sempre no intuito de contribuir e melhorar (se é que alguém da prefeitura se importa com essas opiniões, mas vamos lá).

1. Sobre artistas e shows.

Dessa vez vi pouquíssimos shows desses ditos “nacionais”, por um motivo só: eram os mesmos do ano passado e possivelmente serão os mesmos do ano que vem. Bangalafumenga, Antônio Nóbrega e Casuarina eram as exceções, mas devido ao meu roteiro momesco, não vi nenhum dos três.

2. Sobre a chamada pública

Sobre a chamada pública da prefeitura pra artistas locais, o de sempre. Concentração em demasia de aprovados de uma ou duas produtoras, resultado e divulgação de quem toca muito em cima da festa e por aí vai. Essas chamadas públicas são coisa séria e quem tá a frente disso tem que ficar esperto para uma hora ou outra alguém embargar esses editais por falta de clareza nos resultados e até nos critérios de escolha. Dá para melhorar muito e dá para debater com a classe o que fazer. É bem fácil organizar isso. A prefeitura sempre chama alguns agentes para conversar antes do carnaval começar. Porque não faz uma chamada para TODO MUNDO em vez de só alguns? Já disse, quanto mais claro e mais aberto, melhor fica o trâmite e todo mundo ganha (mesmo quem fica de fora por um motivo ou outro). O processo melhorou um pouco do ano passado para cá, mas tá muito longe do ideal.

3. Sobre a Virada Carnavalesca

Iniciativa muito boa da Virada Carnavalesca para artistas com som out-carnaval. Dá para ampliar e achar um lugar um pouco melhor. Lá embaixo, na praia, é apertado e pouco acessível, principalmente à noite, para quem quer ver shows. Terminou sendo um show para passantes da praia (com algumas exceções).

4. Sobre blocos e troças e espaço público

Muito legal ver que a iniciativa privada está entrando e acreditando no potencial do carnaval. Vários produtores que tinham ações no carnatal, por exemplo, empreenderam no carnaval, o que é muito bom para o montante geral da festa. Naturalmente é preciso fazer ajustes. Quem quer fazer parte do bloco fechado precisa se concentrar num lugar particular e quando for o bloco para rua, aí brinca quem quiser.

Tivemos relatos de problemas com espaços públicos cercados pela iniciativa privado e se essa prática pega, em pouco tempo teremos o carnaval fugindo do seu propósito. Os tempos são outros, amigos, dá para arrumar soluções legais e todo mundo ganhar. Vamos por a cabeça para funcionar que rola.

Os Cão, se você não foi ainda ainda vá pelo menos uma vez na vida. É lindo e cultural!

5. Sobre horário dos shows

A prefeitura ainda não percebeu que o grosso do carnaval é feito por blocos espontâneos, troças das mais variadas e precisa investir mais em uma programação que comece MUITO MAIS CEDO. Às 16h as ruas de Ponta Negra já estavam cheias e os shows só começavam às 21h e sempre no mesmo lugar. Resultado: pelo menos três dos cinco dias de festa houve super lotação até colocando em risco a segurança de quem queria curtir a festa.

6. Sobre local dos shows em Ponta Negra

A principal rua de acesso dos blocos e pessoas para ver os shows de Ponta Negra (ali por trás do Camarões) precisa ser organizada e monitorada, uma multidão de ambulantes tomou conta da rua. eles precisam trabalhar, mas dá para organizar o espaço melhor ou ver outras opções. Um segundo palco em Ponta Negra também é muito necessário, talvez voltar ao Ponto 7 para desentupir o fluxo da praça do gringos.

7. Sobre a Orquestra Greiosa

Pro final, o melhor: que maravilha o nosso bloco/banda Orquestra Greiosa. Foi lindo participar do carnaval e ver a rua lotada para assistir a doidera toda. Temos planos de dominação global com esse grupo e já começamos a trabalhar, de hoje, pro carnaval do ano que vem.

É isso. ano que vem tem mais!

Anderson Foca

Músico, produtor cultural, promotor do Festival Dosol e pronto para contar as vivências intensas da música de Natal e do mundo, porque viver é uma trilha sonora ininterrupta.

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