Vamos manter Aboca aberta porque a vida não basta


A campanha no Catarse para arrecadação de recursos e permanência de atividades no Aboca Cultural por mais dois anos não é apenas questão de sobrevivência de mais um espaço voltado às artes em Natal. O fim pelo qual foi criado exige uma reflexão maior.

Por que um espaço de resistência a partir da arte independente de grupos de teatro e outras diversas manifestações artísticas agregadas suplica por recursos para se manter?

A questão retrata um pouco do consumo de arte na capital potiguar cujas frases mais manjadas são de que aqui ninguém se dá muito mal ou que Natal não consagra nem desconsagra ninguém. Ou seja: a inércia reina na terra dos reis magos.

Já comentei que a música potiguar só é consumida se vier num pacote bem embrulhado. O Festival Ribeira 360º mostrou isso. Várias bandas locais, boa estrutura e divulgação, público fiel da Ribeira. E a coisa bombou.

O Teatro Riachuelo lota às quartas-feiras para concertos eruditos da Orquestra Sinfônica do RN. Mas é de graça. E é em shopping, onde o povo vê e quer ser visto. Não é pela boa música em si.

Em resumo: o pacote Preço em Conta + Bom Produto + Divulgação/Marketing + Estrutura = bom público.

O Aboca Cultural deveria agradar várias tribos. O mix de atrações em cada edição apresentada tem de quase tudo: música, teatro, performance, sarau, cinema, comida vegana, exposição, lançamento literários, circo. Tudo por 10 mangos!

E por que não atrai público suficiente para manter a rotina da casa? Pouca divulgação? Localização desconhecida? Falta conceito ao projeto? Não sei.

A Ribeira tem um público fiel, próprio, formado muito pelos próprios artistas e produtores. E acredito em um conceito de independência muito característico das atividades d’Aboca; algo meio transgressor, afora a mescla de ofertas nas edições mensais do Movimento Aboca. Seria a divulgação o problema? Talvez.

Um paralelo com o recente projeto Insurgências Poéticas é cabível. O Insurgências aconteceu com periodicidade semanal, às quartas-feiras à noite e durante o veraneio com a cidade mais esvaziada, e no Centro Histórico. O valor do acesso? O mesmo: R$ 10. Lotou praticamente todas as edições com oferta de poesia, performance e música. Qual a diferença?

A mídia abraçou o projeto. Saiu nos jornalões e eu mesmo divulguei enquanto Substantivo Plural e novamente neste Papo Cultura. E nas redes sociais o assunto também ganhou compartilhamentos; simpatia!

Acredito que a coisa aconteceu motivado pelas homenagens. Quem é homenageado divulga, espalha e os amigos compram a ideia. Rende pauta com o personagem. Em resumo: ideias simples que geram divulgação e, consequentemente, público (se houver o pacotinho bem embrulhado).

Apesar do mix de atrativos e do conceito transgressor, falta esse “chama” ao Aboca, acredito. Uma noite de homenagens ao teatro potiguar, à música potiguar, etc. Ou para lembrar movimentos culturais de outrora. Ou uma edição dedicada ao Empoderamento Feminino. Ou à Diversidade de Gêneros na Arte. Com homenagens ou outra pegada marqueteira (sem pejoração do termo!).

Uma marca fixa de Projeto Cultural divulgado de forma efetiva, continuada, com data e horário regular para melhor assimilação do público. Vejam o Som da Mata. Todo domingo se sabe que há show no Parque das Dunas às 16h. O público vai sem nem saber quem tocará.

O Aboca é um espaço bacana, transado, com proposta massa e o melhor: é arte independente, fruto da resistência do artista, do poder de pertencimento cultural da Ribeira. Merece todo o respeito, toda a ajuda e vida longa. Até como exemplo de projeto vitorioso fora das leis, do incentivo público e até do privado.

Então, não é um clamor de grupos de teatro; é ou deve ser da arte potiguar, de manter a cultura na trincheira de luta. Porque, como dizia a famosa frase de Gullar, mais otimista que os aforismos potiguares, a “poesia existe porque a vida não basta”.

Quer ajudar a manter Aboca Aberta? Clica AQUI.

TRÊS ETERNOS ANOS

O Aboca Cultural surgiu em março de 2014 a partir do encontro de três grupos de teatro de Natal: o Bololô Cia Cênica, o Coletivo Artístico Atores à Deriva e o Carmin Grupo de Teatro.

A afinidade de trabalho e a busca por um espaço de compartilhamento de processos e ações formativas foram o estímulo necessário para a concretização desse projeto. E o Aboca ganhou maior dimensão, passando a se configurar como espaço cultural pautado nos eixos de formação, apreciação, residência, ocupação e celebração.

Hoje ocupam como residentes oficiais do espaço a Bololô Cia Cênica e a Sociedade T. E o Aboca se firmou como referência na Ribeira e local de encontro entre artistas, estudantes, intelectuais e pessoas interessadas em arte e cultura, potencializando o intercâmbio de linguagens dos fazedores de cultura de Natal e de outras partes do país.

O QUE ROLA N’ABOCA?

Desde a sua abertura, diversos projetos foram realizados n’Aboca. De eventos sazonais como a circulação de espetáculos de grupos das diversas regiões do Brasil, à atividades mais efetivas como o Circuito Cultural Ribeira, Virada Cultural e Movimento na Boca, que sempre apresenta uma temática diferente e proporciona um diálogo sobre assuntos de interesse da sociedade.

Nos seus dois anos de existência, mais de oito espetáculos foram montados, seis projetos de intercâmbio realizados, palestras, encontros para discutir políticas Públicas de Cultura, cerca de 25 ações formativas em teatro, dança e performance, lançamento de CDs, livros e publicações culturais e atividades compartilhadas com outros artistas parceiros que tiveram por um momento um espaço garantido para seus ensaios e pesquisas artísticas.

COMO ABOCA RESISTE?

Financiado especialmente pelo público, que consome, convive e reside n’Aboca. Artistas gestores que buscam a partir de suas atividades e investimento pessoais, manter o local como base de seu projeto de vida, estabelecendo um elo afetivo com a comunidade e a classe cultural.

Manter “ABOCA ABERTA” é incentivar o reencontro do cidadão com sua cidade, fortalecer o aspecto afetivo da comunidade com o espaço que ocupa, é entender que a cultura faz parte da formação de uma cidadania consciente, e que o território d’ABOCA é um organismo vivo e dinâmico, favorecendo um arsenal de significação, memória e identidade de um povo.

PROJETOS FUTUROS

OCUPAÇÃO – Através de chamadas públicas ABOCA selecionará mais quatro coletivos ou artistas da cidade para ocupar horários d’ABOCA que estejam disponíveis.

FORMAÇÃO (CURSOS ABOCA DE CENA) – Curso de formação teatral que trabalha a educação pela arte através das áreas que constituem o fazer teatral. A interpretação sendo o eixo norteador do curso contribui para uma melhor sensibilização dos participantes em contato com o outro e com o ambiente. Busca-se o estreitamento do espaço cultural com a cidade como um todo através das ações formativas ao longo dos anos de 2017 e 2018.

APRECIAÇÃO – Esta etapa é formada por atividades culturais abertas ao público no espaço da ABOCA, sendo o “Movimento n’ABOCA” uma ação de artes integradas que acontece mensalmente e tem edições temáticas, “Cinema n’ABOCA” é um ciclo de exibições de filmes produzidos na cidade, como iniciativa de aproximação com o audiovisual potiguar; “Teatro n’ABOCA” é um espaço de temporadas e apresentação de espetáculos de teatro. Vale destacar que o projeto ABOCA ABERTA viabilizará a inauguração da galeria CÂMARA CLARA que funcionará de forma permanente no primeiro andar do prédio d’ABOCA.

CELEBRAÇÃO – Aniversários d’ABOCA. Para celebrar a resistência d’ABOCA desde 2014 na Ribeira, realizaremos nesses dois anos, uma celebração anual para comemorar o aniversário, onde lançaremos na ocasião uma carta-manifesto pela revitalização da Ribeira que receberá assinaturas durante todo a execução do Projeto e será encaminhada aos gestores públicos.

E QUAIS AS RECOMPENSAS PELA AJUDA?

Além de você possibilitar a manutenção do espaço d’ABOCA CULTURAL por dois anos e desfrutar de toda a programação que o espaço oferece. Preparamos uma série de brindes e mimos com muito amor e carinho.

Ingressos (programações realizadas e promovidas pela ABOCA). Confere aqui.


FOTO: Paulo Fuga
sergiovilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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