A força cult-revolucionária da calcinha

Croniketa da Burakera #7

Campanhas de portos, mares e bares! Brau!

A calcinha de mulher é uma peça dos seiscentos mil demônios!
Há pura sedução estética numa mulha flutuando nua só de calcinha. Ou então tirando a calcinha.

Há erótica sedução hipnótica quando uma mulha num talvezquemsabe gesto inocente, cruza rápido as pernaças,
mostrando em close a calcinha bem encarcada-estufada, por conta do lascivo tabaco, tipo “capô de fusca”.
É de arrepiar pêlos e peles, manusho! Mexe com as incongruências antigravitacionais da macharada de raiz.

Há também na calcinha estranha sedução olfativa. Que fez surgir a tribo dos fetichistas cheiradores de calcinha usada.
Psicomania já estudada pelo velho Freud, desde 1905. E com muitos adeptos.

Tanto que, nesse mundão neoliberal, a ganância do lucro emplacou o excêntrico comércio de calcinhas usadas.
É só o distinto farejador clicar no MercadoLivre e encomendar pela internet o objeto de desejo com variados
graus de impregnâncias odoríferas, segundo os dias de uso da calcinha. Pra lá de maníaco, boy!

Inventada, dizem, a partir de 1800, a calcinha é mais que uma simples peça do vestuário feminino.
A calcinha é, sem dúvida, a representação imaginária, moderninha, da Deusa Volúpia, entidade provocadora do
intenso prazer na mitologia grega e romana.

É, a calcinha, um verdadeiro zap-zap emocional, excitante-incitante, da libido. Que transborda por todos os imaginários,
charges, bares, motéis e linguajares, das cult-atividades humanas.

Até na Política.

Focando, por exemplo, o atual cenário de corrupção epidêmica no Brasil, pode-se dizer que: seja de direita,
de esquerda ou “de bandinha”, nossa Política, de tanta baixaria-re-baixaria parece calcinha de piranha de luxo.
Tá sempre subindo-descendo e faturando altas propinas!

Mas há também exemplos excêntricos, profanadores, heróicos, da sexy-imagem da calcinha.
Lembro de um cenário inusitado e cômico. Foi na última semana de novembro de 2015.

Cenário 1:

Paróquia Sagrada Família, bairro Vergel, Maceió, Alagoas. O padre Jonas Mourinho, pároco,
surpreende os mais de 200 convidados ao cancelar a celebração do casamento de uma professora de 25 anos.

Motivo: o pároco havia notado que a noiva estava com pecaminoso vestido transparente com um hiper-decote
nas costas e, provavelmente, sem calcinha; já que, com o derrière nú, as avantajadas nádegas soltas da noiva
pululavam lascivamente como pudins dos deuses.

Arrê égua! Padre Mourinho se benzeu e solicitou à Ministra da Eucaristia, corôa gorda de coque grisalho, a devida
perícia lá na Eucaristia. Confirmada a perícia o padre deu o veredito: “é uma profanação subir ao altar sem vestes íntimas“.

E rematou dizendo que a Ministra também notou estar “a noiva totalmente depilada no púbis“. O que era para o pároco um
agravante: – “um flerte com a pedofilia“.

Como assim?

Justificou-se piedosamente, o pároco: “pêlos pubianos marcam a transição entre infância e vida adulta; portanto raspá-los
seria um apelo pedófilo para a prática sexual“.

Impiedosamente a noiva replicou: “debaixo do vestido estou nua e sem calcinha, sim; mas se o sr. padre notou este
detalhe é porque ao invés de estar ligado em celebrar ele tá é pensando em taradice comigo“.
Dizem os fiéisinfiéis que depois do excêntrico evento, e para não se repetir a profanação da calcinha, Padre Jonas
mandou afixar na apostila do curso de noivas dois avisos: “noiva sem calcinha é satanás na cabecinha” e “vagina careca
é o diabo na boneca“.

Cenário 2:

Câmara de Aracaju. O vereador Agamenon Sobral (PP) fez discurso moral e meteu bronca na professora
que teria tentado casar nua, sem calcinha, de vestido transparente e xibiú raspado, mas foi impedida pelo padre Jonas.

Vagabunda! Uma vagabunda! Devia era ganhar surra de couro cru e banho de sal“, gania o vereador.

Seria Sobral angélico ou evangélico? Sei lá, mano! Só sei que ele teve troco feminista na sessão seguinte.

Cenário 3:

Câmara de Aracajú. Dia do Combate à
Violência contra a Mulher. A vereadora Lucimara Passos (PcdoB),
subiu à tribuna e num delirante gesto revolucionário sacou a calcinha e mostrou a peça como bandeira feminista de
protesto contra o discurso machista do colega do PP, Agamenon Sobral e contra a atitude do padre.

Vereadora Lucimara

Camarada Lucimara,
furiosa, mandou-ver com uma pérola de discurso. Declarou que estava de vestido curto e sem
calcinha. Daí desafiou o desafeto machista do PP pra dar uma “surra” nela.

Imagino o close da Globo: “Pois tô de saia curtinha e sem calcinha, bem raspadinha, simsinhô, excelência! Venha
me dar uma “surra”, venha se é home…“.

Foi uma apoteose histérica-revolucionária da calcinha marxista. Talvez além-Marx.
Ao articular seu protesto programático com sua brava calcinha e ainda desafiar o colega pra dar uma
“surra” nela – que profundo impulso ideológico-sexológico, explícito-implícito, moveu camarada Lucimara?

Estaria a nobre vereadora, no fundo de seus fundos, implicitamente-sexi-precisada de uma “surra”?
Ou seja: estaria a camarada em explícito-implícito estado-de-me-coma…?
Sei lá, mano! Chama Freud! Chama Reich! Chama Lacan!

Aliás, Lacan diz que nas profundas do ID de todos nós há um Imperativo Humano do Gozo, que mesmo nas
situações mais sérias te ordena o tempo-todo: Goza, fidaputa, goza!
(No Seminário 20, Lacan só escreve Goza! – mas quem sabe ao certo como ordena o superego de cada um?).

Complicado, negão, complicado mesmo, essas transas de ideologia-política e calcinha.
Mas, quer saber, a calcinha da camarada Lucimara, de qualquer maneira, é uma marca política da força cult-ideológica
e revolucionária da calcinha.

E que dizer então de La Cicciolina? A alucinante deputada italiana, sempre mostrando a calcinha transparente?
Lembram dela? Atriz-pornô, peituda-bunduda-boazuda, sexy-symbol internacional, ativista política ambientalista.
Era contra a OTAN, contra o CO2, a energia nuclear, a fome, a censura, a homofobia; e a favor da Ecologia,
da Paz, do Amor Livre, e por aí.

Foi a segunda deputada mais votada, em 1987, para o Parlamento italiano. Não era comuna, mas também era
decidida e sangue-quente, como a nossa vereadora comunista Lucimara.

Tão alucinante e sedutora era que parecia estar além toda moral e ética do cidadão comum.
Dos atos-atitudes-imagens dela, incluindo corpo e calcinha, transbordava um chamado envolvente não de
Ética na Política, mas de Sexo na Política.

Tanto que por duas vezes, em nome da paz, se ofereceu heroicamente pra transar com Sadan Hussein e Osama
Bin Laden, respectivamente, desde que eles baixassem as armas.

Cuma-é, mago? Isso mesmo, malandro. Transar com Hussein e Bin Laden, pela paz! Já pensou a coragem?
Brava, braba, maluca, devoradora, La Cicciolina em nome da PazAmorDemocracia encarava qualquer bagulhame!
Uma deusa revolucionária do Sexo na Política… Diga aí!

E o Grupo Femen, da Ucrânia, amigão? Contra o sexismo vulgar machista e certos males sociais, as minas ucranianas
com seus protestos políticos sensualérrimos usam o corpão pra chamar atenção do povo e das “otoridades”.

Grupo Femen

Se dizem sextremistas. Todas em pornô-gestos só de calcinhas e topless, protestando contra turismo sexual, homofobia,
racismo, etc, etc. Mostrando a força pornô-estética e pós-moral das calcinhas, peitinhos e xerecas, nas lutas sociais e
políticas. Pornô na Política, mago-velho! É mole?

Assim, não só a calcinha comuna de Lucimara das Alagoas, mas também as calcinhas democráticas de La Cicciolina
da Itália, e, as calcinhas-pornô das ucranianas do Grupo Femen, são armas cult-revolucionárias. Mexem e remexem
com a cultura sexual pra renovar as tramas da Política.

Mas tem um porém, cara pálida.

A fantástica calcinha, nesses trampos politiqueiros, acaba se deformando como imagem sexi-romântica.
Vai se tornando chata como a velha-Política e seus enrolados jogos-de-interesses pelo Poder e propinas.

Daí que melhor mesmo, velha-guarda, é curtir calcinhas suprapartidárias.
Dessas movidas só a sonhos, desejos, músicas, amores e pasións.
Que sacodem a imaginação da macharia nas flutuâncias das gamations, fornications and xifrations, ao som daqueles
boleraços dos cafofos de beira de cais.

Canta aí, NanaCaymmi-velha-de-guerra, canta pelas calcinhas comunistas de Lucimara!
Canta com essa docefantástica voz de putafatal de
cais de todos os tempos e guerras.
Canta com essa voz que chama à chincha e correções monetárias bagos e línguas.
Canta esse bolerão – Dejame ir! – dos amores e desamores, perdidos-e-achados, zuindo nas
quebradas por aí…

Ou então somente deixar haurir num tango o perfume de mulher
Mas, ein ?!!!

About The Author: Ruben G Nunes

Ruben G Nunes

Desfilósofo-romancista & croniKero

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