Uma exposição e um depoimento sobre o câncer de mama

O câncer de mama é o que mais mata mulheres em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). O Outubro Rosa é o mês para chamar a atenção de todas para que as mulheres sejam sempre vigilantes com seu corpo, especialmente com a região das mamas.

No intuito de colaborar com essa campanha tão importante, um grupo de poetas e escritoras potiguares se juntou para dar ‘Um Toque de Poesia’ à essa realidade tão dura, trazer beleza em toda sua diversidade e solidariedade às mulheres acometidas ou não por essa doença.

As poetas foram fotografadas pelas lentes da talentosa Flávia Freire, que assina a bela exposição, com a marca da sua sensibilidade ao retratar com suavidade e elegância as sete mulheres. São elas: Gilvânia Machado, Civone Medeiros, Jeanne Araújo, Sírlia Lima, Drika Duarte e Clécia Santos, e a idealizadora do projeto, Carla Alves.

Cada quadro acompanha um poema de autoria da fotografada. A vernissage aconteceu ontem (21), mas a exposição permanece no Bardallos Comida e Artes até esta quarta-feira, quando segue para o IFRN-Natal Central e permanece lá até o dia 3 de novembro. A exposição já recebeu outros convites para expor que em breve serão divulgados.

“Vou morrer amanhã?”

O Papo Cultura conversou com uma das idealizadoras da exposição, Carla Alves, já acometida de câncer de mama. O intuito é, para além da divulgação da exposição, deixar um alerta e um alívio às mulheres.

Como foi receber o diagnóstico de câncer de mama?

Não é uma notícia simples de aceitar. O primeiro pensamento é “e agora?’, “vou morrer amanhã?”, “tenho quanto tempo?”. Comigo não foi diferente. Faltou chão na hora. Eu pensava nas minhas filhas e só chorava; não acreditando no que estava acontecendo.

Faltou acompanhamento regular?

Sempre fui regular com meus exames preventivos. Certo dia, tive um pequeno sangramento na mama direita e logo procurei meu mastologista. Fizemos todos os exames necessários, mas não acusou nada grave. Apenas um trauma num ducto de leite, que seria resolvido com uma cirurgia simples. Fiz a cirurgia, foi retirado material da mama para a biópsia e foi aí que descobrimos que havia o carcinoma na região.

Quais os procedimentos após a notícia?

Daí começou toda aquela via sacra de um paciente de câncer: inúmeros exames, consultas, especialistas e tal. Fiz mastectomia (retirada total da mama) com reconstrução e, após a recuperação, iniciei as sessões de quimioterapia, que foram a pior parte do tratamento. A gente fica muito debilitada. É como se nossas forças se esgotassem. Mas passou! E hoje estou aqui para contar essa história.

O que você tira dessa experiência?

Vale a pena lutar pela vida usando todas as chances que você tem. Agradeço todo apoio e solidariedade que recebi da família, de amigos e até de pessoas que nem conhecia. Abrir a minha história nas Redes Sociais, contar para todos o tratamento e deixá-los acompanhar minhas vitórias foi uma decisão pensada no intuito de compartilhar toda a situação, principalmente com pessoas que estivessem vivenciando o problema, também. Precisamos mostrar que não estamos sozinhos nessa. E, especialmente, nós mulheres, precisamos cuidar umas das outras. Somos mães, filhas, esposas, namoradas, profissionais… tantas! Cuidamos do mundo, geramos vida! Precisamos nos cuidar, cuidar de outras, ajudar outras a aprenderem a se cuidar. O resultado disso é multiplicar amor e toda humanidade ganha com isso!

E como surgiu a ideia da exposição?

A exposição ‘Um Toque de Poesia’ surgiu de uma conversa minha com a poeta Gilvânia Machado, em virtude de um poema (um poetrix) feito por ela e que me chamou a atenção, porque era relacionado à campanha do Outubro Rosa e estava posto numa arte com a parte superior do corpo de uma mulher. Conversamos e chegamos a esse desenho da exposição: fotografia e poesia. Convidamos a fotógrafa Flávia Freire, que aceitou prontamente, bem como Laís Bastos, que cuidou da nossa make para as fotos; e fomos convidando outras poetas para participar. Apesar de eu não ser poeta, participo como quem vivenciou o problema, como amante da poesia e, assim, consegui fazer uns versinhos para acompanhar os belos textos delas.

About The Author: Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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